Aprendi a me virar sozinha. O tempo passa, as estações mudam e aquele trem, por vezes, já passou



Aprendi a entender que, por vezes, é preciso desistir, com humanidade e respeito, por tudo que almejo de bom para mim.

Hoje acordei pensando sobre meu objetivo de felicidade. Se é para ficar atrás do passado ou sobreviver ao presente, dando-me a chance de novas oportunidades e sentimentos.

Qual meu objetivo aqui? Afinal, tudo pelo qual passei e ainda passarei.

Mas onde me coloco entre esses dois mundos que por vezes se encosta em  meu peito, dizendo-me tantas coisas.

Aprendi a diferenciar o que flutua, do que vai de verdade. Aprendi a entender, nas entrelinhas daquele sofrimento insistente, que não preciso mais estar ali dentro, que por vezes é preciso desistir, com humanidade e respeito, por tudo que almejo de bom para mim.

Hoje eu acordei ouvindo a voz do meu filho me dizendo que não vou encontrar alegria me sujeitando a coisas que não dão leveza na alma e não trazem satisfação.

O tempo passa, as estações mudam e, aquele trem, por vezes, já passou.

Por que tanto muro, se posso atravessar pontes? Para insistir em enfiar uma agulha na alma só para sentir a dor que lateja?

Se consegui resistir a tantos embates, por que não me dar o direito ao passe livre dentro da liberdade que não assusta? Essas correntes que teimam em serem arrastadas precisam ficar no calabouço, longe do que meus pés querem sentir.

O que é o amor, o que é o perdão o que é o livramento? É aquilo que dentro do espírito deve ser trabalhado, humanizado e sentido como verdade, conquistado do lado de dentro.



De nada adianta insistir nos vultos que só maltratam. É melhor ir atrás do sol, do que aquece do que realmente aquieta a vida por mais complicado que seja.

Onde me deixei, onde me busquei onde quis me reaproximar. Sem vaidade de posse, sem achar que alguém é a salvação da minha vida.

A salvação está em mim, está no que realmente quero de bom. Ninguém poderá saldar os meus débitos, ninguém poderá reconstruir meus espaços internos.

Essa luta é minha, essa cura depende dos curativos que fiz.

Às vezes, sinto-me perto de Deus e tão longe de mim! Afio minha fé, mas não contemplo o que realmente é preciso pela falta de coragem e vergonha na cara.

Não sou mais uma criança. Aprendi a me virar sozinha.

Quero me livrar desses fantasmas, desses monstros internos. Quero ser mais justa com a vida, para que ela também seja justa comigo.

Há quem me mereça, há quem me receba de braços abertos. Há de ser certo que nada me faltará.


Direitos autorais da imagem de capa: Dorothy Puscas / Unsplash.






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