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Bandeira de combatente brasileiro morto na Ucrânia é exibida por chechenos: “Desrespeito”

Foto: Reprodução
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O tenente que comanda o pelotão em que André estava antes de ser morto em bombardeio confirmou que aquela era a bandeira do brasileiro.

No dia 24 de fevereiro de 2022, a Rússia deu início a uma invasão militar em larga escala na Ucrânia, causando a morte de mais de três mil civis e fazendo com que mais de cinco milhões de pessoas fugissem do país, de acordo com dados das Nações Unidas. No final de março, Putin anunciou que iria reduzir a atividade militar nos arredores de Kiev e Chernihiv, mas os ataques de mísseis de longo alcance e os diversos bombardeios passaram a causar danos impactantes em áreas residenciais urbanas, aos ativos militares ucranianos e infraestrutura de comunicação e transporte.

Recentemente, um vídeo publicado no Twitter mostra um suposto combatente checheno segurando uma bandeira do Brasil assinada em várias partes, e ele fala que seu batalhão destruiu uma legião estrangeira que estava no local, matando alguns e vendo outros fugirem. O homem finaliza as gravações dizendo que os que sobraram não estavam inspirados a continuar lutando.

O vídeo se tornou viral, e o tenente Sandro Carvalho da Silva, brasileiro que comanda o pelotão em questão, afirmou que aquela era a bandeira do combatente André Hack Bahi, o primeiro do país aliado às tropas ucranianas que acabou morto em combate. Segundo reportagem do UOL, a bandeira seria exatamente a mesma que o brasileiro segurava em uma foto que também viralizou há alguns meses.

Sandro explica que, quando foi alvejado, André acabou deixando a bandeira cair de sua mochila, e que a reconhece, já que todos os membros do grupo tinham deixado sua assinatura. O vídeo foi atestado como real pela pesquisadora e jornalista Letícia Oliveira, que estende sua investigação a grupos armados na região do Donbass desde 2014, e explica que é uma espécie de “propaganda”. De acordo com ela, esse tipo de produção é feita para mostrar ao exército russo que o moral das tropas ucranianas está baixo.

Mortes de brasileiros na Ucrânia

André morreu no dia 5 de junho e foi cremado quase um mês depois, no dia 2 de julho, na Ucrânia, e suas cinzas serão levadas para sua família no Ceará. O brasileiro deixou esposa e uma filha de dois anos, e o pai do combatente reforça que, além de desrespeito, o filho deve ser considerado “um herói de guerra”.

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Direitos Autorais: Reprodução/Arquivo Pessoal

Além dele, Douglas Búrigo e Thalita do Valle integram a lista de aliados das tropas ucranianas que foram mortos em combate. Os dois morreram no dia 30 de junho, em Kharkiv, depois de mísseis russos atingiram o alojamento onde estavam, e eles integravam o mesmo pelotão de André. Thalita, de 39 anos, era atriz, modelo e atiradora de elite, já tendo experiência em conflitos anteriores, segundo seu próprio canal do YouTube.

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Direitos Autorais: Reprodução/Arquivo Pessoal

Búrigo era ex-militar do exército brasileiro, e estava na Ucrânia há um mês, chegando oficialmente ao país no dia 25 de maio. Ele passou um período em treinamento, e depois integrou o pelotão no campo de batalha, com o sonho de reconstruir o país ucraniano, como relata Carlos dos Reis, cunhado do combatente. Ele era dono de uma borracharia e deixou uma filha de 15 anos.

Conflito

Segundo o Global Conflict Tracker, o conflito armado no leste da Ucrânia não começou este ano, mas sim no início de 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia. No ano anterior, o então presidente ucraniano Viktor Yanukovych rejeitou um acordo para maior integração do país com a União Europeia (UE), que acabaram desencadeando protestos em Kiev, com uma forte repressão das autoridades.

O conflito civil aumentou, e Yanukovych optou por deixar o país em fevereiro de 2014, fazendo com que a Rússia enviasse tropas para assumir o controle da Crimeia apenas um mês depois. Depois de um referendo em que a Crimeia votou pela adesão à Federação Russa, acabou sendo anexada de maneira formal ao país, o que desencadeou divisões étnicas e separatistas em Donetsk e Luhansk, que queriam independência da Ucrânia.