Comportamento

“Bem-estar começa com comida na mesa e casa para morar”, diz Luiza Trajano

capa site Bem estar comeca com comida na mesa e casa para morar diz Luiza Trajano

A empresária já tinha decidido não se omitir em questões políticas, econômicas ou sociais, e sempre que tem a oportunidade, fala abertamente sobre o que acredita e defende.

Eleita como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2021, pela revista Time, Luiza Trajano, de 70 anos, é também uma das pessoas mais ricas do Brasil que mais se envolvem com questões minoritárias, envolvendo não apenas seu nome, mas também sua empresa, o Magazine Luiza ou Magalu.

As áreas que costuma abraçar causam certo desconforto em quem assiste, de longe, a impactante trajetória da empresária, que além de não se omitir em aspectos que considera de extrema relevância ao país, coloca-se como pioneira em inúmeros aspectos empresariais, como a criação de um programa de trainee executivo destinado somente para candidatos negros.

Em meio a críticas e apontamentos, Luiza não se sente atingida ou prejudicada, acredita que as escolhas que toma ainda são atrasadas e deveriam minimamente auxiliar na redução da desigualdade social e do racismo “à brasileira”, em que todos afirmam não ser racistas, mas em contrapartida só empregam pessoas negras em cargos de baixo escalão.

Trajetória de vida

Segundo reportagem do The New York Times, Luiza Trajano transformou um pequeno estabelecimento familiar, que vendia presentes, em uma gigante do varejo, com mais de 1.400 lojas espalhadas pelo Brasil. Nascida em outubro de 1951, em Franca, interior de São Paulo, ela começou a trabalhar no empreendimento familiar ainda na adolescência, onde desenvolveu uma grande afinidade pelo atendimento ao cliente e pelo setor de vendas.

2 Bem estar comeca com comida na mesa e casa para morar diz Luiza Trajano

Direitos autorais: Reprodução/ Arquivo pessoal.

Trajano conta que aos 17 ou 18 anos já tinha uma capacidade empreendedora que se destacava, inventando “pequenas revoluções para investir mais nos funcionários”. Foi nessa época que se viu fascinada pelas ações e fatores que motivam os trabalhadores, chegando a levar um psicólogo para a loja.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @luizahelenatrajano.

Em 1991 assumiu o controle dos negócios como supervisora de uma enorme expansão pelo território nacional sob um mantra que não se acanha em reproduzir: “Torne à disposição de muitos o que tem sido um privilégio para poucos”. 

Atualmente, o Magazine Luiza oferece de tudo um pouco, desde eletrodomésticos a produtos de beleza, mas ela garante que o principal esforço foi em construir uma cultura em que os trabalhadores se comprometam verdadeiramente com o sucesso da marca.

Posicionamento e críticas

Luiza preparou o filho Frederico Trajano, de 45 anos, para assumir o cargo de executivo-chefe, e foi ele quem teve a ideia, em 2020, de implantar o programa de trainee apenas para candidatos negros. Foram dias seguidos da hashtag #MagaluRacista inundando críticas no Twitter, e ela foi ameaçada por um parlamentar que desejava que promotores federais abrissem uma investigação contra a empresa.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @luizahelenatrajano.

Ela não retrocedeu, falou abertamente que esse é um passo necessário — e atrasado — para diversificar os altos escalões, que perpetuam o brutal legado do racismo, sendo o Brasil um dos últimos países a abolir a escravidão, o que aconteceu apenas em 1888. Trajano não abre mão de questões que considera necessárias, como raça, desigualdade social, violência doméstica, mulheres na política e as falhas no sistema político.

Desde o início da pandemia, mas principalmente quando o governo ainda lutava para comprar as vacinas contra a covid-19, enquanto o presidente Jair Bolsonaro plantava dúvidas sobre sua eficácia, Luiza Trajano foi uma das pessoas que mais defenderam a imunização da população. Uma das estratégias que lançou foi mobilizar sua rede de mulheres para pressionar o governo a agir com mais eficiência.

Existem rumores de que Trajano pode concorrer às eleições presidenciais de 2022, sendo companheira da chapa de Luís Inácio Lula da Silva, o favorito na corrida de acordo com todas as últimas pesquisas eleitorais. Mas ela descarta sua participação na política e reforça que não concorda com o sistema partidário da forma como é atualmente.

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Direitos autorais: Reprodução Instagram/ @luizahelenatrajano.

Em novembro do ano passado, quando a suposta coalisão entre Lula e Trajano começou a circular na internet, o preço das ações da empresa caiu. O presidente Bolsonaro chegou a afirmar que ela seria “socialista”, e quando perguntada sobre o assunto, respondeu: “Acho que a desigualdade social deve ser enfrentada. Se isso é ser socialista, então eu sou socialista.”

Em entrevista ao UOL, a empresária ainda revelou que, para ela, o bem-estar só começa quando a população como um todo possui comida e um teto para morar. Outras questões como o feminismo também circundam Trajano, que defende sim a igualdade entre os homens e as mulheres, principalmente no universo em que atua, onde a maioria dos donos de grandes marcas ainda são homens.

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