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Após Datafolha, Lula diz que Bolsonaro “não dormiu”, mas “não é fraco”

Foto: Reprodução
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou seu principal opositor na corrida eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL), após pesquisa Datafolha divulgada ontem (26). Em encontro com movimentos sociais em São Paulo, brincou que o adversário “não deve ter dormido”.

A pesquisa mostrou uma diferença de 21 pontos percentuais entre os dois, a maior desde que o ex-presidente assumiu a dianteira. Em sua fala, disse ainda que “a voz do povo é a voz de Deus” e vai tirá-lo da Presidência.

“Vocês viram a pesquisa ontem. Olha, eu imagino que o Bolsonaro não dormiu ontem. Eu imagino que ele pensou: ‘Que desgraça esse Lula tem?. A gente faz fake news todo dia contra ele'”, provocou o ex-presidente.

Com 48%, Lula possui mais intenções de voto do que os demais pré-candidatos somados (40%) e, por isso, vence em primeiro turno. Levando em conta apenas os votos válidos (exclui-se votos nulos, brancos e não sabem), o petista chega a 54%, enquanto Bolsonaro alcança 30%.

Com todos os votos considerados —inclusive brancos, nulos e não sabem—, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 27% e Ciro Gomes aparece com 7%.

Segundo o UOL apurou, a pesquisa foi muito comemorada ontem pela campanha petista, mas há uma cautela para evitar o tom de “já ganhou”. Este também foi o tom do discurso aos movimentos.

“A gente está começando uma caminhada, que não é fácil. A gente não está enfrentando um adversário fraco. A gente está enfrentando alguém que é perigoso, porque o comportamento não é democrático. Ele vive de ofender as instituições. Ele vive falando que só Deus vai tirar ele de lá [da Presidência]. Eu quero que ele saiba que o povo é a voz de Deus e vai tirar ele de lá”, disse Lula.

Além de Lula, estavam presentes Alckmin, pré-candidato a vice, a socióloga Janja da Silva, esposa de Lula, e representantes dos partidos da aliança, incluindo a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do partido, e Juliano Medeiros, presidente do PSOL.

Com público de maioria jovem, as falas dos movimentos foram intercaladas por músicas tocadas por uma banda de forró em cima do palco. Lula e Alckmin chegaram a dançar ao som de “Anunciação”, de Alceu Valença.

O evento começou por volta das 17h30 com falas de lideranças. Ao todo, 87 movimentos assinaram um documento de apoio à candidatura do petista.

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Direitos Autorais: Reprodução/Redes Sociais

Seu discurso seguiu o tom que tem adotado na campanha, falando em economia, com foco especial na vida do trabalhador, e fazendo paralelo entre o Brasil atualmente e na época do seu governo (2003-2010).

Ele lamentou o preço do botijão de gás e criticou possíveis planos de privatização da Petrobras. Ele tem falado com frequência na política de dolarização do combustível, um dos vilões da inflação no país hoje.

“Pobre sofre para morrer, pobre sofre para viver, parece que tudo é difícil para o povo pobre”, declarou Lula.

Ele também mandou um recado de apoio ao economista Gustavo Petro, candidato à Presidência da Colômbia, com referência a um Mercosul forte. As eleições serão realizadas neste final de semana.

Alckmin aplaudido por movimentos sociais

Com discurso voltado a emprego e crescimento, Alckmin fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Aqui se faz o programa, não fazendo motociata nem subindo em iate, mas junto do povo”, disse.

“Chega de sofrimento, de exclusão, de ódio, de violência. Um negacionismo, negaram vacina para crianças! Não é que ele não confia na urna eletrônica, ele não confia no voto dos brasileiros, porque sabe que não merece outro mandato”, disse Geraldo Alckmin.

O ex-governador também ganhou um recado da líder indígena Sônia Guajajara a Alckmin, para que não se torne Michel Temer (MDB), que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) enquanto ainda era seu vice.

“Geraldo Alckmin, espero que seja o companheiro fiel de Lula. Nós não vamos admitir um novo golpe nesse país”, disse, sem citar Temer nominalmente.

Ex-tucano e governador por quase quatro mandatos, a fala de Alckmin era aguardada pelas tensões que tinha com movimentos quando estava à frente do Palácio dos Bandeirantes —algo lembrado por Lula em seu discurso—, mas sua fala foi amplamente aplaudida.

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Caso Genivaldo

Durante o evento, também houve um pedido de justiça por Genivaldo de Jesus Santos, morto pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Sergipe na última quarta-feira (25).

Puxado por uma liderança do movimento negro, foi feito um minuto de silêncio por Genivaldo, enquanto Lula, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), seu vice na chapa presidencial, e outras lideranças seguravam cartazes pedindo justiça.

Genivaldo foi torturado e morto por agentes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) no porta-malas de uma viatura em Umbaúba (SE). Ele foi parado numa blitz por estar sem capacete numa moto e colocado com gás lacrimogêneo no carro. Ele se debateu, enquanto a cena foi gravada por várias testemunhas, inclusive familiares.

A morte de Genivaldo está sendo investigada em inquérito aberto pela PF (Polícia Federal) e acompanhado pelo MPF (Ministério Público Federal) em Sergipe. Os cinco policiais que participaram da ação foram afastados das ruas e vão responder processo disciplinar.

Ele era aposentado, casado e deixa um filho de sete anos. Era uma pessoa conhecida e querida na cidade.

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