Comportamento

Aos 69 anos, Vera Fischer esbanja autoestima em ensaio exclusivo: ‘Me acho um mulherão’

Como uma deusa, ela se mantém.



Vera Fischer tem espelhos em casa, e muitos, e conta que segue apreciando o que vê. Há 51 anos, foi coroada Miss Brasil, mas para a musa bonito mesmo é o que existe além do reflexo, que é sua imagem diante da vida. “Minha carreira de atriz é reconhecida e brilhante”, orgulha-se.

À vontade em ensaio para Fernando Torquatto, no ano em que completa 70 de idade, Vera segue estonteante e com a autoestima lá em cima! No ar em Riacho Doce, no Globoplay, e em Laços de Família, na Globo, a atriz diz que não pede netos aos filhos, Rafaela Fischer e Gabriel Camargo, e que o segredo de seu vigor é a paixão pela vida e pelo ofício de atuar:

“Vou morrer com 150 anos e trabalhando!”


Em 2021, você completa 70 anos. Se vê como uma mulher de 70?
“Pela vida vivida intensamente, sim, pela idade nunca.”

Mudaria algo em sua vida?
“Eu não mudaria nada que fiz no passado. Não me arrependo de absolutamente nada. Eu não seria quem sou hoje se não tivesse feito exatamente o que fiz. Mas há mudanças que são necessárias, né? Algumas coisas tem que começar a mudar na vida, no trabalho, adaptações, evoluções. Mas na personalidade, não! O caráter não pode mudar.”


O que mais gosta e menos gosta da maturidade?
“Na maturidade eu gosto de tudo, menos, evidentemente, a cara de velhinha que a gente vai ter (risos), mas se a gente for bem-humorada e estiver trabalhando, fazendo o que gosta e com saúde, então está tudo certo.”

Quais foram os momentos mais marcantes de sua vida?
“Ter conseguido sair da casa dos meus pais aos 17 anos, e nunca mais receber um tostão de quem quer que fosse. Nem do meu pai, nem de marido, de absolutamente ninguém. Viver só do meu trabalho. Essa foi uma das coisas marcantes na minha vida. As outras duas foram, num intervalo de 15 anos, ter minha filha, Rafaela Fischer (41 anos); e meu filho, Gabriel Camargo (28 anos).”


O que Vera ainda tem da Miss eleita há 50 anos?
“Postura. Eu tenho a mesma postura física e íntegra interior de sempre. Antes e agora. E, obviamente, a sede de vencer sempre.”

Envelhecer para você é natural? Como lida com o passar dos anos?
“Envelhecer não pode ser um problema. Eu lido com o tempo trabalhando. Buscando coisas novas pra fazer. E tem muita coisa ainda, né? Não dá para parar e ficar pensando no tempo passando.”


Beleza te ajudou ou atrapalhou?
“As duas coisas! (risos). Mas acho que a beleza ajuda mais do que atrapalha.”

Direitos autorais: reprodução Instagram/@eufernandotorquatto.

Você está sempre muito bonita, ao natural e recebe elogios. Qual sua relação com o espelho? Se acha um mulherão? Gosta do que vê?


“Eu tenho uma relação ótima com espelho e tenho muitos em casa. Eu me acho um mulherão, sim, e parece que não sou somente eu que acho, né? (risos).”

Qual foi o conselho mais valioso que já recebeu?
“São poucas vezes (muito poucas) mas, às vezes, quero desistir. E aí quando alguém fala: ‘Não desista!’, isso é um conselho valioso. Geralmente os conselhos não valem de grande coisa, mas esse vale muito.”

Você é uma mulher de tantos sucessos e carreira brilhante… O que te desafia?


“Quem diz que não fica com frio na barriga antes de entrar em cena, seja no cinema, na televisão, onde quer que esteja atuando… É brincadeira! Eu suo frio, fico muito nervosa quando entro no palco, por exemplo. Em todas as situações! Mas assim que entra você já está quente, é impressionante! Então, aqueles que dizem que fazem com o pé nas costas, me desculpem, mas para mim não são atores.”

Direitos autorais: Fernando Torquatto

Sente vontade de ser avó? Fica pedindo netos para os filhos?
“Olha, eu não fico pedindo. Eu acho que se eles tiverem vontade de ter filhos, será ótimo! Porque eu sei lidar com criança muito bem. Nossa, mas seria uma temeridade, porque eu ia cria-los, né? Eles iam querer ficar comigo o tempo todo. Eu conto umas histórias maluquérrimas! (risos). Mas eu não peço não, acho que isso depende muito mais deles. Não tenho essa ânsia louca de ser avó.”


