Comportamento

Após filha trans sofrer preconceito, mãe volta para a faculdade e se torna advogada para defendê-la

Menina chegou a ser impedida de se matricular em turma da escola, não conseguiu participar de esportes e até precisou enfrentar repórteres no primeiro dia de aula.



Na Carolina do Norte, Estados Unidos, Katie Jenifer percebeu que precisaria fazer alguma coisa para proteger a filha Maddie, que é transgênero.

A transição da menina começou aos 6 anos, e a comunidade passou a demonstrar muito preconceito desde então.

No primeiro dia de aula, na primeira série, um grupo de repórteres locais apareceram na porta da escola para perguntar aos pais o que achavam sobre a nova criança trans na escola.


Os “incidentes”, como Katie se refere em entrevista ao Washington Post, não pararam por aí. Maddie foi impedida de se inscrever numa turma de meninas na escola; o departamento de parques e recreação a retirou do time feminino de softball porque desafiava a “política de gênero”, dentre outras coisas.

Tudo isso serviu para mostrar à família que precisaria de um advogado o tempo todo, assim poderia passar por essas situações da melhor e mais justa maneira. Mas Katie percebeu que a filha precisaria de um advogado durante toda a sua vida e, aos 45 anos, decidiu se tornar uma.

Para ela, não existia ninguém melhor no mundo para lutar pelos direitos de Maddie do que ela mesma, e tudo começou em 2016, quando um debate acalorado sobre a “lei do banheiro” começou na Carolina do Norte.

Ela exigia que as pessoas usassem o banheiro público de acordo com o gênero que estivesse registrado em suas certidões de nascimento, o que era uma afronta à população trans.


Assim que falou da sua intenção de voltar para a faculdade, seu marido Craig Davis, de 51 anos, e as duas filhas a apoiaram imediatamente. Mas o processo não foi fácil, ela precisou conciliar seu emprego em período integral em uma ONG, cuidar das filhas pequenas, enquanto estudava para entrar na faculdade de direito.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Em 2017, Jenifer foi aceita na Escola de Direito da Universidade Central da Carolina do Norte, e Maddie se lembra do exato momento em que a mãe recebeu o e-mail confirmando sua aprovação. Mesmo com apenas 10 anos, à época, a menina conta que entendia todo o esforço da mãe para ajudar a proteger os jovens LGTQI+ de sua comunidade, também se recorda de vê-la chorar de alegria.

Desde os 2 anos de idade, Maddie conta que já sabia que era diferente das demais crianças. Era apaixonada pelos sapatos de salto alto da professora da escola dominical, usava as fantasias de princesa da irmã e só queria fazer amizade com as meninas. Quando completou 4 anos e aprendeu a verbalizar um pouco dos seus sentimentos, explicou aos pais que não queria mais sair de casa vestida de menino.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Desde então, Katie percebeu que a filha estava entrando em uma depressão profunda, já que sentia que Deus havia errado ao colocá-la em um corpo errado. A mãe foi se assustando com tudo que estava presenciando e buscou um terapeuta que a ajudasse a compreender todos aqueles sentimentos.

Depois de dois anos frequentando a terapia, Maddie começou sua transição e, mesmo que fosse estressante imaginar o que pensariam da filha, sua mudança foi tão profunda que sua personalidade e seu comportamento mudaram completamente.

Conforme foram passando os meses, Maddie sofreu inúmeros episódios transfóbicos, sendo impedida de realizar muitas atividades sociais, assim Katie optou por se tornar advogada. Os professores acreditam que a atitude da mãe foi “louvável” e reconhecem o tamanho dos seus esforços.


Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Jenifer conseguiu se formar em 2020 e trabalha em ONGs LGBTQI+, enquanto busca emprego em tempo integral em locais onde possa defender os direitos das pessoas trans. Sempre tentando comparecer em audiências públicas e protestar contra projetos de lei que interfiram na liberdade da comunidade LGBTQI+, a mãe acredita que essa é a sua maior motivação: proteger quem mais precisa.


Se você presenciar um episódio de violência contra crianças ou adolescentes, denuncie o quanto antes através do número 100, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.


O mesmo número também atende a denúncias sobre pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, população LGBT e população em situação de rua, além de denúncias de discriminação étnica ou racial e violência contra ciganos, quilombolas, indígenas e outras comunidades tradicionais.

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