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Arriverderci, amore mio!

arrivederci amore

Sempre sonhamos em ir para a Itália juntos. Desde que começamos a namorar, foi um objetivo em comum. Andar de mãos dadas pelas galerias e ruas antigas, beber um delicioso vinho e, quem sabe, nos casarmos em uma capelinha na Toscana. Sonhar não custa nada e quando sonhamos a dois tudo parece mais real.



Faltavam duas semanas para nossa viagem. Roteiro definido, passeios comprados, malas quase prontas. Quando ele me ligou naquela tarde de quinta-feira, senti que havia algo errado: sua voz estava estranha, seu pensamento parecia distante. Minha dúvida foi solucionada rapidamente: ele não iria mais à Itália. Disse que precisava pensar em algumas coisas e seria melhor que eu fosse sozinha.

Ele não queria que o clima de romance “influenciasse em uma decisão tão importante para ele”.

Fiquei sem chão. Ele não quis me encontrar, falou que iria tentar pegar o dinheiro da parte dele da viagem e trocar por euros, para que eu aproveitasse a viagem.


Nem respondi.

Para piorar, minhas férias começariam na segunda-feira e a viagem era só no sábado. Uma semana pensando se iria ou não nesta maldita viagem. Conversei com minha mãe, minhas amigas e decidi ir. Não tinha planos para os próximos 15 dias de férias, tinha uma passagem para Roma e alguns euros em um envelope com meu nome. Fui.

No avião, não consegui dormir, só pensava na poltrona vazia ao meu lado e em como seria ainda pior estar nos hotéis, sozinha em uma cama grande. Depois de longas horas e pensamentos intermináveis, cheguei ao hotel, fiz o check-in e desci até o bar. Ficar naquele quarto não seria uma boa ideia. Não sóbria.

Ao pegar a carteira, o barman viu que eu carregava uma bandeira do Brasil em meu chaveiro e me perguntou em bom português: “De qual cidade você é? ”


Sedenta por um bom vinho e um bom papo, comecei a conversar com o rapaz, português, que trabalhava em Roma há 6 anos. Contei a ele como fui parar em Roma sozinha e como esperava passar os próximos 8 dias lá. Ele achou graça, foi simpático e se ofereceu, em seu dia de folga, a me levar até o lugar que ele mais gostava na Itália.

Enquanto não chegava o dia, me animei a passear sozinha durante o dia, conhecer museus, igrejas, galerias, fazer compras na Via Condotti (com aqueles euros do envelope) e conhecer restaurantes. Tirei e compartilhei muitas fotos nas redes sociais, minhas amigas me encorajando, minha mãe curtindo à distância minha felicidade. Por um segundo, me senti mal por estar tão feliz pouco tempo depois de ter terminado um relacionamento. Mas assim que vi o Coliseu, passou.

Voltei para o hotel esgotada, e assim que entrei no quarto, vi um bilhete que dizia: “saímos amanhã às 6h45. O trem sai às 7h20. Esteja linda como sempre”.

E agora? Como dormir? Deitei e me esparramei na cama grande, ansiosa pelo despertar do relógio.


Às 6h40 estava em frente ao hotel, esperando meu amigo que chegou exatamente às 6h44, com uma calça surrada, jaqueta de couro marrom e óculos escuros que realçavam seus cabelos pretos com alguns fiozinhos brancos…

Bom, voltando ao assunto, pegamos o trem com destino à “Stazione Santa María Novella”, chique, não é?      Chegando lá, pude entender porque aquele era o lugar que ele mais gostava na Itália. Lugar tranquilo, paisagem linda, companhia agradável e um vinho maravilhoso. Conheci pessoas incríveis, almocei em um restaurante as margens do Rio Arno e me despedi daquele lugar junto com o sol. Voltamos no trem das 18h40, conversando até que eu pegasse no sono (infelizmente).

Nos despedimos na porta do meu quarto (infelizmente) e antes de dormir, pensei em tudo que tinha vivido nos últimos dias. Da separação dolorosa, do medo de uma viagem para um lugar que deveria ser marcante para duas pessoas, da solidão do avião, da redescoberta da paixão pela vida e, principalmente, pelo renascimento da minha autoestima.

Antes de partir, agradeci o André, meu amigo português, por tudo o que conversamos, pelos passeios e por ele me fazer sentir especial como há muito não me sentia. Ele me abraçou, me deu um beijo na testa (infelizmente) e tiramos uma foto, que postei no Facebook.


No caminho do aeroporto, uma mensagem no Inbox. “Quem é esse cara da foto que você postou? ”. Sorri, vi a foto novamente e entrei no avião. Dormi como uma princesa.

Ao chegar, para minha surpresa, além da minha mãe, o meu ex-companheiro de viagem me esperava com flores. Educada, peguei as flores, abracei minha mãe e seguimos rumo ao taxi. Inconformado, ele vem atrás de mim e me pergunta: “Você não vai me dizer nada? ”.

“Grazie per tutti! Arrivederci, amore mio”.

Mais do que 6 palavras em italiano, trouxe na bagagem vinhos deliciosos, autoestima e a certeza que apostar em nossa felicidade é o melhor investimento que podemos fazer. Quanta coisa eu teria perdido se não tivesse ido.


As próximas férias já estão marcadas com um novo destino: Lisboa.

 

5555A Life Coach Miria Kutcher é autora dos programas de coaching “Pronta para o Amor” e “A Roda do Sucesso”. Seu trabalho pode ser visto no sitewww.miriakutcher.com.br


Eterna estudiosa da alma e dos desejos humanos, Miria Kutcher aprendeu programação neurolinguística, EFT (sigla em inglês para Técnicas de Libertação Emocional), Coach e Espiritualidade com mestres de renome nos EUA – como Alina Frank, Bobbi Gemma e John Gray (autor de Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus, Editado no Brasil pela Editora Rocco). Estudou PNL pensando em ouvir melhor às clientes do seu SPA e poder ajudá-las em seu cotidiano. Brasileira radicada nos EUA, atualmente faz sessões de Coaching individuais e em grupo, presenciais e online.

 

 


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