5min. de leitura

As pequenas grandes dádivas que não notamos…

Cada vez mais eu me convenço ou sou convencida pelos acontecimentos de que cada segundo que vivemos tem que ser sentido profundamente ao ponto de tocar nossa alma em sua essência.


Mas na correria, nem sei para onde, nem para que, simplesmente passamos de um dia para o outro sem quase nos darmos conta disso.

É tanto automatismo que, quando percebemos, ficamos surpresos em constatar que mais um ano está chegando ao final, e nem notamos passarem 365 dias. E, desta forma, a vida passa num abrir e fechar de olhos.

Com isso desperdiçamos os momentos amenos, coisa simples como repousar a cabeça no travesseiro após um dia atribulado e deixar-se absorver pela paz que poderíamos experimentar, afinal nossos problemas são comuns, nada muito sério está acontecendo e, então, podemos descansar nossos corpos e nossas mentes, mas, ainda no automatismo, não somos capazes de valorizar esse momento “banal”, certamente porque não há nada demais para se preocupar. Quando tudo vai bem, tendemos a não notar essa condição.

Porém, a vida é inconstante e, de repente, uma preocupação inesperada vem nos atormentar e só então vamos nos dar conta daqueles momentos diários em que podíamos encostar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, pois isso já não é mais possível.


E ao vivenciar uma situação de séria adversidade, desconectamos daquelas outras preocupações que nos pareciam tão importantes, pelas quais deixávamos fugir nossos momentos de tranquilidade.

Agora um desconforto de fato fundamentado toma por completo nossos pensamentos e emoções e ainda que lutemos para afastá-lo, ele segue ali ladeado por tristes receios e gigantescas incertezas.

É estranho esse comportamento do ser humano, pois, nessas horas, vivemos cada segundo de nossa angústia não deixando fugir um sequer.


Talvez, por vivermos esperando uma felicidade esplêndida e perfeita, nem damos atenção para o que achamos pouca coisa, mas que, na verdade, são grandes coisas.

Esperamos um relacionamento cinematográfico, um emprego invejável, finanças esbanjáveis e, distraídos atrás dessas fantasias, ficamos correndo como que atrás de uma folha ao vento.

Não aproveitamos bem a companhia de quem amamos a saúde de que gozamos a liberdade de ir e vir, a oportunidade de ser útil para ir em busca do falso oásis, do tesouro escondido, do Nirvana aqui na terra.

Felizes são aqueles que sabem valorizar o que possuem reconhecer suas conquistas, capazes de se orgulhar com humildade da pessoa que são. São aqueles que não perdem o ritmo, mas sabem apreciar o que encontram no caminho.

Infelizes daqueles que nem reparam nos momentos tranquilos que vivenciam, nas coisas simples que acontecem a todo o momento e não são capazes de perceber que estas fazem toda a diferença, pois estão ocupados com coisas mesquinhas e menores e acredito ser esta a maior causa da infelicidade humana.

A maior riqueza que se pode juntar é, por exemplo, estarmos saudáveis ao ter a nosso lado os que amamos com saúde, pois é claro e evidente que sem essa dádiva nenhuma outra é aproveitável.

A verdadeira alegria está nas coisas simples, como chegar a casa depois de um dia de trabalho e ter um cãozinho barulhento e feliz para nos recepcionar, ao adentrarmos sentir o aroma do jantar que está sendo preparado pelo companheiro (aquele que chegar primeiro prepara), é saber que formamos filhos íntegros e saudáveis. É ter irmãos e familiares que amamos e com quem sempre podemos contar.

É ter nossa mãe na sala mais dormindo do que vendo novela e seu pai estirado no sofá adormecido tranquilo e despreocupado.

É abrir os olhos de manhã e saber que todos estão bem e, então, poder respirar aliviado, vivendo intensamente este momento de paz e de uma felicidade nem sempre percebida.

Aprendamos a identificar os pequenos milagres diários que acontecem em nossa vida, aprendamos a identificar as discretas manifestações divinas no nosso dia a dia, ao invés de banalizar esses momentos, que para outros poderá fazer uma falta infinita.

____________

Direitos autorais da imagem de capa: vladansrs / 123RF ImagenS





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.