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Ano novo. Como posso mudar o que não gosto em mim?

Existe um caminho para que você alavanque as mudanças mais desejadas em seu modo de ser.



Se você se encontra infeliz com suas relações em geral, se é daquele tipo que fica criando estórias e mais estórias mentais sobre como seriam as melhores possibilidades para se obter bons posicionamentos num suposto confronto, mas que, na hora do vamos ver, nada daquilo acontece. Se constantemente fica frustrado por suas expressões se manifestarem muito aquém do que desejava, saiba que pode transcender este robô cerebral de repetição que, no final das contas, atualmente mal e mal, está a seu serviço.
Trata-se de um método certeiro que pode colocar quilômetros à frente de como você está acostumado a se reconhecer.

Gostaria de convidá-lo para uma rápida e radical jornada de transformação e para dar início a este processo, você terá que se exercitar em algumas tarefas não usuais:


– Comece por perceber que as suas ideias e imagens mentais costumam funcionar dentro de você exatamente da forma como encara a ação do ato de dirigir um carro; ou seja, suas imagens mentais, seus pensamentos e emoções estão totalmente automatizados em seu cérebro cumprindo funções do mesmo modo que o ato de dirigir um carro.

– Ao começar a dirigir você sabe qual chave liga o carro e para cada caminho destinado, recursos cerebrais aprendidos serão acionados com a finalidade de lhe possibilitar êxito. No aspecto das reações emocionais, exatamente o mesmo ocorre. Você até pode ter noção do que o aciona, do que ativa, mas depois disso, tudo acontecerá do mesmo modo de quando dirige um carro, seu cérebro recorrerá automaticamente e sempre aos mesmos circuitos aprendidos e enviará padrões de respostas conhecidos para cada tema dinamizado; no caso de dirigir um carro, o tema é entre outras coisas o destino.

Um dia tivemos que ter a presença do eu para aprendermos a funcionar em determinadas situações, depois disso, como um computador, o cérebro automatizou o conhecimento aprendido e agora, em nome de auxiliá-lo, libera estes padrões de conhecimento nas situações onde associa que terá o mesmo tipo de demanda. Isso tudo para nos ajudar a otimizar nosso tempo e para que possamos a partir dos aprendizados anteriores, seguir em frente conhecendo novas coisas, aprendendo mais sobre tudo e criando. O problema aqui é que o cérebro sem a presença do eu, que pode perceber cada situação como sendo única, apenas funciona como uma máquina que um dia foi ativada para cumprir determinadas funções e permanece trabalhando com estas variáveis. Assim como ligamos mecanicamente o nosso piloto automático ao dirigirmos um carro, esquecemos que para reorganizar uma nova mecânica de resposta cerebral precisamos reativar a presença do eu em cada situação de vida vivenciada. Temos que reaprender a fazer isso e quem sabe automatizar antes de tudo a presença de um eu presentemente ativo.

A primeira dica é sair do esquema de aceleração cerebral que insiste em ter autonomia sobre este eu que é o que manda e quem tem de verdade o real poder. Imagine só que enquanto você esta à mercê do seu piloto automático, a sua autoestima vai embora junto com o seu eu real. Na medida em que você se lembra que tem alguém aí dentro que tem poder sobre si mesmo, tudo muda e não há a menor possibilidade de ser diferente.


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Na maioria das vezes, aparentemente não prestamos atenção enquanto estamos “dirigindo”… e num susto, de repente, quando ficamos mais atentos, conscientes e lúcidos, olhamos para a estrada e nos damos conta que alguém esteve ali durante todo o tempo, com conhecimentos sobre manobras entre outras diretrizes e que este alguém era nada além de você mesmo.

Enquanto você estiver ausente de si mesmo, suas ações relacionais entre outras situações em sua vida funcionarão de forma semelhante. Por mais que se saiba o quanto é possível planejar uma conversa importante e de modo inteligente, via de regra, é desconhecido o que e como todas estas ideias serão expressas na hora certeira. Por mais que se saiba que somos donos dos nossos atos e desejos interiores, na hora de expressar, não é bem assim que a coisa acontece. Na maioria das vezes, fica-se muito aquém do que se desejaria ter falado e, por outro lado, às vezes desconfortáveis, em meio à sensação foi falado demais.

– A ideia sugerida é a de ficar mais acordado e presente por dentro e por fora. Uma mudança que vai exigir transformação sutil de atitudes, no intuito de você compreender passo a passo como se tomar mais consciente do que está fazendo, inclusive, do que e de como pensa. Puxe o freio de mão e comece a ser o observador de si mesmo absolutamente presente.


À proporção em que for se ganhando nessa nova postura, tanto seus pensamentos acerca de algum tema, como as suas ações tenderão a ficar cada vez mais vívidas e poderosas, portanto, lúcidos. O resultado é desenvolvimento de maior autonomia de você para você mesmo.

Por conta desse novo engajamento de vida, e por estar mais presente percebendo os seus próprios pensamentos como um observador de si mesmo, tanto seu poder de ação, como os resultados deste tipo de experiência lhe abrirão portas para que você acesse suas inúmeras reservas ocultas de energia, sabedoria e experiências adquiridas ao longo da vida. Além de tudo isso, como bônus superior, você estará habilitado para fazer novas sínteses de si, podendo se renovar por completo e muito provavelmente que seus objetivos de vida poderão mudar de modo radical, pois você não será mais o mesmo.

Mais uma dica:
– Durante os exercícios de auto-observação, fatalmente você irá se confrontar com emoções negativas relacionadas a alguma situação; apenas pela sua observação e centramento fará uma ponte com uma situação positiva onde se sente bem. É somente a partir de uma boa sensação emocional resgatada que você poderá resolver mentalmente alguma questão que o perturba.


Este é um exercício que exige presença positiva para que você conquiste suas ações de modo deliberado e, como conseqüência, ser dono do seu estado emocional, assumindo o seu poder para escolher de verdade onde e como deseja ficar e não mais um resultado passivo de um circuito cerebral aprendido e automatizado.
O seu cérebro é inteligente, mas fica literalmente “burro” sem a sua presença, como um computador girando um programa nunca revisitado, com soluções não atualizadas e que acabam ficando arcaicas para todo o sistema.

Sempre é bom trocar softwares da nossa máquina mental quando percebermos ser necessário. Algumas vezes pode ter necessidade de chamar algum técnico para lhe auxiliar, no caso, terapeuta certificado, mas o serviço interno da autonomia do eu, quem sempre terá que fazer é você mesmo.

Todos nós temos a tendência de ficarmos anestesiados pelo dia a dia, mas se assim permanecermos, dificilmente sairemos vencedores de quadros que nos afetam de modo negativo. Com treino, você aprenderá a ter maestria sobre como sair de qualquer mal-estar para o estado de absoluta presença do eu. E na medida em que for desenvolvendo capacidade para examinar os seus inimigos internos que hoje lhe detonam, um véu começará a sair da sua frente e você saberá que está totalmente acordado, no comando da sua existência. Que lhe pertence.


Por Silvia Malamud

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