Somente aqueles que amam verdadeiramente, respeitando a individualidade do seu amado, podem entender o quanto é bom relacionar-se com alguém, sem que para isso precise senti-lo como um objeto de posse.



Comumente temos notícias de relações destruídas em sua plenitude pelo fato de um querer que o outro atenda a uma expectativa pré-definida, iniciando-se um movimento de “sabotagem”, tanto “da” como “na” relação.

Amor chantagem! De todos os tipos e de todas as formas, a utilização da chantagem para se obter do parceiro determinado comportamento só faz restringir a condição do outro em manifestar o seu potencial. O que isso quer dizer? Na prática, quer dizer impor ao outro atitudes que nos façam sentir plenamente realizados e que não ocorre, mesmo que o outro ceda.

Quando se usa de chantagem para obter do outro o que se quer, a relação já está fadada à insatisfação de ambos e nada que se faça dará ao casal a felicidade que almejam. Ter que chantagear para sentir-se amado é sentir uma enorme insegurança quanto ao amor do outro, e também quanto ao seu amor próprio. Talvez o mais correto seja dizer “amor por si próprio”.


Para que não ocorra a manipulação no relacionamento a dois, é necessário abrir mão do egoísmo e compreender que só haverá o verdadeiro encontro se os dois realmente quiserem e estiverem a fim. Que não basta apenas um querer. E que não se perde o que não se tem.

Como uma pessoa pode se sentir feliz tendo a seu lado alguém que não corresponde ao seu sentimento? Mas esse não é o mais frequente dos casos. Na maior parte das vezes, o chantageado ama seu par, porém, a manipulação impede que a relação seja completa. Se não se é amado, dever-se-ia “partir para outra”, buscar uma nova relação, novas possibilidades de se ser feliz, buscar sua “alma gêmea”. Se há amor, entretanto, por que não aceitar o outro como ele é?

Quantas pessoas “amargam” uma vida toda infeliz por não entenderem que o amor é algo que não se impõe. Ou ele existe, ou não. Quantas pessoas fazem da vida do casal um “inferno” porque se sentem inseguras, mesmo se sabendo amadas? O número de pessoas “doentes”, dependentes, é imenso, até porque esta é uma das formas mais comum de se chantagear o outro.

Quem se utiliza da chantagem, sempre procura desenvolver no outro algum tipo de sentimento de culpa, forçando-o a ceder, na maior parte das vezes, para evitar um mal maior. Mas não é só o chantageado que se sente infeliz. O chantagista, mesmo tendo suas vontades atendidas, não se realiza. Quando muito se autoafirma, porque, inconscientemente, sabe que o resultado alcançado não é natural, mas forjado. As reações e comportamentos do outro não foram espontâneas.


O casal vai à praia. Um quer caminhar, o outro quer ficar sob o guarda-sol. No relacionamento maduro, cada um respeita o outro e cada um faz aquilo que mais lhe agrada. E o ponto positivo, dentre tantos outros, é que, ao se reencontrarem, ambos tem algo novo para contar. No casal de possessivos, o dia já acabou antes de começar, por mais lindo que esteja o sol, por mais promissor que fosse o passeio, pois o mau-humor já se instalou. Ou os dois foram caminhar contrariados, ou ficaram sentados, amuados, irritados.

Desprendimento e desapego são práticas constantes do amor incondicional. Quem ama verdadeiramente quer a felicidade e o bem-estar do outro, não criando barreiras ou obstáculos entre os dois. Expressa, sim, sua opinião e vontade, mas respeita a do outro, sem ficar cobrando submissão.

Encontra, na individualidade do outro, razões para sua admiração e bem-querer. Compartilha sempre que possível, mas não impõe nem lhe é imposto pelo outro o como ser. O estar juntos é uma opção.

Por Paulo Salvio Antolini


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