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Ao longo da vida, encontramos pessoas especiais e sentimos que as conhecemos há muito tempo…

Nós nos reencontramos com algumas pessoas para completar o que ficou pendente…

Ao longo da vida, encontramos pessoas especiais e sentimos que as conhecemos há muito tempo. Sem motivo e sem nenhuma explicação, simplesmente, sentimos amor e uma alegria imensa de estar junto. São encontros de almas antigas, que já viveram juntas em vidas anteriores e que, nesta vida, têm a oportunidade de um reencontro.



Conheci a Antara na Grécia, em um grupo de meditação. Ao longo do mês, no tempo livre, caminhamos pela ilha, conversamos longamente, dançamos e nos atrevemos a nadar em noite de lua cheia.

Nossa afinidade era visível. Éramos irmãs de alma e, certamente, nos conhecíamos de outros tempos.

No ano seguinte, nós nos veríamos novamente na Suécia, no próximo curso, e ela sugeriu que antes disso eu fosse visitá-la. E eu fui. Fiz uma parada em Praga, na República Tcheca, e de lá desembarquei em Riga, capital da Letônia. Ela estava à minha espera no aeroporto. Uma alegria só.

Chegamos no apartamento, bonito e bem localizado, no centro da cidade. Instalei-me, colocamos a conversa em dia e aos poucos comecei a sentir que por trás das cores das lindas telas que ela pintava havia tristeza e que os cômodos da casa emanavam um vazio. Isso me tocou.

Sugeri fazermos, durante a minha estadia, a meditação “Dinâmica” do Osho (www.osho.com) e no dia seguinte lá estávamos nós bem cedinho em um bunker (abrigo subterrâneo usado na época da guerra para se protegerem das bombas). Ali funcionava agora uma escola de yoga e meditação e o espaço fora gentilmente cedido para a nossa prática.


Voltei para casa com a alma lavada, olhei a rua pela janela da sala e o prédio antigo, logo em frente, cinza e triste como tantos outros, mexeu comigo.

Daquele dia em diante, passei a observá-lo atentamente. Eu tinha uma ligação com aquele lugar e com aquela tristeza, que estava lá fora e também ali dentro.

Trocamos sessões de memórias do corpo e acessei uma vida passada. Exatamente ali. Eu era homem e o prédio cinza era o local onde eu trabalhava. A minha amiga era a minha esposa e me esperava feliz com a comida pronta todos os dias. Mas, naquele dia, eu não voltei. Fomos todos levados para um campo de concentração. Ela nunca aceitou a minha morte e arrastou a vida em depressão.


Entendi que essa era a tristeza que eu sentia ali. Depois de tantas vidas, ela ainda estava me esperando voltar. E eu voltei, desta vez no corpo de uma mulher, como amiga.

Ela tentava vender o apartamento há alguns anos, sem sucesso. Ele era limpo e bem organizado, mas ainda assim eu tive vontade de faxinar. Pedi permissão e comecei. Eu tinha uma missão.

Quanto mais limpava, mais livre eu me sentia. O vazio e a tristeza impregnados nas paredes foram sumindo.

Em poucos dias, ela recebeu uma ligação: era um casal interessado no apartamento. Marcaram uma visita. Tive vontade de antecipar a minha ida para a Suécia. Sentia que a missão estava cumprida. Era hora de partir.

Fui me despedindo amorosamente dela e de Riga, passeando pelo parque, andando na floresta, nadando no mar, contemplando o pôr do sol e cozinhando pratos deliciosos com cogumelos frescos.

No último final de semana participamos de um grupo de Biodança com mulheres lindas, dançando e curando feridas, que nem elas mesmas sabiam ter.

Ali, nos olhamos e o tempo parou. Choramos e, sem nenhuma palavra, dançando lentamente, com aquele grupo lindo, nos despedimos, colocando um ponto final naquela vida, onde não pudemos dizer adeus. Encerramos o que estava pendente há muitas vidas.

Depois de alguns meses, ela vendeu o apartamento e mudou-se para a floresta, perto do mar, como sonhava. Eu me casei e vim morar na Áustria. Nunca mais nos vimos, mas, vez ou outra trocamos mensagens. É sempre uma alegria.

Há alguns dias, escrevi contando que estou grávida e que escrevi sobre a nossa história. Celebramos felizes.

Ela virou professora de Biodança e tenho certeza que tem ajudado lindamente muitas mulheres na Letônia. Ela estará eternamente no meu coração e tenho certeza de que eu no dela.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: IKO / 123RF Imagens

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