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A arte da escuta requer boa vontade e paciência!

Basta observar: como é difícil parar de falar, pois vivemos num mundo de faladores compulsivos.

É necessário destacar que vivemos numa era que a primazia da fala e da escuta está sendo substituída pelo campo da imagem, que tem uma velocidade alucinante e uma linguagem rasa, com um discurso em que a fala é desprovida de sentido e a escuta evasiva.


Somos uma sociedade competitiva, enviesada para individualismo, onde a vida está tomada pelo excesso de atividades e dependência tecnológica.  Além disso, algumas pessoas são premiadas por uma grande necessidade de falar, como se o mundo fosse acabar amanhã.

Basta observar: como é difícil parar de falar, pois vivemos num mundo de faladores compulsivos.

Estamos sob uma pressão neurótica, que insiste em nos transformar em tagarelas, pois para nossa sociedade líquida, escutar é mostrar fragilidade.

Isso acontece com o chefe que evita escutar o funcionário, ocorre com o marido que não quer escutar a esposa, com o pai que não se esforça para escutar o filho, com o professor que se nega escutar o aluno, com o psicoterapeuta que fica enfadonho na escuta com o paciente e assim por diante.


Saber escutar não é uma tarefa fácil, que exige o domínio de si e envolve disposição para captar a mensagem do outro, ou seja, de fazer um esforço para escutar sem interferências internas ou externas. A arte da escuta é uma habilidade que requer boa vontade e paciência.

A capacidade de comunicação: falar, ler e escrever é intrínseca a convivência humana, mas aprender escutar é um processo que demanda sensibilidade. Como definiu o filósofo alemão Johann Wolfgang Von Goethe:

“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte”. Na qual se nota as seguintes características:

1. Escutar é uma das aptidões mais extraordinárias do ser humano, porque não se ganha sabedoria sem a escuta verdadeira.


2. Escutar é desnudar-se de preconceitos, a fim de se colocar no lugar no outro. É também ser capaz de escutar o que outro se dispõe a dizer.

3. Escutar é deixar de ser o centro de si e preencher-se pelo universo do outro. É neste intercâmbio, que aprendemos a ser pessoas melhores.

4. Escutar é ser generoso com a sociabilidade do outro, criando um clima de respeito e confiança.

5. Escutar é um exercício mentalmente saudável, justamente, em uma sociedade em que ninguém se preocupa com o problema do outro.

É da natureza do homo sapiens querer falar das suas dores e conquistas, sem ser julgado. Buda, Jesus e Sócrates nos ensinaram os caminhos da escuta correta, sem expor a fragilidade do outro.

É evidente, que não se pode sair por aí falando dos problemas para qualquer indivíduo que se diz bom ouvinte. Por isso, temos psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, padres, pastores, entre outros, que são qualificados – para fazer a escuta dos segredos e das dificuldades das pessoas.

Porém, existem amigos, colegas e familiares, inclusive desconhecidos, que têm esse dom da escuta, como um anjo que Deus enviou para dar plena atenção no momento que mais carecemos de apoio.

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