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As lições extraídas do melhor conto infantil de 2018!

Você precisa ler este texto! Suas lições são preciosas!

Começo o artigo de hoje com um texto infantil, o peito cheio de emoção e a alma energizada. Este conto tomou forma pelas mãos pequeninas e robustas de um menino de 11 anos, esperto e bem-humorado, de inteligência à frente do seu tempo.



O conto de vida (contrário de conto de fadas) começa mais ou menos assim:

“Há alguns séculos atrás, no Reino do Sul, havia um príncipe, filho de um rei muito poderoso e popular. O príncipe Felipe, pessoa muito humilde e de bom coração, nascera cego e por isto vivia em clausura, tudo porque, naquele lugar, um decreto estipulara que pessoas com qualquer tipo de deficiência não poderiam governar o reino, tampouco tornar-se rei.

Suas majestades, pais de Felipe, o mantiveram em isolamento total, sem contato com seus súditos. Diante de sua deficiência, Felipe desenvolvera habilidades impressionantes de reconhecer o caráter das pessoas através do som de suas vozes.

De ouvidos aguçados, sensibilidade aflorada e um senso de justiça infalível, este príncipe mudaria a história daquelas pessoas para sempre.


Em meio a um inverno rigoroso, chegara ao Reino do Sul, outro príncipe, do reino vizinho, chamado Afonso. Felipe, ao encontrá-lo e ouvir o som de sua voz, notou de imediato que algo errado havia com aquele sujeito. Os sininhos dos ouvidos treinados do jovem rei, dispararam avisando-o que algo de muito ruim rondava seu império.

O príncipe Afonso, astuto e ardiloso, tinha interesse naquelas terras do Sul, planejava um ataque contra aquela realeza, para que assim pudesse usurpar poderes e assumir como soberano.

Felipe, com a pulga atrás da orelha, manteve-se atento a cada movimentação e conversa do inimigo disfarçado, chegava a arrepiar-se – do dedo do pé até a espinha dorsal – a cada frase escutada. Após uma semana espiando sussurros e confabulações elaboradas, já havia descoberto os planos obscuros do outro príncipe.


Felipe contara tudo ao Rei Adalberto, seu pai, que reunindo o exército sulense, precaveu-se e prendeu o inimigo, acusando-o de alta traição, dando-lhe aulas diárias de cidadania, boas maneiras e reintegrando-o aos poucos, para que ao retornar ao convívio social, este fosse uma pessoa melhor.

Felipe, orgulhoso por salvar seu Reino amado e até então proibido para ele, apresentou-se à todos finalmente, contando sobre os planos de usurpação e explicando como seus sentidos aguçados puderam mudar a história e livrar aqueles pobres camponeses das mãos pesadas e da mente ambiciosa de Afonso.

O povo, emocionado ao ver um aspirante a rei, desprovido do sentido da visão, diante daquele trono, regido e ocupado sempre por pessoas “perfeitas”, animara-se com os tempos de mudança e respeito que sopravam como brisa.

O príncipe sulista, privado de seu direito à liberdade por sua condição, teve diante de si, milhares e milhares de súditos curvados em sua reverência; e com lágrimas de felicidade, ergueu as mãos em sinal de vitória. Infelizmente não via a imensidade de mãos unidas em palmas frenéticas. Não obstante, sentira aquele som, como ninguém, com todo seu coração, como só ele poderia.

Caíra nas graças dos simplórios camponeses, era agora livre e respeitado com todas as suas qualidades e todas as suas imperfeições.

O rei, aos prantos, pedira desculpas diante de todo o Reino, ao seu amado filho, por todos aqueles anos de cativeiro e ali, naquela praça repleta de pessoas, rasgou em pequenos pedaços o famigerado decreto, declarando que, a partir daquele dia, toda pessoa, com ou sem deficiência, poderia ser rei ou rainha.

Com a despedida do sol e a chegada da aurora daquele dia histórico, veio luz em cada cabeça de cada pessoa que ali vivia – as deficiências, como tudo na vida, trazem a outra face da moeda para quem aprende a lidar com elas. Por não poder enxergar a luz, príncipe Felipe desenvolveu outras aptidões e habilitou de maneira incrível os seus outros tantos sentidos. Jamais se auto diminuiu, provou seu valor utilizando o sentido que os “normais” também tinham, mas não usavam de maneira inteligente.

