publicidade

A amizade sem confiança é uma flor sem perfume!

Amizades se constroem pelos mais diversos motivos: destino, afinidade, semelhança, mesmos objetivos. Ou, gratuitamente.

E, nesta construção, as diferenças podem ser enormes. Não é preciso ver no outro um alguém igual a nós para que o amemos. Longe disso. Porém, acredito que na lapidação desta relação, dois ingredientes nãos podem faltar: a sinceridade e a confiança. Como tão bem definiu Laure Conan: “A amizade sem confiança é uma flor sem perfume”.



A amizade verdadeira nos faz exercitar a sinceridade acima de tudo. É como se fossemos aquela voz da consciência, que pode ser chata na maioria das vezes, mas que só quer o bem. E quando se atinge esse grau de amizade, temos liberdade para falar de tudo, desde papos sérios sobre passado, presente e futuro, até divagar sobre coisas banais, pauta de mesa de bar. E lidar com toda esta honestidade, requer muita sincronia e maturidade. Nem sempre estamos prontos para ouvirmos aquilo que não queremos. Mas, talvez seja este o papel mais especial desempenhado por um verdadeiro amigo.

Quando buscamos um amigo de verdade para caminhar ao nosso lado durante a jornada da vida, não queremos alguém que concorde conosco em tudo. Não queremos alguém que esteja preso a nós. Amizade jamais pode ser confundida com submissão e ter hierarquia. Fabrício Carpinejar materializa em suas palavras esta ideia ao dizer que:  “Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira. […]

Amizade não é dependência, submissão. Não se tem amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito […] O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva?

[…] Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis da maturidade. Aqueles que não estão perto podem estar dentro. […] Amigo é o que fica depois da ressaca. É glicose no sangue. A serenidade”.


Uma amizade assim, prima pela liberdade e não pode, em momento algum, estar atrelada a interesses. A mim, quando o assunto são os irmãos que a vida me deu, não me interessa se eles têm dinheiro, carros caríssimos, se usam roupas de marca. Se tem cargos importantes, notoriedade, reconhecimento. Não me importo com suas contas bancárias, com o número de outros “amigos” que acumulam em redes sociais. Não tem relevância alguma a cor da pele, beleza exterior, se agradam ou não a maioria. Não dou a mínima se são odiados por muitos, respeitado por poucos, ignorado por vários. O que me importa é o que eles representam para mim, é saber que estaremos sempre juntos, nas horas boas e nos momentos ruins.

O que me preocupa é vê-los bem, onde quer que estejam. Pois lá, de corpo ou mente, estarei junto, darei meu ombro para descansar, enxugarei lágrimas com minhas mãos, darei um beijo de respeito na testa, um abraço de sufocar e direi quando for preciso: levanta a cabeça, pois para mim, és e sempre serás vencedor.

Miguel Unamuno revela que “cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que revela de nós mesmos”. E nestas trocas, muitos acabam se perdendo ao longo do caminho.


Já tive amizades que jurei ser eternas e que se desfizeram como se fossem areia que tentamos agarrar nas palmas das mãos.

Já tive amigo que jurei ser irmão, que daria a minha vida em nome de nossa amizade, e que hoje, em decorrência dos vários caminhos que seguimos em nossa jornada, não fazem mais parte da minha rotina.

Já tive inimigos que viraram amigos. Sabe aquela pessoa que simplesmente não gostamos? Pois é, também já tive amigos assim. Amigos que não gostava e aprendi a amar.

Já tive amigos, e ainda os tenho (Graças a Deus), muito diferentes de mim. Alguns diriam que somos como água e óleo, impossível de misturar. Mas “tudo junto e misturado”, provamos que às vezes os opostos se atraem, se distraem e se completam.

Já tive amigos que me magoaram muito, que me fizeram chorar, que me fizeram sofrer. Uns perdoei, outros optei em me afastar. Já tive amigos/irmão, aqueles que não necessitamos de palavras para estabelecer uma comunicação. Um olhar já é suficiente para que consigamos entender o que eles querem dizer.

Já tive amigos discretos, que com suas ausências ou presenças se mostraram imprescindíveis nos meus momentos mais turbulentos. E assim vão passando os anos. Assim vamos amadurecendo.

Somos uma espécie de aeroporto. Recebemos diariamente pessoas em nossas vidas, umas com mais frequência, outras esporadicamente. Umas nos deixam lições que levaremos para sempre. Outras nos causam transtornos, são descartáveis.

E isso não é bom ou ruim. É normal. Faz parte de nossa evolução. Não é que nosso coração vai ficando menor com o passar dos anos. É que simplesmente vamos ficando menos pacientes com besteiras, com pessoas sem sal e sem açúcar, com amigos mornos, com futilidades.

Vamos querendo para gente, gente de verdade, gente como a gente. E a estes amigos especiais que a vida me deu, desejo que nossa amizade seja como um bom vinho.

Mas que não o guardemos para uma data especial, para um futuro distante. Mas que saciemos nossa vontade de bebê-lo, de aproveitá-lo, de degustá-lo, quando tivermos sede ou quando um bom gole de vinho for algo um tanto quanto necessário para tornar a vida mais “digerível”.

Afinal, como tão bem resumiu Voltaire: “Todas as grandezas do mundo não valem um bom amigo”.

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.