Comportamento

Aquele cara certo que ela procura

Finalmente ela desapegou – sério? – apagou as mensagens dele e qualquer vestígio que a fizesse lembrar. Cretino. Como ele pôde?



Se livrou de todas as fotos de comidas, viagens, família que ele lhe mandava aleatoriamente – pra ela e pra mais algumas 3 – depois de certos colapsos de invisibilidade – escafeder, sumir, desaparecer – dele.

Como se não bastasse, se descabelou, mais uma vez, depois de olhar a galeria de fotos enviadas, e ver a quantidade de fotos que  – inutilmente – havia mandado a ele, e o pior,depois de ler aquelas semi-declarações quase apaixonadas que ela mandava,e ele retribuía (desalmado sem coração dos infernos).

Ontem mesmo ele havia a deixado no vácuo  – o que acontecia no mínimo uma vez na semana –  e hoje, nenhum oi, bom dia, tu estas bem? Hoje nada, nem um te odeio, já vai tarde, estou com saudade e após um: Ops número errado! Nem isso.


Ela, mais uma vez  – até quando? – pensou que havia achado o cara certo.

De boa aparência, um papo legal, bem encaminhado profissionalmente, engraçado, com uma risada boa  – ela já contou que adora risadas boas? – e solteiro. Não ligava toda a hora e ainda sumia por grande parte dos dias  – ganhou quase todos os pontos aqui -, não respondia instantaneamente as mensagens dela e lhe deixava insegura.

Perfeito. Onde ele estava até agora, heim?

Pergunta errada, resposta ruim. Estava lá, com a ficante/namorada/amiguinha/rolo/infeliz do caramba.


Adivinha, o que ela acha disso? Ela não acha nada, afinal quando ela acha já tem dono, né?

Ele já tinha alguém – que não ela -, e ela, nenhuma vocação para ser a outra.

Hoje ele já não era mais a solução, era mais um problema, dos grandes – alguém sabe onde se encontra passagem barata para China, só de ida? – e quase sem solução.

Alguém poderia avisar pra ela que esse cara certo não existe? Que talvez ela tenha mandado ele embora em alguns desses ataques sinceros dela?


Alguém pode explicar que se ele é o certo pra ela, não quer dizer que seja recíproco????

Pô, coitada da moça, mais uma vez ela errou na investida. Então Deus, me diga, porque ela tem dedos, se todos são podres?

Onde compra um dedo bom? Ou um cupido sóbrio?

Poxa, o coração da coitada já estava pisoteado, de tantas investidas fracassadas, e ele nem era tapete, era?


Novamente – 34ª isso? – ela estava ali, desiludida e com o coração partido. O que não é nenhuma novidade.

Agora ela vai chorar, vai mesmo. Vai se descabelar e comer todo aquele sorvete da geladeira. Agora ela vai afogar as mágoas em bebidas cada vez mais fortes e depois sair pelas noites procurando ele em todos os caras com barbas mal feitas, ela vai.

Vai ficar alguns dias por casa, depois de ficar com alguns psicopatas que a perseguirão querendo dar amor, e o pior, querendo receber amor dela – logo ela – que estava até ontem com o coração partido. Ela vai secar as lágrimas e vai pensar que o mundo está sendo injusto com ela – de novo – quando se trata “missão encontrar o cara certo”.

Aí ela vai brigar, com ele, com ela, com o mundo, com a mãe, com a televisão, com o espelho. E depois vai passar. 


Logo mais ela vai encontrar alguém, que talvez seja o último – estamos na 35ª vez isso? – entre tantos outros dos quais ela pensou que fossem, e que nunca eram.

Logo ela encontra por aí, em meio a aquela agulha no palheiro, cercada por crocodilos famintos na África, em uma noite chuvosa, aquele cara certo que ela tanto procura. 

 

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Escrito por Alessandra Menegaz – Via CATWALK

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