Aposentadoria nunca ou uma possibilidade?
“Não, jamais, dans la vie (em francês significa ’em vida’), nunquinha… Vou morrer com 150 e trabalhando.”

Você é muito ativa nas redes sociais, quando isso começou?
“Era um mundo diferente para mim, as pessoas estavam há muitos anos lidando com as redes sociais e eu fora. Eu não tinha celular, mas já existiam as minhas redes há algum tempo. Eu sempre fiz os textos e escolhi as fotos, e mandava para as meninas postarem. Eu só lia os comentários pelo computador e não respondia. Na verdade, isso tudo começou quando eu viajei para Nova Iorque e meu filho falou: ‘Mãe, a gente precisa falar contigo! Como é que a gente te acha?’. Então, eu comprei um celular e comecei aos poucos a interagir. Agora eu respondo tudo, sei fazer tudo.”


Na quarentena, você virou a musa cinéfila. Como isso começou? Era uma vontade antiga?
“Eu sou cinéfila há muito tempo, né? Adoro cinema, sempre gostei. Quando fecharam as videolocadoras eu comecei a comprar meus filmes, meus DVDs. Aí aumentei a coleção com musicais, com peças de teatro. Mas o que tinha mais mesmo era o cinema. Rever os filmes e escrever sobre eles é muito bom, botar a minha emoção ali, a minha visão daquele filme e no momento que eu estou vendo.”

Está cada dia mais bonita e jovial, recebe cantadas na Internet? Como são?
“Recebo muitos elogios, muito amor mesmo. Recebo até pedidos de casamento! Tenho muitos fã clubes e com pessoas bem jovens, adolescentes inclusive. Não recebo nada deselegante ou agressivo, mas tenho uma equipe de gestão de redes que cuida todo o tempo. Mas acho que quase tudo que vem pelas redes é carinho mesmo.”

Está em duas grandes produções, Laços de Família e Riacho Doce. Está acompanhando?
“Eu quase nunca vejo as novelas. Mas acho que fiz muito bem a Helena, de Laços de Família. Tinha muito texto, era muito trabalho, mas acho que eu fiz bem meu papel, né? Vinte anos depois ainda estou falando sobre isso. Acho que as pessoas gostaram. É muito bom que Laços de Família esteja fazendo sucesso de novo. Quem não viu em 2000/2001, pode ver agora.”

“As pessoas sempre elogiam, se identificam com a história, manifestam carinho, um amor enorme por mim e eu fico muito feliz.”

Direitos autorais: Gshow

Como enxerga a Vera da época de Riacho Doce para a de agora? O que mudou de mais importante em você?
“Naquela época, eu tinha recém-trocado um casamento por outro. Estava com 37 ou 38 anos. Logo no início do meu novo relacionamento. Eu tinha que ficar longe, ia para Noronha, ficava 15 dias e voltava, gravava 15 dias na Cinédia e depois voltava para mais 15 em Noronha. Isso bagunçou muito a minha vida pessoal. A personagem era a minha cara, uma estrangeira que chega e se encanta por um pescador, pela magia. Era o encanto do amor, fiquei apaixonada e assim me entreguei completamente a esse trabalho.”

“Nem usávamos maquiagem porque o sol era a nossa maquiagem! Isso me deu uma força imensa. Eu tinha acabado de fazer o seriado Desejo, onde interpretei a Ana de Assis. Fiz aquela mulher intensa, que brigava, que fez aquilo tudo e no mês seguinte eu troquei o cabelo por um loiro (quase fiquei careca), e fui fazer Eduarda, de Riacho Doce. Isso na minha vida é muito importante e acho que foi importante também para os meios de comunicação e para o público ainda hoje.”

Que balanço faz de sua carreira? Sente-se realizada?
“Realizada totalmente, ainda não. Mas eu fiz trabalhos incríveis! Me ofereceram trabalhos incríveis, eu aceitei e fiz muito bem no cinema, teatro e televisão. Mas ainda tem muita coisa boa para fazer, imagina. Recentemente, fiz uma Websérie e nem sabia que existia esse mercado. Quando a pessoa diz que já se sente realizada parece que ela botou uma pedra em cima. E não é isso! Eu amo quase tudo que fiz e acho que fui muito bem. A minha carreira de atriz é reconhecida e brilhante. Gosto do resultado, estou amando os projetos que estão rolando e os que estão sendo pensados. Tem muita coisa acontecendo e vou fazer tudo.”

 

Tios de menino resgatado de barril dizem que querem a guarda do garoto: “Ele tem família”

Artigo Anterior

‘Meu filhinho deve ter sofrido muito’, diz pai do menino Henry

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.