Por que sentimos mais fome quando está frio? Entenda as causas
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Por que sentimos mais fome quando está frio? Entenda as causas

Descubra por que sentimos mais fome no frio e como manter uma alimentação equilibrada durante o inverno, evitando excessos e cuidando da saúde

Avatar De Lais BrandaoLais BrandaoBem-Estar e Saúde25/06/2025 às 15:38

Por Que Sentimos Mais Fome Quando Está Frio? Entenda As Causas
Foto: Reprodução / Canva

Durante o inverno, é comum notar um aumento no apetite, especialmente por pratos mais quentes, reconfortantes e ricos em calorias. Essa intensificação da fome está ligada a uma combinação de aspectos fisiológicos e emocionais que marcam essa estação do ano.

Quando as temperaturas caem, o corpo precisa trabalhar mais para manter-se aquecido; esse esforço gera um maior gasto energético, estimulando a sensação de fome com frequência maior do que em outras épocas.

Além disso, o frio ativa a gordura marrom — um tipo de tecido que queima calorias para produzir calor — e eleva levemente a taxa metabólica basal, exigindo substrato energético constante para a termogênese.

Ao mesmo tempo, dias mais curtos e menor exposição à luz solar reduzem a síntese de vitamina D e alteram os ciclos circadianos, o que contribui para oscilações hormonais. Níveis menores de melatonina à noite e de serotonina durante o dia podem bagunçar o relógio biológico, interferir no humor e aumentar a vontade de comer.

Fisiologicamente, hormônios reguladores de saciedade e fome também entram em cena: a grelina tende a subir em baixas temperaturas, sinalizando que “é hora de comer”, enquanto a leptina — responsável por avisar que já estamos saciados — pode cair, reforçando o desejo por refeições mais encorpadas.

Influência do frio no humor e no apetite

Além da necessidade de calorias extras, o inverno afeta diretamente nosso estado emocional e a regulação do apetite. A redução na produção de serotonina, neurotransmissor ligado ao bem-estar, faz com que o cérebro busque mecanismos rápidos de recompensa; por isso crescemos o olho em alimentos ricos em carboidratos, que aumentam a disponibilidade de triptofano (precursor da serotonina) e geram alívio momentâneo.

A baixa luminosidade também favorece a chamada “depressão de inverno” ou transtorno afetivo sazonal (SAD), cujos sintomas incluem cansaço, sonolência diurna, mau humor e, justamente, maior apetite — em especial por pães, massas e doces.

Esses fatores bioquímicos se somam a mudanças comportamentais típicas da estação, como permanecer mais tempo em ambientes fechados e fazer menos atividade física ao ar livre.

A soma de sedentarismo, maior ingestão calórica e flutuação hormonal cria o terreno perfeito para “beliscos” frequentes e excesso de peso, caso não haja planejamento.

Fome emocional: quando o corpo não sente, mas a mente deseja

Em muitos casos, a vontade de comer no frio extrapola o instinto biológico e se transforma em uma resposta emocional às condições climáticas.

O clima introspectivo, o aconchego de cobertores e bebidas quentes e a sensação de melancolia podem despertar tristeza ou ansiedade, sentimentos que algumas pessoas “afogam” em comida. Esse mecanismo, conhecido como emotional eating, ativa os sistemas de recompensa do cérebro, provocando liberação de dopamina e reforçando o comportamento de buscar comida para conforto.

Com o tempo, esse padrão pode se tornar prejudicial: comer para anestesiar emoções gera culpa e reforça a autocrítica, disparando um ciclo vicioso no qual a comida é usada como válvula de escape. Estratégias de atenção plena — como identificar gatilhos emocionais, anotar o motivo do desejo, respirar fundo antes de abrir a geladeira — ajudam a quebrar esse ciclo.

Dicas práticas para se alimentar bem no inverno

Apesar de todos esses estímulos, é possível manter uma rotina alimentar equilibrada e saudável. Planejamento e escolhas conscientes são as chaves:

  • Invista em sopas completas: caldos com abóbora, cenoura, couve, frango desfiado ou feijão-branco fornecem fibras, proteínas magras e carboidratos de baixo índice glicêmico, saciando por mais tempo.
  • Mantenha o corpo em movimento: aulas on-line de ioga, treino funcional de 20 minutos ou simples caminhadas dentro de casa ativam a circulação e liberam endorfina.
  • Hidrate-se regularmente: a sensação de sede diminui no frio, mas a água continua fundamental para o metabolismo, o transporte de nutrientes e o controle do apetite.
  • Equilibre indulgências: chocolate quente pode ser preparado com cacau 70%, leite semidesnatado e pouco açúcar; troque queijos gordos por opções semidesnatadas.
  • Exponha-se à luz natural: 20 minutos perto da janela ou uma caminhada curta pela manhã ajudam a regular o relógio biológico, melhoram o humor e reduzem a vontade de comer fora de hora.
  • Pratique alimentação consciente: faça pausas antes de repetir o prato, mastigue lentamente e observe se a fome é física ou emocional.

O inverno pode — e deve — ser acolhido também à mesa, sem culpa. Quando escolhemos pratos nutritivos, mantemos atividade física e escutamos os sinais internos, o corpo agradece.

Assim, é possível desfrutar o aconchego da estação sem comprometer a forma física nem o equilíbrio emocional. Com um pouco de planejamento e consciência alimentar, cada refeição se torna um ponto de prazer, energia e saúde.

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