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Bebês que dormem com os pais podem ser mais sociáveis, altruístas e seguros, aponta estudo

Bebes que dormem com os pais podem ser mais sociaveis altruistas e seguros aponta estudo

Além de reduzir os riscos de morte súbita, dormir com o seu bebê pode colaborar para que ele se torne uma criança mais independente.



Assim que o bebê nasce, nasce também uma nova família. Junto com a mala da criança que chega da maternidade, vêm algumas inseguranças e medos, comuns em todas as casas. Afinal, criar um ser tão pequeno requer dedicação, cuidado, mas também um pouco de conhecimento. É necessário ir além dos palpites e crenças antigas, quando pensamos na segurança dos nossos filhos, e nem sempre aquelas dicas das nossas tias vão resolver alguma coisa.

Uma questão que envolve muitas dúvidas é se devemos ou não compartilhar a cama com os bebês. Será que posso rolar por cima dele durante a noite? É seguro mantê-lo tão perto, enquanto estou dormindo? Apenas dividir o quarto não seria melhor? Essas perguntas não são exclusivamente suas, muitas famílias que desejam dormir com suas crianças se perguntam as mesmas coisas. Nesses momentos, conversar com o pediatra do seu filho é uma boa saída.

Os estudos mais recentes apontam que dormir com seu bebê pode ser melhor do que você imagina. Apenas o fato de compartilharem o mesmo ambiente, no caso de dormirem no mesmo quarto, mas em camas separadas, pode reduzir os riscos de morte súbita em até 50%, segundo a Academia Americana de Pediatria. A morte súbita é definida como a morte abrupta de um bebê durante o sono que, infelizmente, não consegue ser explicada, mesmo após investigação completa.


Ao longo da história, mesmo em diferentes culturas, é possível perceber que as mães sempre dormem bem próximas aos filhos. Isso se deve, basicamente, ao fato de que amamentam as crianças pelo menos durante o primeiro ano de vida delas, sendo mais simples compartilhar a cama ou o ambiente para não atrapalhar tanto o sono da mãe e suprir as demandas do lactente.

Uma pesquisa aponta que compartilhar o quarto com os filhos influencia positivamente na personalidade deles mesmo após a primeira infância.

Os pesquisadores afirmam que dormir no mesmo ambiente contribui para que os pais ajudem na regulação dos bebês, isso facilita à criança desenvolver capacidades emocionais e comportamentais de autorregulação, sendo que essas capacidades, por sua vez, promovem o desenvolvimento emocional e social futuramente, resultando em comportamentos mais sociáveis. É uma cadeia de fatores que exercem uma força positiva na capacidade que seu filho terá de socializar e de internalizar e externalizar seus sentimentos.

Você deve estar se perguntando: mas como dormir junto ou próximo pode influenciar em tantos fatores?


Realmente, existem alguns médicos que acreditam que compartilhar a cama pode atrapalhar na independência da criança, prejudicando também o sono. Mas esse estudo vai na contramão desses saberes, afirmando que atender às necessidades do seu filho mais rapidamente colabora para que ele não tenha elevados níveis de estresse, sentindo-se mais protegidos e acolhidos.

Imagine só, você acabou de nascer, não consegue se comunicar com seus cuidadores, não fala, não se alimenta sozinho, sente sede, fome, medo daquele ambiente hostil, então a única resposta que seu corpo consegue ter é a de sinalizar que está em perigo. Isso aumenta os níveis de sofrimento da criança que, quando experimenta o estresse por longos períodos, pode desenvolver comportamentos antissociais e demonstrar insegurança.

O estudo também descobriu que a proximidade física aumenta a exposição do bebê aos chamados reguladores ocultos. Ou seja, os bebês têm mais chances de passar por uma série de eventos sensório-motores, térmicos e táteis capazes de regular em longo prazo o sono e o comportamento deles. Isso significa que compartilhar a cama faz com que os pais e seus filhos tenham mais contato físico do que quando dormem em quartos separados.

