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A arte de se (re)apaixonar todos os dias – você pratica?

Os filmes, novelas e livros com enfoque romântico costumam dar um especial enfoque na vida de casal quando ela ainda não se formou, ou seja, naquela fase embrionária da conquista e da paixão onde não existe nada muito sólido. Quando o assunto gira em torno da vida de casal com mais tempo de existência normalmente a categoria da trama é o drama.



Isso parece ter certa lógica dentro do que entendemos por relacionamento amoroso, afinal, o esforço todo é colocado na fase em que nada é ainda muito seguro e a dupla precisa se convencer que vale a pena passar mais tempo junto.

Na maior parte das vezes o que vejo no consultório de terapia são pessoas sequeladas em suas histórias onde foram surpreendidas por facetas pouco amistosas dos parceiros amorosos. Ao longo do relacionamento notaram certa preguiça ou pouco empenho em tornar o convívio mais agradável.

Mas será que é possível se apaixonar pela mesma pessoa todos os dias?


Sim e não. Não, se pensarmos no tipo de paixão muito comum que é aquela um pouco delirante e que idealiza a outra pessoa como se ela fosse um ícone de grandes qualidades. Nessa fase um pouco infantil da paixão os aspectos notórios são sempre exteriores à própria pessoa como a beleza, o status, a ação corajosa e as conquistas aparentes. Não poderia ser diferente, afinal não existe um parâmetro inicial para balizar uma escolha sem começar por algum lugar. O problema é que essa parece ser a única referência da paixão onde as pessoas se fixam em códigos sociais e estéticos para entregar sua vida à outra.

Mas se a paixão também considerar os valores, os traços de personalidade e as pequenas delicadezas anônimas do cotidiano, então é possível essa paixão diária. Certamente ela é mais terna ou suave e por esse motivo não seja muito popular num mundo onde as pessoas valorizam manifestações eufóricas e exageradas de afeto.

De qualquer modo esse reencantamento diário não é para os distraídos-egocêntricos que estão muito aprisionados em suas imaginações perfeitas de como a vida deveria ser, mas sim para os que conseguem degustar a vida com apreciação serena. Para alguém que mal mastiga a comida, olha nos olhos quando fala com alguém ou respira direito esse tipo de sentimento parece uma lenda ou invenção de gente louca. Quando a vida é acelerada não há espaço para essas sutilezas do cotidiano.

Mas repare com calma na pessoa amada e veja como ela levanta com meiguice ou coragem numa segunda-feira gelada e me diga se não é muito sedutor. Tente perceber como ela recua diante de uma palavra que seria solta impensadamente só para deixar você falar uma coisa empolgante. Observe como ela facilitou sua vida com uma carona fora de rota depois de um dia difícil só para que não precisasse se sobrecarregar. Sinta como é confortável estar ao lado dela mesmo quando nada é dito e o assunto acabou.


É no silêncio da relação que a paixão acontece diariamente, onde nem maquiagem ou carro do ano convencem. É exatamente naquele ponto onde ambos se esforçam para agir como seres humanos melhores que a combustão acontece, afinal ser apaixonado quando todo mundo está olhando ou quando dá ibope nas redes sociais é fácil.

A verdadeira arte de se reapaixonar mora nos detalhes dos anos que envelhecem as vontades imediatistas, mas fortalecem a natureza do caráter. Esse brilho nos olhos com pés-de-galinha realmente tem sido para poucos.

 

Por: Frederico Mattos – Via: Casal Sem Vergonha


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