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As pessoas fortes não são feitas de ferro!

As pessoas fortes não são feitas de ferro e, às vezes, baqueiam!


As pessoas fortes, embora não transpareça, são as que mais sofrem.

Todos parecem esperar delas, mais do que elas podem dar.

Todos parecem pensar que elas têm, nas mãos, a solução dos problemas; nos pés, a velocidade de um avião; e, nas costas, a força de um burro de carga, para transportar um grande peso.

Aos poucos, os ombros vão sendo atulhados. Aos poucos, a sobrecarga equivale ao peso de uma montanha, que nenhum cavalo arrastará. Nem mil cavalos conseguiriam tal façanha.


Uma pessoa forte não arreia. Ela não se extenua. Não reclama. E, sem generalizar, quase todas nunca dizem “não”.

E, aqui, eu comparo seus sentimentos ao do cavalo, pois que se submete aos mandos do dono.

Com a diferença de que o animal, em algum momento, tombará pelo excesso de carga. Com a diferença de que a pessoa forte, em nenhum momento, sente que é propriedade de alguém.


Faz, porque é mais forte nela o fazer do que o deixar para lá. É mais forte nela o perceber do que o ignorar.

Faz, porque seus olhos são jogadores atentos, e a vida é um grande tabuleiro de torres, reis, rainhas, e cavalos.

Para a pessoa forte, os problemas são apenas peças, que só precisam ser empurradas e encaixadas nos lugares certos. O fim da partida é vencer, e os fortes não enfrentam para perder, nem recusam um desafio.

A determinação age como um combustível, gerando uma inesgotável energia.

O comprazer é seu único troféu.

Todos veem o lado objetivo da pessoa forte, e desconhecem seu subjetivo, onde estão enfileirados seus medos e tristezas, sentimentos que guarda pra si, e os expõe na solidão do seu quarto, longe das vistas de todos.

Guarda para si mesma a tristeza do rosto, tendo-a como pessoal, intransferível e humilhante. Chorar, tornou-se sinônimo de fraqueza e abaixar a cabeça, sinal de uma desistência subserviente.

E não sabe quando começou a agir dessa maneira…

Talvez essa fortaleza seja uma força crônica, que lhe acompanha desde o útero materno.

Talvez a força tenha nascido no seio da família, quando surgia um problema incomum, difícil, e o pai dizia: “só ela é capaz de resolver”.

Foi desafiada e encorajada para ser assim e, sem questionar, aceitou a espada para batalhar as batalhas alheias, além das suas.

Sua palavra não pertencia ao mundo dos negativos, incapazes e desistentes, fadados ao fracasso.

Abraçou, sem titubear, a aquiescência, o positivismo e a necessidade de não decepcionar, mesmo sendo decepcionada inúmeras vezes.

Mas não decepcionou a si mesma; e, quando se sentia só, mergulhava na solidão, onde tudo era perfeito, e ninguém sofria.

Quando o cansaço parecia descomunal, desejava ser outra pessoa, caminhando sem carregar essa bagagem tensa.

Já teve vontade de mudar, negando-se, isolando-se, ou mascarando-se de indiferença… Mas, se assim o fizesse, não seria ela mesma. Estaria dentro de uma pele emprestada.

Não nascera para ser uma fraude, cega e sem sentimentos. E decidiu aceitar ser ela mesma, mesmo que em alguns momentos fosse quase impossível o ser.

E, compreendeu, que para os fracos, ocorria essa mesma necessidade de ser outra pessoa, e a mesma conclusão da impossibilidade de ser quem não era.

Por isso a frase velha e batida: aceitarmos as pessoas como elas são. Respeitarmos a diferença, não significa que sejamos obrigados a conviver com elas.

Na esfera dos viventes, a maior obrigação que temos é a de saber conviver, e de aceitar quem somos. Parece ser uma equação do egoísmo, mas isso se chama pessoa resolvida, equilibrada, que sabe o que quer… e quem é!





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