Às vezes, magoamos quem amamos, quando estamos no fundo do poço



Existem casos em que tratar o outro de forma rude significa um pedido de ajuda de uma alma triste e enferma, que passa por momentos sombrios, onde não consegue agir diferente.

 Costumamos guardar mágoas de quem, em algum momento, nos agrediu com palavras. Assim como despertamos mágoas também em quem agredimos. O que muitos ainda não percebem é que, às vezes, magoamos quem amamos, quando estamos com algum problema grave com nós mesmos. Magoamos quem amamos quando estamos no fundo do poço, vergonhosos ou inconscientes para pedir ajuda de forma direta.

O mais comum é levarmos para o lado pessoal os desabafos, as reclamações ou o silêncio do outro enquanto queremos atenção e reconhecimento, julgando ser ingratidão e falta de consideração. Mergulhamos no próprio melindre e perdemos a oportunidade de ajudar quem, muitas vezes, clama por ajuda.

Quando perdemos a gentileza e a generosidade e dizemos algo cruel para entes queridos, como companheiros, filhos, amigos etc., é porque já estamos doentes emocionalmente.

Depressão, ansiedade, pânico, estresse causam dores tão profundas na alma que fazem com que as pessoas “explodam” ou se isolem, como se estivessem vazias de sentimentos.

A intenção não é justificar as agressões verbais e o silêncio que também agride, pois existem muitos casos em que são usados como manipulações de atos perversos. Mas devemos ter a consciência que também existem casos em que tratar o outro de forma mais rude significa um pedido de ajuda de uma alma triste e enferma passando por momentos sombrios, onde ela não consegue agir diferente.

Por isso, não devemos levar para o lado pessoal, quando percebemos que alguém está agindo de forma diferente das nossas expectativas e exibindo uma versão mais dura, pois, na verdade, pode significar um pedido de ajuda! Não devemos levar para o lado pessoal o desabafo de uma dor, quando temos a intenção de exercer a verdadeira caridade, que é perdoar e aceitar o outro exatamente como ele é.

Que atire a primeira pedra quem nunca errou, quem nunca agrediu e quem nunca demonstrou sua pior versão. Todos nós temos o bem e o mal guardados em nosso interior.

Às vezes, na dor o mal se sobressai sim. É para isso que existe o perdão. A oportunidade de perdoar e de sermos perdoados.



Nem sempre um ato de aparente ingratidão significa realmente que o outro não se importa. Pode ser apenas um coração cansado e machucado que resolveu pensar nele, em primeiro lugar, para simplesmente conseguir sobreviver em um mundo em que se doa constantemente, esquecendo-se de si.

Pode ser que esse coração só necessite oxigenar-se e sentir-se vivo para voltar a brilhar e iluminar a todos que estão ao seu redor, mas para isso é preciso olhar mais para dentro.

Que possamos ter sabedoria para discernir o mal do sofrimento. Ser acalento dos corações sensíveis que sofrem e perdoar sempre! “Setenta vezes sete vezes.” Principalmente  aqueles que verdadeiramente nos amam, mas que nos magoam, até mesmo sem perceber, nos momentos em que estão no fundo do poço.

Nos momentos em que mais precisam da nossa ajuda e compaixão.


Direitos autorais da imagem de capa: Daan Mooij on Unsplash.






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