Comportamento

Anitta x Bolsonaro: Suas movimentações nas redes sociais conseguirão engajar os jovens nas eleições?

Reprodução: Youtube
Anitta Bolsonaro Batalha nas redes vai engajar adolescentes em eleicoes

A cantora e o presidente, além de outras tantas figuras públicas, estão se posicionando nas redes sociais para que os jovens estejam mais participativos nestas eleições, visto que a escolha desta parcela da população pode influenciar bastante o resultado.

Para o observador desatento, pode ser que a internet tenha sido tomada “do nada” por discussões sobre política e o futuro do Brasil, mas não é bem assim. Além do fato de estarmos em ano eleitoral – e principalmente por ser o ano onde escolhemos um novo presidente – as pautas políticas sempre esteve atravessando as discussões na web, para alguns círculos mais do que para outros.

Embora alguns ainda insistam em dizer que é possível viver sem se importar com política, a verdade é que ela perpassa toda nossa vida – desde o preço da comida na nossa mesa, se poderemos fazer uma boa faculdade até se teremos acesso à cultura. Viver é um ato político e se quisermos fazer isso da melhor forma, é preciso prestar atenção nos candidatos, suas propostas e cobrá-los por isso, coisa que não é possível de se fazer se temos uma população desengajada com o assunto, ainda mais se os jovens não quiseram participar a conversa.

A política muitas vezes é associada a pessoas mais velhas, o que é um erro, pois o jovem também é um cidadão – e, aliás, é ele que provém que a maior parte da força de trabalho ainda está ativa. Se você, jovem, não quer se engajar politicamente pelos preceitos dos candidatos, participe então tendo outra coisa em mente; se você não participar da escolha, ainda assim será a pessoa que terá de lidar por mais tempo com ela.

No Brasil, o clima para as eleições de 2022 está se formando muito antes do próprio horário eleitoral ser permitido de passar! Mas dessa vez, quem puxa a discussão são figuras públicas que não trabalham com política diretamente. Temos duas frentes, aquela que deseja que a gestão atual permaneça e a que quer ver uma nova liderança encabeçando o Brasil. Alguns chamariam essa decisão de “direita” e “esquerda”, mas independente da nomenclatura, dois nomes se destacam nessa corrida por eleitores: o atual presidente, Jair Bolsonaro, e a cantora Anitta.

2 Anitta x Bolsonaro Suas movimentacoes nas redes sociais conseguirao engajar os jovens nas eleicoes

Reprodução Instagram /@anitta

O objetivo principal dos dois é o mesmo: fazer com que mais jovens tirem seus títulos de eleitores e estejam aptos a votar nas eleições de 2022. Uma grande crítica do atual presidente, Anitta não esconde seu descontentamento com a gestão de Bolsonaro e já fez um apelo em suas redes sociais contra a reeleição de Jair Messias.

Bolsonaro, por sua vez, já criticou a campanha pela emissão do título de eleitor que vem sido feita por Anitta e outras pessoas públicas. Embora Jair também tenha se lançado junto aos seus aliados em busca de mais aprovação dos jovens, ele disse que a iniciativa dos artistas para que a juventude o tire do poder não terá eficácia pois, palavras do presidente, já existem muitos jovens que declaram voto para ele e Jair diz não observar o mesmo fato para o seu principal oponente em outubro, Lula.

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral e do IBGE, apenas 15% dos 6 milhões jovens com 16 e 17 anos que estarão aptos a votar em outubro de 2022 providenciaram o título. Para esse grupo, o voto é facultativo, mas pode fazer a diferença no resultado final. O próprio TSE lançou uma campanha para engajar mais jovens na emissão do título.

Segundo pesquisa Datafolha, 62% dos entrevistados dessa faixa etária dos 15 aos 24 anos disseram que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum no primeiro turno. A segunda maior rejeição desse público é contra Lula (30%), uma informação interessante, visto que a maioria das pesquisas aponta que embora mais candidatos apareçam na disputa, o embate final será entre os dois.

A verdade é que os jovens não estão nem um pouco contentes com a situação do Brasil atual, mas a falta de perspectiva de renovação na política os desestimula a serem mais engajados em suas pautas. Eles não se acanham para defender seus pontos de vista nas redes sociais, mas como vem pouca ou nenhuma mudança na realidade em que vivem, não levam seu interesse para além das telas.

Apesar de contar com maior vantagem ante Bolsonaro entre eleitores de 16 a 24 anos, segundo o Datafolha, Lula terá que atualizar a abordagem de pautas que interessam diretamente às novas gerações, como questões relacionadas a afirmações raciais, de gênero e sexualidade, de acordo com as informações do UOL.

É difícil saber quem conseguirá chamar mais novos eleitores, a popstar ou ex-militar, ou sequer se seus esforços trarão algum fruto, mas a verdade é que para ter mais jovens na política é preciso que ela se atualize nas pautas deles também.

O prazo para a solicitação do título para as eleições deste ano acaba em 4 de maio. Essa também é a data-limite para a regularização daqueles que tiveram os títulos suspensos ou cancelados.

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