O toque materno é capaz de reduzir a reação fisiológica dos bebês ao estresse, mostrando que o simples contato pele a pele pode acalmar um momento crítico. Além disso, esse estudo também mostra que o cheiro do leite materno tem efeitos analgésicos em bebês prematuros durante procedimentos dolorosos. O compartilhamento do quarto faz com que os bebês experimentem mais desses reguladores ocultos, incluindo toque e odores maternos.


Para identificar a influência do compartilhamento do ambiente durante o sono, ao longo da infância, os pesquisadores conduziram o estudo com bebês que dividiram o quarto com seus pais durante os seis primeiros meses de vida. As crianças foram acompanhadas desde a gestação até os 7 anos de idade. A pesquisa se iniciou com 220 mães e se encerrou com 177 famílias que cumpriram todas as etapas.

No primeiro estágio, os pesquisadores analisaram o local e o sono do bebê diariamente, durante os seis primeiros meses. Depois, quando completaram 6 anos, as mães e os professores das crianças responderam a questionários sobre a qualidade de sono e o comportamento sociável. Quando elas completaram 7 anos, as mães responderam a outro questionário sobre a internalização e externalização de seus filhos.

Depois da pesquisa, é possível constatar que o compartilhamento de quarto não prejudica o sono na meia-infância, as crianças se tornam mais autossuficientes e socialmente competentes. O fato de bebês despertarem durante a noite não vai mudar com a distância ou proximidade, o que se altera é o fato de os pais conseguirem atender às demandas do filho mais rapidamente. É normal que um bebê não durma, ele não possui o mesmo desenvolvimento cerebral que os adultos, em outras palavras, ele ainda é incapaz de dormir da mesma forma que pessoas mais velhas.

Dividir o quarto com as crianças logo nos primeiros meses de vida pode reduzir os riscos de morte súbita, além de influenciar positivamente na personalidade das crianças, ajudando-as a serem mais independentes, sociáveis, empáticas, altruístas e seguras. Isso acontece porque, desde os primeiros dias, recebem cuidado pleno, sentindo-se acolhidas e amadas, sem precisar experimentar altos níveis de estresse que, comprovadamente, atrapalham o desenvolvimento infantil.


Alguns profissionais indicam que o melhor seria compartilhar apenas o ambiente, enquanto outros acreditam que os pais podem sim compartilhar a cama, apenas respeitando estas três indicações:

1. Dormir de barriga para cima (posição supina)

 A Academia Americana de Pediatria recomenda que os recém-nascidos durmam de barriga para cima, o que eles chamam de posição supina. Dormir de bruços (posição prona) é apenas indicado quando o bebê corre risco de morte por refluxo, algo que apenas um pediatra pode constatar. A partir do momento em que a criança aprende a rolar, ela já pode ser deixada na posição que assume.



2. Superfície firme

 O colchão deve ser bem firme, coberto por um lençol justo, sem nenhum outro tipo de roupa de cama. Nada de cobertores, almofadas, travesseiros ou protetores de berço, tudo isso pode colaborar para que o bebê se sufoque ou passe muito tempo respirando o mesmo ar. É importante atentar para isso: eles não conseguem tirar um tecido do rosto ou se ajeitar por falta de controle dos próprios músculos.


3. Aleitamento materno


 A amamentação materna exclusiva, até os seis meses, é recomendada, pois é um dos principais fatores protetivos de morte súbita. O mais indicado é que seja apenas o aleitamento materno mas, caso não seja possível, já foi comprovado que qualquer aleitamento é melhor que nenhum.

Caso os pais sejam fumantes, não é recomendado que se compartilhe a mesma cama, podendo ter o efeito contrário: ao invés de proteger da morte súbita, pode aumentar os riscos.

Vale lembrar que sempre é bom conversar com o pediatra do seu filho, certificando-se de que ele é um profissional atualizado, que respeita as vontades da família, sempre se baseando em estudos científicos mais novos.

E você, acha que as crianças devem dividir o mesmo ambiente que seus pais para dormir?


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