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As melhores coisas nos vêm quando estamos distraídos…

Chuveiro é lugar de inspiração e de iluminação. Hoje vi correr pelo ralo toda a minha estupidez alimentada por uma teimosia em fazer as coisas do mesmo jeito. 

Obstinação em boa dose, empregada em condições favoráveis, leva-nos a um lugar além.



Mas não era bem isso que acontecia comigo. Encontrava-me totalmente desgastada pelo fato de bater na mesma porta que não abria, nem a marretada.

As melhores coisas nos vêm quando estamos distraídos. Ao sair do box, o corpo e a mente, aquecidos pela quentura da água, dialogavam-se entre si, com um sentimento de conforto misturado com renovação. O mundo fora do banheiro poderia ficar me esperando, pois aquele momento de contemplação era o mais rico e não poderia ser desperdiçado nos seus mínimos detalhes.

O óbvio está diante de nós. 

Pois bem: estamos em uma era onde os superlativos são valorizados acima de tudo. Automaticamente, entramos numa loucura desenfreada de ser o melhor, de fazer o máximo. O padrão é estar num nível de excelência tal onde prosperidade, beleza, competência e felicidade devem estar no último grau. Qualquer score que esteja minimamente abaixo deste patamar é sinônimo de preguiça, procrastinação, e na pior das hipóteses, denota uma vida de derrotas.


Nem sempre seremos os mais magros, os mais inteligentes, os mais bem-sucedidos, e não há mal nenhum nisso. Sabemos muito bem que a vida é composta por uma orquestra de pequenos e grandes, famosos e anônimos, presentes e ausentes, agindo cada qual a seu tempo e no seu devido espaço.

Esse equilíbrio traz a beleza da existência, levando-nos a uma magia que embeleza os nossos dias. 

Pimenta é ardida, portanto deve ter a sua presença reduzida para que a refeição fique degustável.

Temos que procurar cultivar uma consciência do que somos e do que viemos fazer neste planeta. De estarmos consonantes com os nossos desejos e aspirações, pois desta forma, colaboraremos decisivamente na melhora de um mundo tão empobrecido por uma mentalidade tão superficial e  surreal que vigora atualmente, de digladiarmos uns aos outros com comparações insanas de poder e que fazem nos perder do propósito inicial e diametralmente oposto, que é a de servir uns aos outros com os nossos dons e talentos.


Soa um tanto quanto religioso o discurso de serviço ao próximo, mas o fato é que tudo funciona numa engrenagem onde um serve e o outro recebe, e o que recebe por sua vez está munido para servir a um terceiro. Então, o menor se torna maior porque cumpriu com seu papel dignamente.

O que é verdadeiramente nosso flui tão livremente que nem sentimos quando já foi. E nem temos a dimensão da magnitude do que um mínimo ato nosso pode ter.

Portanto, importe-se mais com a qualidade do que você emana para este Universo infinito do que com os “tenho quês”, que apenas desvirtuam do alvo nobre que é viver.

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Direitos autorais da imagem de capa: wayneandrose / 123RF Imagens

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