Comportamento

“Sem doações, meus filhos passariam fome”, diz homem sobre o fim do auxílio emergencial

Sem doacoes meus filhos passariam fome diz homem sobre o fim do auxilio emergencial

A decisão pode fazer com que o número de brasileiros em extrema pobreza cresça, aumentando a desigualdade social.



A pandemia impossibilitou a geração de renda de muitos trabalhadores autônomos em 2020. A crise sanitária na qual o Brasil se encontra afetou quem mais precisa de renda fixa: as classes mais baixas, pessoas que precisam sair de casa para ganhar o pão da noite, que precisam que terceiros comprem seus produtos, que precisam pegar conduções lotadas e enfrentar a cidade como ninguém.

Mas, em meio aos riscos de infecção do novo coronavírus, o mais sensato seria se isolar. Para isso, o auxílio emergencial precisou compensar esses milhões de brasileiros que não podiam sair de casa sem correr grandes riscos de contrair a doença.

O fechamento das escolas obrigou mães a largarem seus empregos, e se tornaram as mais vulneráveis dentro do sistema, pertencendo à faixa de pessoas que mais foram demitidas no ano passado.


O que “segurou as pontas” dessas famílias foi o auxílio emergencial.

Mas o governo federal já anunciou, segundo reportagem do G1, que não vai prorrogar o repasse do dinheiro, assim 68 milhões de brasileiros terão de enfrentar a fome, a inflação e o desemprego.

Residente na cidade de Amapá (AP), Josielson Cardoso, de 33 anos, faz parte do grupo de pessoas que estão sofrendo os impactos da perda da renda de forma agressiva. Antes da pandemia, sua principal fonte de renda era a venda de bebidas em portas de boates e festas, mas a prefeitura proibiu as aglomerações na cidade com medo do impacto do vírus. Lá, um em cada nove habitantes foi infectado com a covid-19. Em 2020, a única fonte de renda de Josielson foi o auxílio de R$ 600, valor que, embora ajudasse a comprar a alimentação da casa, não era suficiente para todas as suas despesas.

Amapá foi líder do ranking de cidades que mais receberam o auxílio emergencial em 2020 – mais de 80% da população recebeu o repasse do governo.


Segundo a prefeitura amaparina, isso significa fraude, erro de cadastro ou um número não mapeado de necessitados. O emprego que existe na região fica por conta da pesca, da agricultura familiar, do serviço público e do comércio, na maioria das vezes informal. Segundo a Secretaria de Assistência Social, mesmo antes da pandemia, 40% da população já dependia de benefícios sociais.

Mesmo assim, não há previsão de que o auxílio retorne, além disso, a alta no preço dos alimentos tem assustado qualquer um que se aventure a ir ao mercado e, como se não bastasse, ainda precisamos conviver com a covid-19.

Atualmente, em Amapá, muitas pessoas dependem de doações de cestas básicas distribuídas pela prefeitura, por exemplo.

Outro entrevistado para a reportagem do G1 foi Wendell Silva, de 38 anos, que trabalhava como DJ, mas que perdeu sua fonte de renda com a pandemia.


Wendell explica que não possui mais um organismo jovem, e mesmo assim teve de enfrentar os riscos e trabalhar em outras cidades no ano passado. Para ele, o dinheiro do auxílio emergencial pagava o alimento da casa de sua mãe, onde também mora com sua mulher.

Ele explica que sem receber as doações que tem recebido depois do corte do auxílio ele passaria fome e, provavelmente, sua filha não conseguiria estudar.

Mesmo sendo DJ, Wendell compreendia a decisão da prefeitura de fechar os estabelecimentos para evitar aglomerações, inclusive ele até defendia essa medida. Porém, ele revela não ver mais sentido na medida sanitária atualmente, já que quase ninguém a respeita, e nada é feito oficialmente a respeito disso. Para ele, a diferença é que conseguiria gerar renda para sua família, sem precisar depender de doações.

O auxílio emergencial começou a ser pago em abril de 2020, podendo ser de R$ 600 ou R$ 1.200, para as mães chefes de família. Cinco parcelas depois, o auxílio caiu pela metade, algumas famílias estavam recebendo apenas R$ 300 para dar conta do sustento dos filhos.


Agora, com o valor zerado, o economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), faz uma projeção de que o número de brasileiros em extrema pobreza (aqueles que vivem com menos de R$ 1,90 por dia) pode dobrar em relação a 2019.

O prefeito de Amapá, Carlos Sampaio (DEM), revela que vai ter de decretar situação de emergência no município por mais dois meses. Quando perguntado sobre os moradores que não estão recebendo auxílio, Sampaio afirmou que eles não vão morrer, só precisam se reinventar. Enquanto não existe nenhuma pretensão de retorno do pagamento do auxílio, os moradores seguem dependendo da boa vontade de quem tem dinheiro para lhes doar alimentos e produtos básicos.

O que achou dessa notícia? Acha que a falta do auxílio pode impactar as famílias brasileiras?

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