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A armadilha da perfeição…

 “Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito”.  – Fernando pessoa



Já perdi a conta de quantas vezes fui enganado por mim mesmo, diversos momentos onde fiquei esperando pela perfeição, pela situação perfeita, no local perfeito, com as condições perfeitas, envolvendo as pessoas perfeitas, para então dizer: “Sou uma pessoa feliz”. Com o passar do tempo, descobri que não eram as situações, as pessoas ou o local que definiam se eu estava feliz ou não.

Aquela busca da condição ideal para realizarmos alguma coisa, seja pessoalmente, profissionalmente ou mesmo para nos envolvermos com alguém, torna-se uma eterna espera, digo eterna porque é isso mesmo, ela nunca termina e, desculpa contar-lhe, não irá terminar! Você só está perdendo seu tempo procurando por algo que não existe: uma vida sem problemas.

O pior é que quanto mais nos prendemos nessas condições ideais para realizarmos algo, menos realizamos, porque nós nos contentamos em ficar esperando, e nesse esperar, o tempo vai passando, porque o tempo não nos espera, o mundo não espera que nos tornemos pessoas perfeitas para ele continuar girando, por que, então, deveríamos esperar o mundo se tornar um lugar perfeito para sermos felizes?


Por isso eu proponho que todos nós, deixemos de lado toda essa bobagem de esperar pela vida perfeita para sermos felizes, e realizemos a felicidade como um exercício diário, porque essa história de que a vida não pode ser feliz, que ela é feita de apenas alguns momentos felizes dentro de uma existência problemática, é uma desculpa de um infeliz para justificar seus momentos de deslize na felicidade.

Eu, sinceramente, prefiro acreditar que vivo uma vida feliz, e que dentro da minha vida feliz existem sim momentos de dificuldade e de tristeza, mas momentos são passageiros, acontecem, às vezes, e vão embora. Enquanto a felicidade é algo constante e presente, e juro para você que encarar as coisas assim, tornou-se muito mais fácil e muito mais simples, depois que deixei de acreditar na necessidade de uma vida perfeita, e descobri que a felicidade está presente também na imperfeição e na irregularidade da vida como ela é.

Já diria Fernando Pessoa: “Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos se a tivéssemos. O perfeito é o desumano porque o humano é imperfeito”. Aposto que você já viu isso algumas vezes, a pessoa que aguardou o momento perfeito para alguma coisa, e quando essa hora chegou, simplesmente, não era mais o que ele queria, ou não era mais o que o faria feliz.

Então, por fim, convido-o a ser feliz pelo simples fato de ser feliz, não porque sua vida é perfeita ou não, entenda que a vida é um mero reflexo do seu mundo interno, o que acontece aí dentro, reflete do lado de fora.


Se as coisas não estão bem dentro de nós mesmos, jamais ficarão bem externamente, e com isso, deixo-os com Carlos Drummond de Andrade quando ele disse: “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade”.

Como estamos confundindo o amor-próprio com o narcisismo:

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