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Aprender a arte de perder (inspirado dos escritos do frei neylor tonin)

Como é difícil perder. Não só é difícil como também não admitimos a derrota. Todo mundo sabe que não é bom perder, e muito menos só perder, mas não se pode pretender ganhar sempre. Um eterno derrotado corre, quase que inevitavelmente, o risco de um azedume sem tamanho, enquanto que a volúpia de vitória a qualquer custo pode ser expressão de uma postura pouco sadia e normal. Buscar sempre a vitória, aliás, é marca registrada de temperamentos duros e intolerantes, próprios de tiranos, que não conseguem viver sem aplausos e sem cortejo. Por isso é imperioso vencer paradas e adversários. Essas vitórias, no entanto, não lhes proporcionam nem paz nem alegria, pois vivem derrotados diante de si mesmos.



Mais do que derrotas ou vitórias, sempre relativas, sobre coisas e causas passageiras, é o aprumo espiritual e a dignidade pessoal que devem ostentar vencedores e derrotados. A grande e única derrota a ser evitada é a de nível interior, a derrota do caráter. Podemos ser derrotados, mas não podemos fazer-nos uma derrota, o que teria consequências trágicas em nossas vidas. Por isso a importância de não perder a linha e o passo, de não se deixar acender, mas de agir com grandeza em quaisquer circunstancias, nunca contra os outros, porém sempre em favor de causas nobres e de grandes ideais; só isto é que nos ensinaria a arte de perdermos sem nos autoderrotar.

Um exemplo disso é a pessoa de Jesus Cristo, que foi destruída, viu se frustrarem seus sonhos, seus ideias e as sementes do Reino que pregava, mas não perdeu sua fé no poder de Deus. Morreu reconciliado com seus algozes e com Deus, embora vencido.

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Tanto quanto vitoriosos em coisas e causas, somos todos, em menor ou maior escala, grandes perdedores. Perder não é nenhum desdouro. É condição de vida, é pão nosso de cada dia. Para não vivermos como perdedores temos que aprender a arte de perder sem nos lamentar perdidamente e lutarmos para fazer de nossa vida um exercício de crescimento e maturação.

“O navio no estaleiro está seguro. Mas os navios não foram feitos para isso” (William Shed).

A necessidade de segurança em nossas vidas é fundamental e motivadoras para nossa luta. Viver é risco. Vencer, ser vitorioso, correr o risco de perder e ser derrotado. Não há segurança absoluta. Assim como os navios, também nós não somos feitos para vivermos seguros em um estaleiros. Precisamos explorar a vastidão da vida, ganhando e perdendo, ousar viver. Senão tudo fica sufocante. Quem quer viver sabe quão perigosa é a vida, não só pelos perigos que vêm de fora, mas os perigos que carregamos nos abismos de nossas almas, a escuridão e o desamparo, a solidão e as aflições e as derrotas.

Devemos em nossa vida abraçar nossas derrotas, abraçando-se. Não deixemos de sorrir suavemente, quando a arte de viver nos pede a sabedoria de saber perder. “Aprendi com a primavera a me deixar cortar para voltar sempre inteira” (Cecília Meirelles).


Por Padre Jeferson Luis Leme

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