Antes de mães, mulheres. Antes de mulheres, seres humanos

Ser mãe é investir sem esperar qualquer retorno. Você empresta seu corpo, sua energia e seus aprendizados para um novo alguém que simplesmente surgiu e você amorosamente se conectou.

Definitivamente não é o meu lugar de fala, mas me disponho a observar quem fez dali um lugar. Observar a maternidade não sendo mãe requer altas doses de empatia e respeito. É uma linha tênue por que qualquer posicionamento pode esbarrar em julgamento.



Então, tomando meu lugar de observadora – para quem sabe me tornar um dia aprendiz – observo daqui mulheres incríveis trazendo para vida um novo e importante papel: o de mãe.

Entre as exigências nos deparamos com dedicação e alto risco, aprendizado imediato e muito instintivo. O romantismo que vemos foi pintado, na verdade, maternidade não é nada daquilo que escrevem nas legendas ou fotos bonitas nas redes sociais.

A maternidade é o bicho, o lado mais selvagem, o senso de responsabilidade e não é preciso gerar uma vida para saber que existem incontáveis maneiras de trabalhar tal instinto dentro de cada mulher. Talvez, gerar uma vida seja algo que nos aproxime ainda mais da nossa fé e do mistério da vida, afinal, o senso de responsabilidade começa com a descoberta de um grão de feijão fazendo morada dentro da barriga.


Mas deixando a parte biológica um pouco de lado, a maternidade – observada daqui – vai muito além do grão de feijão que cresce a cada dia, é conexão. Almas que se encontram, olhares que se cruzam e trazem para o ponto de encontro a curiosidade transformadora do desconhecido se tornar amor e lar.

Voltamos às incontáveis maneiras de se tornar mãe que são – e vão – além dos nove meses de barriga.

Estamos falando de doação, entrega, tempo, energia, escolhas, dores, vontades, amores e transformações que acontecem de maneira simultânea e nada romântica – descobre-se que não dá para amar o tempo.

Dentro de toda e qualquer relação existem as frustrações, os aprendizados, o crescimento e principalmente, a coragem do desapego. Ser mãe é investir sem esperar qualquer retorno. Você empresta seu corpo, sua energia e seus aprendizados para um novo alguém que simplesmente surgiu e você amorosamente se conectou.


Você precisará ensinar para esse novo alguém que o mundo ali fora é o quintal de casa, e muito provavelmente verá esse novo alguém sair pela porta para explorar o quintal. Você estará ali, de braços abertos, olhar aguçado e coração aflito, afinal amar alguém é deixar livre.

Observando daqui, percebo que a maternidade é para mulheres o que elas precisam olhar para o mundo. Vi mulheres não tão próximas e amigas íntimas se transformarem através da maternidade. Seja pelo senso de responsabilidade ao adotar um cachorro, seja pelo grão de feijão que fez morada dentro da barriga, seja pelo namorado que já foi casado e tem um filho(a), seja pelo irmão mais novo que chegou de repente na família, seja pelo afilhado(a), seja pela(o) filha(o) da amiga que viu em você um colo de mãe diferente do que ela já tem. Não importam os motivos, mas o instinto maternal aflora quando tem que aflorar.

Por vezes, a maternidade chega sem planejamento, cuidado, amparo. Em outras, não chega. Ainda existem aquelas devidamente planejadas. Em todas o ensinamento é um só: amem, transbordem, entreguem-se.

Não precisa romantizar o que não é tão romântico assim. Não precisa criar tanta expectativa. Não precisa ser tão cruel. Não precisa de tantos julgamentos e, principalmente, não precisa de comparação.

Mulheres não são iguais. Mulheres não têm os mesmos desejos. Mulheres não têm a mesma missão. Mulheres não precisam julgar outras mulheres pela maternidade que escolheram ter. Mulheres precisam urgentemente apoiar outras mulheres. E apoiar, muitas vezes, é reconhecer na outra a maternidade.

Mulheres são incríveis por que transformam conexões aleatórias em amor. Somos maternas e alertas. Somos apoio. Antes de mães, mulheres. Antes de mulheres, seres humanos.


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