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Brasileira presa na Tailândia envia carta à família em MG: “Espero ver vocês o mais rápido possível”

Foto: Redes sociais
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A brasileira Mary Hellen, presa na Tailândia por tráfico de drogas em fevereiro, enviou uma carta para os familiares de Pouso Alegre (MG).

A informação foi repassada pelo advogado Telêmaco Marrace, que é um dos profissionais que compõem a defesa da jovem de 21 anos.

Segundo o advogado, a carta foi escrita em inglês para facilitar o entendimento das autoridades locais. Telêmaco contou que uma lei do país pune as pessoas que criticam o rei da Tailândia. A pena pode chegar a 15 anos de prisão.

“São vários presos de diferentes nacionalidades. Se cada preso escrever uma carta em seu idioma, dificultaria um pouco o acesso das autoridades para ter o conteúdo dessas cartas. Lá existe uma lei, chamada de Lei “lesa-majestade”. Nessa lei não tem como ninguém fazer qualquer crítica ao rei da Tailândia. Isso é levado severamente. Uma critica ao rei da Tailândia pode gerar uma pena de 15 anos”, explicou Telêmaco.

Na mensagem, a jovem fala sobre a saudade da família. Além disso, ela também disse que se sente melhor, mas que às vezes não consegue dormir.

“Eu estou pensando muito no meu caso. Eu não conseguia dormir de noite porque me preocupo muito. Obrigada por se lembrarem de mim e agradeço aos meus amigos por tentarem me ajudar com os advogados. Eu vou cuidar de mim. Tenho aqui dois amigos para me ajudarem. Eu estou muito melhor agora, espero ver vocês o mais rápido possível”.

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Mary Hellen, jovem moradora de Pouso Alegre presa na Tailândia – Direitos autorais: Reprodução/Redes sociais

Na mensagem, a jovem também envia beijos e abraços carinhosos aos familiares e amigos. Ela ainda diz que espera que a família e os amigos respondam sua carta e finaliza dizendo que vai sonhar com todos eles.

“Manda um beijo ao meu avô e para minha avó. Lembro de todos vocês no Brasil. Mãe, eu amo você tanto e espero que você melhore logo. Um grande obrigado a todos do Brasil por me ajudarem. Estou muito feliz agora. Espero que minha família e todos os amigos me respondam. Me faz sentir muito feliz e sorrir todo dia. Vou sonhar com vocês todas as noites”.

Segundo o advogado de Mary Hellen, as cartas entre a jovem e os familiares estão sendo trocadas porque a superlotação nas prisões da Tailândia e a pandemia de Covid-19 dificulta a realização de chamadas de vídeo. Ele disse que não sabe quem escreveu a carta para Mary Hellen, mas acredita que ela tenha contado com a ajuda de organizações que atuam no presídio e no país.

O advogado também informou que em breve haverá uma audiência preliminar com a jovem, mas ainda não há data confirmada. A defesa também reforçou que já encaminhou a documentação sobre o perfil de Mary Hellen. O objetivo é comprovar a idoneidade moral dela, reforçar o perfil de trabalhadora, além de provar que ela não possui envolvimento com tráfico de drogas.

Ainda de acordo com o advogado, a defesa acredita que a jovem tenha entrado como “mula” e não sabia da existência da droga dentro da mala. Para ele, a carta enviada para a família comprova que Mary Hellen está com a saúde física e mental íntegras.

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Carta enviada por Mary Hellen para família em Pouso Alegre (MG) – Direitos autorais: Reprodução/TV Globo

Entrou no país de “mula”

“A Mary Hellen entrou de ‘mula’, com possibilidades de não ter conhecimento do que levava”, afirmou.

Telêmaco acredita que Mary Hellen tenha ido para a Tailândia como ‘mula’, ou seja, apenas transportou a droga apreendida no aeroporto de Bangkok. Em entrevista, o advogado explicou como é feito o aliciamento de jovens para o tráfico de drogas. O foco são mulheres fragilizadas.

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Mary Hellen: jovem presa por tráfico de drogas na Tailândia – Direitos autorais: Reprodução/Redes sociais

Estes garotos são aliciados pelos emissários dos grandes traficantes que ficam em ‘baladas’. Uma outra estratégia que utilizam é o chamado ‘Angel’, que funciona da seguinte forma: o emissário do traficante cria perfis no Tinder, Instagram e Facebook… É o ‘cara’. Jogam a isca e simulam uma paixão…Daí as garotas são convidadas para uma viagem internacional e eles enchem a mala com drogas no fundo falso. Muitas vezes as gurias entram numa fria e realmente são inocentes. E com os rapazes, a promessa é de vida boa…Carros, riqueza etc…”, explicou.

A família não sabia da viagem internacional e do suposto envolvimento dela com as drogas. Segundo Mariana Coelho, irmã de Mary Hellen, ela tinha informado que iria viajar para Curitiba, mas não contou o motivo. A irmã pensava que ela teria ido ao encontro de um possível namorado.

Entenda o caso

A brasileira foi presa no país asiático, no dia 13 de fevereiro, sob a suspeita de tentar desembarcar com a droga. Ela morava em Pouso Alegre, a 373 km de Belo Horizonte.

Outros dois jovens, de 27 e 24 anos, também foram detidos no mesmo dia, mas a família da jovem diz que não sabia se a mineira conhecia os outros presos. Os três detidos saíram de Curitiba, no Paraná. O homem de 27 anos estava no mesmo voo de Mary e o de 24 desembarcou de outra aeronave.

Quando eles chegaram ao país asiático, as autoridades encontraram 15,5 kg de uma substância semelhante a cocaína nas malas dos suspeitos, avaliada em R$ 7 milhões.

De acordo com a defesa de Mary, até toda a situação da jovem ser decidida devem passar aproximadamente dois anos. Enquanto isso, a mineira deve permanecer presa na Tailândia.

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