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Ansiedade: todos estão correndo para alcançar algo, mesmo que ainda não saibam exatamente o quê

Quem trabalha e estuda em grandes metrópoles sabe o quanto estamos propensos a uma das doenças mais vistas no mundo moderno: a ansiedade.


Se você não segue o fluxo e não se move de acordo com ele, você é esmagado por quem está atrás de você. Todos estão correndo para alcançar algo, mesmo que ainda não saibam exatamente o quê. A todo o tempo correndo contra o tempo, contraditório, não é?!

Grosserias no transporte público, pessoas gritando umas com as outras no trânsito, buzinas de carros, vendedores ambulantes, o rádio da senhorinha no alto-falante. Ufa! Eis aqui a sagrada e habitual poluição sonora que expressa um pouco da rotatividade nas cidades.

Até que chega um período de nossas vidas que tudo é feito no automático, nossas perspectivas se limitam e seguimos um padrão diário conhecido como ROTINA.

O quanto ela é cansativa para você? Quem é você em meio ao caos? Quando você para, o que procura enxergar?


As coisas mais belas e prazerosas da vida, estão nas coisas mais simples. Enquanto você estiver 100% entretido nos seus afazeres e no motorista que o fechou no trânsito, você só estará, dia após dia, sobrevivendo a mais uma data pesada que não lhe trará benefício algum. Sua felicidade estará no futuro, afinal, é para isso tanta correria. Não há espaço para o hoje, só haverá espaço quando tudo for cumprido.

Cumprir o quê? Para quê? E até quando? Como manter a calma em um mundo tão alvoroçado, sem perder de vista seus planos e suas responsabilidades diárias?

Você sai do trabalho subindo a ladeira a 200 por hora para não perder o ônibus até que ele passa na sua frente em câmera lenta enquanto o motorista te fita com aquela cara de “o próximo é só daqui 30 minutos”. Um pôr do sol já já começa e você vai presenciar aquele clarão de cima da ladeira que subiu com tanto esforço. Se estivesse reclamando, no pesar de um ônibus perdido, sua mente cegaria seus olhos ao encanto de um dos fenômenos mais frequentes e bonitos da natureza.


Além da nossa regrada rotina angustiante e cheia de contratempos, sempre haverá algo acenando para você; pedindo calma e compreensão. Quando começamos a prestar atenção em pequenas coisas que deslumbram a alma, o peso de um dia atarefado se esvai e sobra uma paz de titânio, daquelas que não quebra por nada, nem mesmo pelo motorista do ônibus que não esperou você subir a ladeira.

Lendo uns dos trechos do livro “Cartas a Theo” – que consolida cartas escritas por Vincent Van Gogh para seu irmão -, encontrei uma passagem em que Vincent dizia:

Ache belo tudo o que puder, a maioria das pessoas não acha belo o suficiente. Se continuarmos a amar sinceramente o que na verdade é digno de amor, e não desperdiçarmos nosso amor em coisas insignificantes, nulas e insípidas, obteremos pouco a pouco mais luz e nos tornaremos mais fortes.

Van Gogh era um artista incompreendido, assim como muitos outros. Suas obras só foram reconhecidas depois de sua morte. Ele era taxado de louco, se sentia fracassado em tudo o que fazia e, apesar das doenças, o que deixava suas obras ainda mais vivas era a sensibilidade e expressividade que continha nelas. E adivinha?! Ele pintava, em grande maioria, a natureza. Era ela quem domava o seu coração e o estimulava continuar.

Ainda não conheço melhor definição de arte do que esta: a arte é o homem acrescentado à natureza.

– Vincent Van Gogh

Deslumbre traz paz, paz traz compreensão e compressão traz vivificação!

Não estou falando sobre pegar uma chuva de verão junto de um resfriado no dia seguinte. Muito menos para procrastinar, deixar nossos afazeres e nos tornarmos irresponsáveis idealistas. Mas, sim, que prefiramos apreciar o trajeto, ao invés de nos depreciar com coisas que muitas vezes são irreversíveis e indomáveis. Aceitar nossos problemas e resolvê-los com responsabilidade. Ver beleza em coisas simples. Orgulhar-se de pequenos feitos. Agradecer por nossas conquistas.

Escolher ter uma vida mansa em meio às erupções das metrópoles é o mesmo que comprar um óculos para a miopia tóxica que a ansiedade causa em nossas vistas.

Seguindo um fluxo diferente daquele habitual, você chega ao tão esperado destino bem mais rápido, e o melhor: cheio de vida.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF Imagens.





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