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Amor é naturalmente sentido ou é pura questão de escolha?

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Acredito que nossa existência é permeada de amores antes mesmo de nosso nascimento, cada amor com sua singularidade e especificidade! Durante a vida alguns são turbulentos, outros regados de dependência afetiva e tem até aqueles que não possuem dependência nenhuma, o famoso “amar apenas por amar”.



Ao analisarmos o que de fato é esse sentimento, nós nos questionamos: o que é de fato o amor? É inato? É questão de escolha? É aprendido?

O que podemos concluir é que cada forma de sentir o amor e demonstrá-lo é discrepante de pessoa para pessoa, e isso é possível de observação, nas formas diversificadas que tange nossos relacionamentos: familiares, amorosos, amigáveis.

Em estudos históricos sucintos, podemos observar os primeiros relatos na Grécia antiga, de um amor denominado platônico, em que se procurava o amor ideal, regido de conceitos, que eram reflexos das crenças (deuses). Nesta fase é que se cria o conceito de “a outra metade”, pois os gregos acreditavam que o amor era na verdade um deus, que ao nascimento do sujeito, partia-o ao meio, fazendo assim que durante sua vida, a sua missão fosse procurar sua outra metade, assim como dizemos até hoje: metade da laranja, tampa da panela…


Com as evidências cristãs, o amor é marcado por uma fenda histórica, especificamente relatos de Jesus Cristo, em que o amor passa a ser visto como aspecto de escolha “Ama-te o próximo como a ti mesmo”, ou seja, mesmo presente tantas inferências aversivas a sua moral e ideias, o correto é amar a todos, sem exceção ou discriminação.

E atualmente temos as interpretações mais “livres”, um exemplo é Zygmunt Baumam, com suas ideias de amor líquido, em que pontua os motivos dos amores não serem mais estáveis e estarem cada vez mais inconstantes e descartáveis.

Gosto das pontuações de Baumam acerca da temática amor, pois para o autor os vínculos humanos estão cada vez mais se tornando líquido e frágil, e isso acontece devido às implicações sociais, econômicas e tecnológicas da atualidade, deixando o pensamento das pessoas com a ideia de que tudo é de fácil substituição, assim como a compra e venda de mercadorias. E isso é triste!

Essa ideia cativa muitos jovens, devido às justificativas dadas para as inconstâncias emocionais que grande parte possui, seja por implicações afetivas, seja por problematizações acerca das maneiras relacionais existentes…


As pessoas estão cada vez mais analfabetas em suas questões emocionais e afetivas!

São diversas análises e diversas interpretações, que se complementam e se agregam na conceituação do amor que temos hoje, porém nada irá reduzir em termos, a intensidade com que você irá amar ou não.

Hoje nos deparamos com diversas formas de representar o amor, seja por gestos, por palavras, por atitudes, por textos nas redes sociais ou, simplesmente, pela própria presença física e afetiva.

Vale lembrar que presença física e posse não são sinônimos de amor. Amor nada mais é que um sentimento puro de empatia, zelo, preocupação e carinho.


Quando se ama verdadeiramente, independentemente se a pessoa faz parte diretamente de sua vida ou não, você ainda exalará amor por ela.

O amor é um sentimento aprendido, diferentemente das emoções que são inatas, e portanto, o amor é singular na forma de sentir e expressar de cada sujeito, assim como Shakespeare proferiu: “Com o tempo você […] descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.”.

Portanto, não se limite a padrões sociais do que é o amor, você aprendeu a sentir e expressar de uma forma, e só porque algumas pessoas não compreendem seus sentimentos, você não deve forçar uma mudança para se adequar. Está tudo bem!

O amor é um sentimento historicamente e culturalmente estruturado, e aceitar que a intensidade com que você sente é, de forma inconsciente, mas contido de implicações das suas vivências, é necessário.


Lembre-se: o amor de cada pessoa é único, então ame sem preconceitos, ame sem padrões e ame intensamente. Cabe somente a você escolher a forma como demonstrá-lo ao mundo!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: teksomolika / 123RF Imagens


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