Comportamento

Boné do MST é vendido como item de moda e gera debate: quem pode usar?

capa site Bone do MST e vendido como item de moda e gera debate quem pode usar

“Para o MST é muito importante encontrar o símbolo da organização não só no campo, mas também na cidade”, defende o movimento.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi fundado em 1984, por trabalhadores rurais que se organizaram em um movimento camponês nacional, com três principais objetivos: lutar pela terra, lutar pela reforma agrária e lutar por mudanças sociais no país de maneira geral.

A luta do movimento auxiliou também na construção da nova constituinte, aprovada em 1988, que garantem desapropriação de terras que não cumprem sua função social. Segundo o artigo 186 da Constituição Federal do Brasil, a “função social é cumprida quando a propriedade rural atende aos seguintes requisitos: aproveitamento racional e adequado; utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; observância das disposições que regulam as relações de trabalho; e exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores”.

Com quase 40 anos de existência, o MST está organizado em todas as regiões do país, e pode ser considerado um dos movimentos sociais de luta pela terra do Brasil e do mundo, sendo um dos principais produtores de arroz orgânico da América Latina, segundo reportagem da BBC. A educação e a agricultura familiar são as principais áreas de desenvolvimento, garantindo que a população brasileira se alimente com qualidade.

Símbolos de luta

Nos últimos dias, uma polêmica acabou surgindo no Twitter, quando os usuários debateram sobre quem podia ou não usar os acessórios com os símbolos do MST, como camisetas e bonés. Os usuários estavam divididos, enquanto muitos acreditavam que se tratava de apropriação cultural utilizar as vestimentas do movimento, outros defendiam que era importante que as pessoas da cidade usassem mais esses marcadores como forma de luta.

Bone do MST vira item fashion e gera polemica 1

Direitos autorais: Reprodução/Twitter

Depois de muito debate, o próprio movimento emitiu uma nota em suas redes sociais falando sobre o assunto. Segundo a organização nacional, o boné do MST é um símbolo de organização, assim como a bandeira, o hino, a lona preta, a foice e o facão, e representam a identidade de uma organização com quase 40 anos de existência.

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Direitos autorais: Reprodução/Twitter

Todas as pessoas, sejam elas famosas ou anônimas, sem terra ou não, que apoiam a Reforma Agrária Popular, utilizam o símbolo para demonstrar apoio à organização e às famílias, mas também para demarcar apoio à luta do movimento. Para os membros do MST, essa ainda é uma forma de lutar contra a criminalização do movimento, além de garantir que o dinheiro ajude a financiar famílias que precisam dos recursos.

Produtos do MST

Além de produzirem grande parte dos alimentos consumidos no país em pequenos espaços de terra, o movimento social também possui armazéns para escoar a produção em várias cidades brasileiras. Os Armazéns do Campo estão presentes em 15 estados do país, e vendem alimentos sem agrotóxicos, alimentos não-perecíveis e outros itens como os tão falados bonés, camisetas e bolsas.

O boné tradicional é vendido por R$ 25 e pode ser encontrado online ou em um Armazém do Campo da sua cidade. A importância de comprar os produtos da terra, alertam os membros do movimento, está relacionada diretamente com a qualidade dos alimentos que deseja consumir, com o país que deseja viver e com a luta que acredita.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @movimentosemterra

Famosos como Lázaro Ramos, Alinne Moraes, Paola Carossella, Maria Ribeiro, Giovanna Nader, Otto, Chico Buarque, entre outros, são alguns dos que declaram publicamente o apoio ao MST e à Reforma Agrária Popular. Sempre em atos contra a liberação do pacote de agrotóxicos, vários são os encontros e marchas que realizam ao longo do ano.

No último dia 9, artistas de reuniram em frente ao Congresso Nacional em ato contra o “Pacote da Destruição”, evento organizado por artistas como Lázaro Ramos, Caetano Veloso, Malu Mader, Nando Reis, Emicida e movimentos sociais, como o MST, para pedir que a tramitação de projetos de lei seja pausada. Chamado de “Ato Pela Terra”, a principal reivindicação é que o projeto de lei 490/2007 seja parado, já que ele altera a demarcação de Terras Indígenas no país.

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