Comportamento

BBB22: pessoas com vitiligo dizem que a presença de Natália ajuda a debater preconceito

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Nas redes sociais, muitos seguidores de Natália Deodato têm feito questão de falar sobre a representatividade que a mineira levou para a casa.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) classifica o vitiligo como uma doença que faz com que a pele perca a coloração em algumas regiões. A destruição ou inibição dos melanócitos (células responsáveis pela produção da melanina) ainda não possui uma causa específica, mas especialistas defendem que fenômenos autoimunes podem estar entre os fatores que desencadeiam ou agravam a doença.

Além de manchas brancas na pele, os pacientes não manifestam nenhum sintoma, mas o que deixa os dermatologistas em alerta são os impactos emocionais e na autoestima. Existem duas formas de classificar o vitiligo: segmentar ou unilateral, que é quando aparece apenas em uma região do corpo; e não segmentar ou bilateral, quando se manifesta nos dois lados do corpo, o tipo mais comum.

A doença é crônica, ou seja, não coloca em risco a vida do paciente, mas também pode não ter cura. O vitiligo não é contagioso, e em alguns casos pode ser hereditário, mas dermatologistas afirmam que muitas pessoas que têm o gene podem não apresentar a doença. Assim como a maioria das doenças de pele não contagiosas, o vitiligo pode ser desencadeado principalmente pelo estresse, e a SBD estima que mais de um milhão de brasileiros tenham a doença atualmente.

BBB e a visibilidade

Em uma reportagem da BBC, a ativista Maika Celi, de 43 anos, e o modelo Roger Monte, de 38, falaram sobre a presença de Natália Deodato no “Big Brother Brasil 22” e como isso impacta positivamente na sociedade. De acordo com eles, a visibilidade é uma das melhores ferramentas para combater o preconceito e a desinformação.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @natalia.deodato.

Nas redes sociais da sister, também não faltam comentários enaltecendo a importância de seu papel na compreensão da população sobre a doença, além até mesmo da naturalização da aparência de pessoas com vitiligo. Um dos maiores problemas enfrentados pelos pacientes é a baixa autoestima desencadeada pelo preconceito e pelo julgamento de terceiros.

Grande parte dos pacientes, quando recebem o diagnóstico de vitiligo, passam a não aceitar mais o próprio corpo, usando artifícios para esconder a despigmentação da pele. O uso de maquiagem e roupas compridas, inclusive no calor, pode fazer com que esses indivíduos percam a qualidade de vida, chegando a deixar de ir a alguns lugares, como a praia, ou mesmo sair de casa.

Além de ativista, Maika Celi também é mentora da primeira lei de conscientização sobre o vitiligo do país, segundo a BBC. Sua luta começou depois de sofrer preconceito de uma colega, fazendo com que se sentisse afetada pelos comentários, mas também lhe dando forças para organizar um espaço de trocas sobre a doença autoimune, o projeto “Meu Lugar ao Sol”.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @vitiligo.meulugaraosol.

Além de se sentir tranquila com suas “imperfeições”, Maika passou a ser refúgio das pessoas que não sabiam como administrar seus sentimentos a respeito da doença, auxiliando-as no processo de aceitação e de bem-estar. Pouco a pouco, ela passou a receber inúmeras mensagens de pacientes que deixaram de sentir vergonha por conta do vitiligo.

A doença começou a se manifestar em Maika depois de um acidente de moto, quando tinha 22 anos. O estresse e o trauma a fizeram perceber que onde algumas feridas cicatrizavam, a pele não recuperava a coloração, com isso a ativista descobriu que tinha vitiligo, mas no início não aceitava, chegando a evitar alguns lugares.

Foram mais de dez anos para o modelo Roger Monte aceitar que tinha vitiligo, fazendo grandes tatuagens e cobrindo a pele com maquiagem para esconder as manchas. Com ele, a despigmentação começou aos 23 anos, quando um furo no queixo se complicou no período de intenso estresse pelo término de um namoro.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @rogermon.

Para ambos, Natália Deodato é sinônimo de representatividade, já que estimula o debate sobre a doença autoimune pela própria sociedade. A busca pela informação pode ajudar as pessoas a aprenderem sobre a doença, como o fato de não ser contagiosa ou de reduzir drasticamente as chances de os pacientes desenvolverem câncer de pele em algum momento.

Maika conta um momento em que a caixa de um supermercado lhe disse que havia uma mulher igual a ela no “BBB22”, e que aquele dia realmente sentiu que Natália era importante como uma participante do jogo, mostrando que estavam tendo avanços.

Existe tratamento?

Segundo a SBD, atualmente existem tratamentos eficazes que auxiliam na estagnação do quadro e até mesmo na repigmentação da pele, mas eles são opcionais e a doença não causa nenhum problema de saúde. Mesmo assim, o órgão faz um alerta sobre os “tratamentos milagrosos”, como fórmulas naturais e receitas passadas por pessoas não especializadas em dermatologia. Além de deixar os pacientes frustrados, podem acarretar inúmeras reações adversas.


*Nota: As informações e sugestões contidas neste artigo têm caráter meramente informativo, elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, psicólogos e outros especialistas.

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