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As peripécias do amor…

AS PERIPÉCIAS DO AMOR FOTO DE CAPA

Não nos esbarramos na estação Sé. Não houve trocas de olhares profundos, enquanto as pessoas ao nosso redor, caminhavam lentamente. Não o conheci na plateia de um teatro, nem na fila do cinema. Ele não estava na Livraria da Vila no dia que meu autor preferido lançou seu quinto livro. Não



nos encontramos na meditação da lua, nem no show de Jazz na Madalena. Sábado à noite, costumava ouvir causos alheios no boteco de sempre. Ele, certamente, ia naquelas cervejadas universitárias. No domingo de manhã, postergava o levantar enquanto ele corria no Ibirapuera.

Se dependêssemos dos nossos hábitos, jamais nos encontraríamos, mas alguém mexeu os pauzinhos e, numa jogada inesperada do destino, a gente se trombou. Um olhar mais demorando e um convite para um café no Starbucks – eu teria sugerido uma cerveja no Portuga – mostraram que somos opostos, mas não somos distraídos.

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Ele chegou e quebrou a minha rotina. Se encaixou na minha agenda. Dividiu o cigarro com meu melhor amigo. Bebeu cerveja no meu copo e apoiou a perna em cima da minha. Entrelaçou seus dedos nos meus e roubou o meu calor – meu deus! Que mão gelada.

A sexta não é mais exclusividade dos meus amigos. O meu pensamento diário, tem outro endereço e um jeito de me olhar encantador. A minha vida, que antes seguia um caminho confuso e se perdia nos atalhos enganosos que me indicavam, hoje segue o ritmo acelerado do coração que dispara quando me beija.

Nos esbarramos. Mas não foi um esbarrão qualquer, foi planejado nos mínimos detalhes. Foi o senhor dos casais apaixonados que armou essa arapuca. Nós caímos na mesma armadilha e nos vimos na mesma sintonia.

Eu não lembro quando passamos do terceiro encontro. Não lembro quando o desejo se tornou afeto, nem quando eu quis ir até a página dois, mas lembro exatamente o momento que descobri que seria naquele abraço que eu moraria por tempo indefinido. Foi naquele bar, depois daquele beijo. Quando nossos olhos se encontraram e revelaram um carinho ímpar.


Antes da chegada dele, eu amava de uma forma diferente. Acreditava que amor deveria ser afirmado para que assim, fosse enaltecido. “Te amo porque…” era uma expressão usada diariamente por mim para demostrar ao ser amado, o quão importante ele era na minha vida. “Te amo porque quando você chegou, o meu mundo floresceu, ganhou cor, fico mais feliz, amor “, bonito e fácil!

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Hoje, analisando nossa relação, noto que, a essência do querer contínuo está no “amar apesar de…”. “Eu te amo apesar da briga desnecessária naquela noite que eu quis comida japonesa e você italiana. Eu te amo apesar de me fazer dormir no sofá em dias de TPM. Eu te amo apesar do clima chato que fica entre nós depois de uma briga fervorosa. Eu te amo apesar de você desligar o telefone porque é incapaz de dialogar quando explode. Eu te amo apesar de querer sumir de casa às vezes. ”

Com ele, aprendi que uma relação é constituída dos quereres apesar dos desentendimentos. É nutrida não só pelas declarações escancaradas, mas também, pelos esforços que fazemos para aceitar as diferenças – é ter que ceder em época de orgulho exacerbado. É morrer para algumas coisas e renascer para outras.


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