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Amor livre é pleonasmo

O que sempre vem à cabeça das pessoas quando se fala de amor livre é: libertinagem, falta de compromisso, amor líquido, relações rasas. Mas, acho interessante tiramos essa impressão do que esse modelo de relacionamento (que deveria estender a todos) é, na verdade.



Primeiramente, pleonasmo, no dicionário é: “pleonasmu” (do latim) e significa redundância que, por sua vez, é a repetição do significado de uma palavra, só que de outra forma de falar.  Ou seja, o amor em si é livre, ou pelo menos deveria ser. Vou explicar.

Nós vivemos numa sociedade que idealiza o amor romântico, aqueles dos contos de fadas, aqueles que mostram o amor idealizado, aquele que, muitas vezes, nos faz abrir mão da nossa liberdade, mas não aquela de ficar com outras pessoas, mas a liberdade do ser.

Somos pessoas carentes e que idealizam um amor, é uma mania cultural que nasceu junto com o modelo ideal de família que a sociedade sempre pregou (pai, mãe, filhos), juntamente com a filosofia de que a mulher foi feita exclusivamente para ter filhos e, por conta disso, nós nos afundamos em relacionamentos abusivos para suprir essa ânsia que temos de sempre ter alguém do nosso lado. E, tirar a nossa liberdade, é abrirmos mão do que gostamos e muitas vezes, do que somos, por causa de outras pessoas.


Uma coisa que observo no meu círculo de amigos, e que também acontece comigo, é que sempre “sumimos” quando encontramos uma pessoa, como se a nossa vida social e vontades não valessem mais a pena por causa de um relacionamento, é como se estivéssemos vivendo em standby até encontrarmos o “amor ideal”.

Esse é um dos passos da perda da nossa liberdade, nós nos autoprivamos do nosso círculo social. “Mas, o que tem de mais eu querer ficar só com a pessoa que encontrei?”

Não tem NADA demais, nada mesmo, mas eu só quero que você pense se sua vida era tão ruim ao ponto de deixar de vivê-la por causa de alguém.

Sou totalmente contra a frase: “encontrei a metade da minha laranja”, porque não somos metade, somos inteiros.


Uma pessoa tem de chegar na nossa vida para COMPLEMENTAR e não COMPLETAR. Imagine, que delícia estar completa e chegar alguém para nos fazer transbordar, em vez de alguém só para nos completar e continuarmos na mesma?

Eu vi um vídeo, uma vez, de uma entrevista com a cantona Eartha Kitt sobre relacionamentos e essa frase dela durante a entrevista é meu mantra diário e tem muito a ver com o que acabei de falar sobre ser completo:

Eu me apaixono por mim mesma, e eu quero alguém para compartilhar isso comigo. Eu quero alguém para me compartilhar comigo mesma. Eartha Kitt

Mas o que isso tem a ver com amor livre? Eu respondo: TUDO.

A sociedade colocou na nossa cabeça que amar livremente uma pessoa quer dizer que eu tenha de ficar com outras, que o relacionamento tem de ser aberto, e eu vou lhe contar um segredo: NÃO PRECISA.

Amar livremente uma pessoa é ter confiança, é não se anular, é poder ter a liberdade de ter uma vida social sem que precise ter a outra pessoa perto de você.

PESSOAS QUE TÊM RELACIONAMENTOS TAMBÉM DEVEM TER AMIGOS.

Amor livre é escolha, é ter a liberdade de falar “hoje eu não to afim” e tudo bem.

Amor livre é espaço, confiança. Amor livre é ter a liberdade de falar sobre sua intimidade, sem pudores.

Amor livre é ser você, em todas as suas formas. Amar livremente uma pessoa é poder deixá-la ir, voltar. Amor livre é individualidade. Amor livre é parceria. Amor livre não é posse. Amor livre é respeito.

Quantas pessoas hoje em dia podem falar que vivem o seu amor livremente? Eu não quero ter correntes e estar feliz com elas, acredito que ninguém queira se prender a algo ou alguém e achar que está feliz assim.

Podemos ter um relacionamento LIVRE monogâmico (entre duas pessoas), sabia? Porque este tipo de relacionamento, apesar de não ser aberto, ele pode ser livre.

Esse é o x da questão: um relacionamento livre, nem sempre precisa ser aberto.

As pessoas aceitam um tipo de relacionamento como correto e acham colocam tudo que tem a palavra liberdade como algo ruim, para você ver onde estamos chegando. Eu não consigo conceber isso dentro de um relacionamento, tirar a liberdade com o outro, e mais um segredo:

NÃO NECESSARIAMENTE PRECISA TER UMA TERCEIRA PESSOA NO MEIO.

Enfim, este meu texto não é imposição sobre nenhum tipo de modelo de relacionamento, eu só quero dar meu ponto de vista sobre o quanto estamos seguindo padrões sociais e lutando contra eles ao mesmo tempo, e colocar a sementinha do amor-próprio, da segurança, da autoestima, do ir e vir, do viver, do amar quem quiser, porque isso é amor livre.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: bernardbodo / 123RF Imagens

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