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Até que ponto o desapego é saudável?

Treinar o desapego é uma habilidade essencial nas pessoas, temos que treinar diariamente o sentimento do desapego de coisas banais e passageiras, o que acaba por auxiliar na valorização do que realmente é significativo para nossa existência.


Roupas, objetos e até situações tóxicas merecem nosso desapego, nosso desprendimento emocional e afetivo. Se você é uma pessoa muito apegada a tudo e todos, possivelmente será como um processo de luto ao ser enfrentado na superação de tal desprendimento, mas é essencial a consciência e a análise de que se de fato é necessário o desapegar, temos que nos desapegar.

A implicação aqui, está relacionada não aqueles que são apegados, até porque na contemporaneidade temos as ideias minimalistas, que estão atreladas à busca pelo essencial, à busca pela economia (financeira, porque você só adquire o que realmente julga necessário), a implicação está nas pessoas que se consideram e são de fato desapegadas…

O desapego é bom, mas como tudo na vida, em excesso faz mal à pessoa que prega as ideologias desapegadas e às pessoas que acabam por receber inferências diante dos atos dessa pessoa também são afetadas.


Quando levamos para nossas formas relacionais o desapegar, devemos nos conscientizar de que vínculos são fundamentais para nossa formação como um sujeito ativo na sociedade, mas ao reduzir a relação a algo que é facilmente substituído, criamos a ideia de que o outro é um mero objeto.

Penso que ao tratar o outro como objeto, é apenas um reflexo da nossa forma humana de insatisfação, que ao não saber lidar com as lacunas que são mazelas da própria vida, há a tentativa de preencher de forma incansável com experiências e pessoas, até porque usamos o outro como espelho do nosso próprio eu, e ao desapegar facilmente de alguém sem ao menos abrir a possibilidade de aprofundar essa tênue fronteira entre um vínculo mais superficial e  vínculo mais findado, evitamos o conhecimento de nós mesmos. Muito mais viável para a nossa psique não encarar nossas obscuridades do ser, do que identificar nas outras pessoas nossas imperfeições humanas e consertá-las.

O desapego é saber lidar com a solitude que está presente em nossa vertente chamada vida, solitude não quer dizer que necessariamente há uma solidão, mas devemos aprender a lidar e encarar essa solidão, quando volte e meia ela aparece, e preencher lacuna e solidão com pessoas com as quais não se tenta fortalecer vínculo é como a analogia do porco-espinho que tenta se esquentar com o calor do outro porco-espinho.


Nessa analogia sempre ao sentir frio os porcos espinhos se aproximam na tentativa de se aquecerem, mas ao chegarem perto um do outro eles se machucam, pois possuem espinhos.

Nós, humanos, animais racionais, temos a necessidade de socializar, conhecer pessoas novas, vivenciar experiências novas, mas não podemos considerar cada pessoa que passa em nossa vida como um ser que pode ser facilmente substituído.

Cada ser humano é único, singular e possui suas especificidades, e valorizar cada pessoa que passeia pela nossa estrada chamada “vida” é essencial.

Ao viver uma relação tóxica, deve de fato haver o desapego, mas nunca a desvalorização da importância da outra pessoa em sua vida.

Acredito muito que cada pessoa que passa por nós tem sua importância e seu papel para a formação dos seus princípios, afinal não somos nosso trabalho, nossa formação, nossos gostos musicais ou literários, somos a junção das experiências vivenciadas e das pessoas que estão presentes à nossa volta.

Então, porque não se aprofundar nas relações, viver seus sentimentos e suas vontades de forma mais intensa?


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