Aprecie o caminho e guie sua vida

Sejam quais forem as condições, guiar é apreciar o caminho. Contemplar os artistas de rua no semáforo e os pedestres na faixa. Ter a certeza de que você pode ter as rédeas da sua vida.

Dirigir é guiar! Uma vez ouvi isso de um senhor, o qual falava entusiasmado de como gostava de guiar pelas estradas. Achei fantástico e passei a dirigir como se estivesse a guiar. Hoje, procuro viver, como se estivesse a guiar meu automóvel.

Guiar por caminhos de muitas linhas, horizontes, formas, cores, texturas, sons. Guiar por brisas de vento frescas e densas, por entre nuvens desenhadas e outras abstratas, ao som de Johnny Cash, Bob Marley ou uma FM local qualquer.

Guiar por entre campos verdes ou devastados, de arrozais, pastagens, girassóis ou pequenos brotos de vida. Em meio aos raios de sol a surgir no mar ou a sumir nas montanhas do oeste. No sucumbir das tempestades, na névoa que cega ou na garoa fina, com cheiro de poeira molhada. Ou mesmo, em um congestionamento de 28 quilômetros.

Sejam quais forem as condições, guiar é apreciar o caminho. Contemplar os artistas de rua no semáforo e os pedestres na faixa. Ter a certeza de que você pode ter as rédeas da sua vida. Pode ser feliz nos ambientes mais inóspitos. Ver o melhor em cada suspiro de vida, sem se importar no que as pessoas vão pensar. Sem se importar se o machismo existe e muitos olhares e palavras digam a você, que o volante não foi feito para mulheres.

Guiar a vida é não desistir de lutar sempre e viver sempre, da melhor maneira possível neste mundo.

Pois, é preciso ver a paisagem correr e encontrar muitos andantes, de quantas histórias quiser ouvir e de quantas paradas desejar fazer. De quantos buracos encontrarmos, pneus furados aparecerem ou acidentes baterem em nossa porta. “Precisamos dar um sentido humano às nossas construções.

E quando o amor ao dinheiro, ao sucesso, nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.” Como escreveu Érico Veríssimo sobre o Sermão da Montanha, no livro, de nome bem sugestivo, “Olhai os lírios do campo”.

Guiar é olhar pelo retrovisor e avistar a estrada sendo deixada. Sentir aquela dor no peito da saudade que virá e das perguntas que apertam em sua mente: Vou voltar? Nunca mais os verei? Fui feliz? O que terá sido reservado para mim, daqui para frente? Quantas incertezas e quantas inseguranças!

Contudo, guiar é olhar pelo retrovisor e avistar tua vida, tão serena, a sorrir e a dizer: “Ei, tudo bem! Tudo está bem! Foram experiências, as mais diversas, das mais variadas emoções e você viveu todas elas. Parabéns!”

E, por fim, então, guiar, guiar e guiar, pelas estradas do sem fim. Buscar e encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris em todo trecho guiado.



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: neirfy / 123RF Imagens



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