Comportamento

Ativista transgênero apoiou a proibição de nadadoras trans em competições femininas

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ativista se pronunciou sobre a recente decisão da instituição internacional da modalidade. 

A relação das pessoas trans com os esportes é polêmica. No último dia 19, a Federação Internacional de Natação (Fina) proibiu atletas transgênero de participar de competições femininas, a menos que tenham iniciado sua transição até os 12 anos de idade.

A decisão tem agradado a muitas pessoas, mas também prejudicado a carreira de alguns esportistas, como a campeã universitária Lia Thomas, que não poderá mais competir pelos Estados Unidos.

Norrie May-Welby, uma ativista transgênero, também se mostrou favorável a essa decisão, apesar de já ter se manifestado contra os críticos. Norrie, que passou por uma cirurgia de mudança de sexo aos 28 anos e venceu uma luta legal histórica em 2014 para ser identificada como não pertencente a nenhum gênero, está ao lado da Fina.

Em conversa com o Daily Mail Australia, ela afirmou que as organizações devem ter o direito de criar as regras para seus eventos e ainda falou sobre a decisão de criar uma nova categoria para esses esportistas.

“Se as pessoas que passaram pela puberdade masculina padrão têm uma vantagem sobre aquelas que não passaram, então manter uma categoria separada para aquelas que não passaram pela puberdade masculina parece justo”, disse a mulher, de 61 anos. 

Sabendo que o assunto seria polêmico, a ativista acrescentou que não acredita que a decisão da federação tornaria os atletas transgênero cidadãos de segunda classe. Norrie também acrescentou que não entende a obsessão olímpica das pessoas e pensa que há outras coisas na vida além de provar que é o nadador mais rápido.

2 Ativista transgenero apoiou a proibicao de nadadoras trans em competicoes femininas

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Posicionamento de atletas transgêneros

Alguns atletas fizeram questão de falar publicamente sobre esse assunto.Emily Seebohm, quatro vezes campeã olímpica de natação australiana, disse estar feliz por uma decisão finalmente ter sido tomada sobre esse assunto, e acrescentou que muitos atletas estavam com medo de falar sobre essa questão. 

“É um assunto tão difícil, ninguém quer ser o primeiro a dizer alguma coisa, porque tem medo da cultura do cancelamento”, disse ela ao programa “Today” no último dia 20. “Decidimos ficar juntos porque todos nós sentíamos o mesmo, só que estávamos todos com muito medo de ser os primeiros a dizer qualquer coisa”, acrescentou a esportista.

3 Ativista transgenero apoiou a proibicao de nadadoras trans em competicoes femininas

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A jogadora de handebol transgênero da seleção nacional da Austrália, Hannah Mouncey (32),por sua vez, não pareceu se alegrar com a decisão e defendeu o direito de as esportistas trans continuarem competindo nas categorias de seus novos gêneros. 

Em conversa com o ABC News Breakfast, no dia 20, ela explicou que a falta de testosterona tirava toda a vantagem das mulheres transgênero sobre suas oponentes biológicas. “Pela minha experiência, meu supino, em 12 meses, passou de 150 kg para 60 kg, um agachamento passou de 200 para cerca de 70 e um clean, de 140 para 60.”

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Ela também comentou que a decisão da Fina afetará gravemente um atleta como Lia Thomas, que venceu o campeonato nacional da primeira divisão da National Collegiate Athletic Association.

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“Vai ter um grande efeito sobre ela, e eu realmente espero que a natação a esteja apoiando de uma forma que outros órgãos esportivos não fizeram com outros atletas quando foram banidos da competição”, pontuou a esportista. 

Aprovada com 71% dos votos dos 152 membros, a decisão da Fina ocorreu durante o congresso geral extraordinário da instituição, em Budapeste, capital da Hungria, onde geralmente acontecem os campeonatos mundiais de natação.

“A abordagem da Fina na elaboração desta política foi ampla, baseada na ciência e na inclusão. E, mais importante, enfatizando a equidade competitiva”, disse o diretor executivo do órgão, Brent Nowicki, na ocasião.