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As amizades devem ser renovadas tais como nossas vestes.

As amizades devem ser renovadas tal como nossas vestes.

A amizade existe ou não e sem obrigação de ser eterna. Ou seja, ela existe livre e sem obrigações temporais. 



Na medida em que crescemos nossos corpos ganham novas formas, tornando-se, por consequência, imperativa a renovação de nossas vestes. De modo similar, renovações ocorrem nas amizades, uma vez que assim como nossos corpos mudam no decorrer do tempo, nossas mentalidades e anseios também.

Ainda que haja bons exemplos de amizade duradoura e estável eles não são uma regra na vida de todas as pessoas. A meu ver, inclusive, no quesito amizade a regra é não ter regras limitantes. O que quero dizer?

A amizade existe ou não e sem obrigação de ser eterna. Ou seja, ela existe livre e sem obrigações temporais. Não é comum iniciar uma amizade com a seguinte afirmação: “Você será meu amigo (a) para sempre!” Talvez apenas as crianças possam afirmar algo do tipo.


O que faz, então, uma amizade existir varia de acordo com gostos, identificações e expectativas individuais. O essencial é que seja agradável e respeitosa para quem a compartilha.

As amizades são nossas características particulares representadas no outro, são uma parte de nós mesmos. Consideramos amigos aquelas pessoas que compartilham algo em comum conosco.

Sendo assim, como todo relacionamento sobrevive de trocas saudáveis, o mesmo acontece nas melhores amizades, mas mesmo estas transmutam-se no decorrer do tempo, ainda que não terminem em alguns casos.

Não vestimos as mesmas roupas a vida inteira, pois nossos corpos mudam, nossas mentalidades, gostos e, assim, também mudam nossos amigos. As pessoas mudam não somente de endereço e praticamente tudo na vida transforma-se, quase como em fases, e este é um dos acontecimentos mais saudáveis que podemos vivenciar.


Pessoas distanciam-se tal como suas ideias, energias, gostos e suas vidas, em si, ganham novos rumos e sentidos.

As mudanças que sofremos refletem, assim, de maneira intrínseca, sobre quem queremos manter por perto para dividirmos momentos e um convívio, lado a lado. Refletem, ainda, sobre quem merece ser por nós considerado amigo em sua acepção mais legítima possível.

A naturalidade do curso da vida cumpre então o seu papel de transfigurar-se em nossos melhores laços de amizade. Há quem prefira números e outros qualidade.

Amigos não são, necessariamente, sem conquista e afinidades, colegas de trabalho ou curso, não são meros conhecidos ou pessoas distantes a papear pelos aplicativos e internet em busca de momentos afins de interesses vazios. Amizade legítima está além de simples futilidades e farras.


Amigos de verdade contamos nos dedos, porque, pense, quando você não está no melhor momento, quando tudo parece dar errado, quem lhe socorre por pura empatia solidária, sem grandes interesses envolvidos, sem menosprezar seus sentimentos?

Abaixo à frieza, às más interpretações, a pouca paciência e aceitação, aos julgamentos equivocados, à inveja sutil, às mentiras e às falsidades. Nossos bons amigos são nossos melhores espelhos e, se possível, portanto, vale uma seleção criteriosa e constante feita com a devida sabedoria, que, certas vezes, adquirimos apenas depois de muito engano.

Que os dias passem e respeitemos com resignação o tempo de cada amizade em nossas vidas, sem apegos, e cientes de que a boa sintonia dos momentos vividos no passado foi perdida, a ponto de sua presença hoje ser inconcebível.

Por isso mesmo, novas amizades tornam-se imperativas assim como novas vestes, que duram até enquanto correspondem-nos com a devida compostura e renovam-se de tempo em tempo, quando necessárias.


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Direitos autorais da imagem de capa: wavebreakmediamicro / 123RF Imagens

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