Ouvia como ninguém, falava pouco, sentia muito, tudo! Seus olhos não viam a luz do dia, a face das pessoas ou o pôr do sol, mas com seu par de ouvidos, enxergou o que vários pares de olhos sadios não puderam ver”.

Emociona-me ler e reler esta verdadeira obra literária – adaptada por mim, um pouco floreada para adaptar-se à linguagem coloquial – mas todo o sentido em si, nasceu de uma cabecinha de apenas 11 anos de idade.

Bonito, não é? Cabem milhares de reflexões e interpretações.

Diante do cenário atual, veio-me à memória, a situação dos sírios. Vivemos uma guerra civil,  tempos de extermínio em massa, que devoram vidas de milhares de crianças semana após semana, meninas e meninos, como o autor deste conto supracitado, com tantos sonhos pela frente.

O texto me fez refletir sobre o respeito pelas diferenças, o amor ao próximo, fraternidade, tolerância pelo semelhante.

Por que as guerras acontecem no bojo da era moderna em que vivemos? Por que radicais insistem em digladiarem-se todos os dias, envolvendo tantos e tantos inocentes em suas arenas?  Dizimando famílias, ruas, histórias, vidas e vilas inteiras?

Por que nós continuamos a viver sem nos importar com o que cerca nosso entorno? Sem fazer nada para mudar?

Sem ouvir os abutres atrás das portas, como fez príncipe Felipe, para evitar uma tragédia que afetaria a vida de tantos; jogando a culpa nos políticos, nas leis, nos ricos, nos muçulmanos,  em tudo e todos, menos em nós mesmos?

Será que fazemos algo para mudar o mundo? Qual nossa parcela de contribuição para a cura da humanidade? Que feixe de luz você leva para a vida das pessoas? Pensemos nisto!

É a era de crise. De trevas. Chafurdamos no breu espesso e gelado da intolerância. De gênero, religiosa, cultural, racial, de educação e econômica. Brigamos para atestar que nossa verdade é a verdade universal; não se enganem, não é!

A nossa verdade nada mais é do que a nossa própria visão diante dos acontecimentos que nos enlaçam.

Ouvi em algum lugar uma frase que dizia: “Aquilo que você percebe não é a realidade, mas tão somente a SUA percepção da realidade. Nós não vemos as coisas como elas são, vemos como nós somos”.

Vivemos uma revolução em termos de modernidade e tecnologia, adoecemos no consumismo desenfreado que supre vazios, atolamo-nos na ansiedade de uma vida bitolada de pequenezas; enquanto o mundo lá fora padece e afoga nossos irmãos, disseminando o ódio e o horror nos quatro cantos do globo.

Em pensar que acreditamos que o nazismo havia realmente sido enterrado. Retrocesso, desunião, violência desenfreada; desrespeito e perversidade.

Seria o fim dos tempos ou ainda podemos remendar os estilhaços da mãe terra e “recosturar” o manto do mundo?

Acredito sempre em dias melhores e por isso escolho a segunda opção, sugiro que vocês escolham emergir também.

O segredo que falta na receita da vida de muitos é a amorosidade, tida como o sentido de agradecer e felicitar-se pelas alegrias do outro. Sentir-se bem, feliz e realizado ao ver o sucesso bater à porta de seu semelhante.

Precisamos nos despir do sentimento de inveja, de soberba, de ganância maldosa; precisamos entender as diferenças, aceitando-as, unindo-nos enquanto criaturas que partilham o mesmo lar.

O oposto do amor é o poder; quando você se apodera do outro, ele não pode ser quem ele realmente é.

Quando nos apossamos do outro, o reprimimos, viramos ditadores. Guerras são claras demonstrações do desamor. É o retrato vivo do clamor desesperado pelo poder.

É afastar-se abruptamente do seu semelhante que não concorda com suas ideias e não acha convenientes suas convicções.

Assim, quanto mais posse menos amor, quanto mais amor menos posse. Importa dizer – quanto mais poder, menos amor e mais guerras; quanto menos poder, mais amor, fim de guerras. Paz social!

O amor acontece na instância em que se enxerga o outro como legítimo outro. Ao respeitar as diferenças e particularidades de cada um, exercemos a valiosa lição de amar inteiramente.

É na união que a paz se encaixa.  É no amor que as guerras se perdem. É na diferença que pulsa a beleza da vida.

Eu sou eu. Você é você. Nós somos dois. E assim viveremos felizes, como aquele povo do Reino do Sul. Mais respeito, por favor.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: marchibas / 123RF Imagens

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