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A arte de dormir grudado – uma reflexão sobre relacionamentos e camas de solteiro

Não acredito em nenhum casal que nunca dividiu uma cama de solteiro. Simplesmente não acredito.



Pode ser uma dupla dinâmica mais astuta que Batman e Robin. Podem ter as mesmas tiradas que Tango e Cash – eu sei que eles não são um casal, mas adoro o filme. Podem ter uma frequência e química sexual tão grandes que seriam ouro nos Jogos Olímpicos se transar fosse um esporte (às vezes é, mas ainda não foi reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional). Não importa: casal que nunca dividiu cama de solteiro não é casal.

A cama de solteiro é uma entidade. Um desafio às leis da física. Isaac Newton, dizem – não sei quem, mas dizem -, morreu virgem. Vem daí o erro do estudioso em sua segunda lei: dois corpos podem, sim, ocupar o mesmo lugar. Podem e devem, pelo menos uma vez na vida. Basta a tal da caminha e dois corpos bem dispostos para dividi-la – e fazer dela, quem sabe, o lugar mais aconchegante da face da Terra. Indo ainda mais longe, podemos esbarrar em Darwin e presumir que esse móvel se enquadra na tal teoria de que os mais fortes sobrevivem. Afinal, depois de noites divididas em um espaço tão pequeno, de pernas se enroscando a torto e a direito, de respirações entrecortadas e de guerras intermináveis pela posse do cobertor, uma vida cheia de problemas e desafios é moleza. É, dividir cama de solteiro é aula de gerenciamento de crise.

E também é condicionamento físico. Quem precisa de pilates ou yoga quando dormir em dois onde apenas um deveria repousar nos dá habilidades que nunca imaginaríamos ter? Faça o teste e perceba que seu braço pode se esticar – e se encolher – muito mais do que você pensa. Que sua cabeça pode quase dar um giro de 360º. Que suas pernas podem abraçar, e que seus braços podem chutar. Mas, muito além de refutar teorias científicas, ajudar a deixar o corpo mais elástico ou ser uma ótima prova de relacionamento para casais, a cama de solteiro tem um propósito ainda mais glorioso, ainda mais nobre: é a maior facilitadora de sexo matinal. Isso, claro, se você é uma boa pessoa que nunca dispensa uma ereção matinal.


Um dia a época da cama apertada vai embora, ou ela nem mesmo aparece. Ainda assim, nunca deixe sua relação virar uma king-size, daquelas que podem comportar uma família inteira. Dormir junto é dormir grudado, como se o outro pudesse desaparecer a qualquer instante. É apertar um corpo contra o outro com a vontade de torná-los um só. É saber que o formigamento no braço (já que você dormiu em cima de um deles para abraçar a outra pessoa) vai passar em alguns instantes, e que a noite valeu a pena. Sempre vale.

Mas, ó, se teu braço continuar formigando nas próximas horas é melhor correr pro hospital. Vai que, né.

Por: Lucas Baranyi – Via: Casal Sem Vergonha


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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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