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A bagagem de cada um… – malas de viagem

Conheço pessoas cujas vidas cabem em uma ou duas malas. Aprenderam o desapego.



Aprenderam a ficar leves. Viajar, se mudar, passear para elas representam um ato de: “Estou saindo. Te vejo na volta!”

Conheço outras, em compensação, que até para irem à esquina, levam o que daria para preencher um container. Nada lhes parece fácil; não podem deixar nem um dos seus batons em casa, porque vai que falta! A própria bolsa já parece uma quitinete. Eu ainda não me descobri neste assunto.

Tento carregar minhas malas medianas. Algumas peças vão passear comigo e outras faltarão no decorrer da viagem. Por mais que eu organize as roupas sobre a cama dias antes da viagem; por mais que eu saiba que vou sair cedo do hotel e só voltarei para dormir, ainda tenho um pouco do pensamento: “ Vai que eu preciso deste vestido!” ou “E se chover e eu precisar algo extra?!”


A BAGAGEM DE CADA UM - FOTO 01

Mas, o mais triste, ou mais estranho, é saber que estas dificuldades são reflexos do que somos na vida, do que carregamos conosco.

Não posso dizer que acho errado alguém levar o mundo junto de si e carregar no percurso de seu passeio quilos de coisas que à primeira vista me parecem inúteis. É certo dizer que se chover poderão ter utilidade. Ou, se houver uma festa de casamento surpresa serão usadas; e ainda, se acontecer um vendaval, poderão ajudar os desabrigados. Apenas me parece muito. Da mesma forma, como julgar quem leva não uma mala, mas somente uma sacolinha, e passa do calor ao frio com a mesma destreza. Que fica com três variações de roupas a viagem inteira, ou usa o mesmo par de brincos durante um mês? Não seria esta uma pessoa ecologicamente e politicamente correta?


Já assisti a inúmeros vídeos de como preparar malas para as mais diferentes ocasiões – de férias a ocasiões profissionais. Confesso que mesmo lendo Glória Khalil e outros manuais ainda não me é uma coisa simples. Toma tempo decidir e na volta sempre descubro que decidi errado. Não devia ter levado o casaco vermelho e sim o preto (que já quase anda sozinho) porque combinaria com tudo; que deveria ter levado aquela saia colorida, pois era a cara da praia, e assim vai. Muito complicado.

Agora mais moderninha já estou aprendendo a levar os livros digitais, o que, sem dúvida, torna muito mais leve minha bolsa. Já não preciso mais carregar a revistinha de palavras cruzadas e o caderninho de anotações, pois também serão digitais. Quanto às fotos, estas também poderiam ser apenas as do celular, mas gosto de sentir a câmera na mão, buscar foco e dar o clique na máquina. Talvez mais uns anos e eu terei uma câmera que de vez em quando possa usar para conversar com alguém distante.

Se viajo de avião e estou sozinha tenho o truque de levar uma muda de roupa na bolsa de mão. É certo que eu embarque, mas sem a certeza de que as malas chegarão junto ao destino. Outro truque é, quando viajando com mais alguém, trocar peças de roupa nas malas também. Levo algumas da pessoa na minha mala e coloco algumas roupas minhas na mala dela. Há muito tempo, aqui em casa, não viajamos com malas individuais em viagens familiares. Isso são dicas para facilitar a vida, e no que refletem a personalidade, podem dizer: ali vai uma pessoa prática.

A BAGAGEM DE CADA UM - FOTO 02

Sem falar na dificuldade de organizar malas para estações trocadas. Sol escaldante em Cuiabá e eu experimentando casacos pesados, para viajar para o frio. Sempre me parece que não há possibilidade de fazer tanto frio quanto os meteorologistas alertam.

Voltando às malas e à personalidade, onde encontrar o equilíbrio? Já sei que não consigo ser uma turista europeia, do tipo três roupas e sem preocupação – resultando em algo parecido com mochila, meia soquete e crock; e não chegarei a uma Barbie, turistando de sapato alto, brinco combinando e chapinha no cabelo (sem ofender quem faça o gênero).

Talvez o ato de fazer e desfazer minhas malas mil vezes antes de partir me faça ficar cada vez mais leve. Procuro sempre tirar peças e não colocar mais do que as primeiras previstas. Quem sabe um dia eu possa escrever um manual de como fazer malas, pois será sinal de que as minhas estarão perfeitas ao fim que se destinam. E eu, equilibrada.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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