Comportamento

Bruno Gagliasso publica foto ao lado de pai de santo e internautas praticam intolerância religiosa

Bruno Gagliasso publica foto

A postagem compartilhada pelo ator gerou uma enxurrada de comentários ofensivos e intolerantes, fazendo com que outras personalidades falassem sobre o caso.



Escrita à luz da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, a Constituição Federal Brasileira, de 1988, garante, em seu artigo V, a liberdade religiosa. “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”.

Com uma Constituição que garante o livre exercício da fé, e a Lei 9.459, de 1997, que considera crime a discriminação ou preconceito contra religiões, sendo inafiançável e imprescritível, a população deveria ser mais tolerante, mas essa não é a realidade.

Historicamente também somos um país que alimenta, de maneira discreta, seu racismo velado, por isso, religiões de matrizes africanas acabam pagando um preço alto pelo duplo preconceito, o de raça e o de intolerância religiosa.


De acordo com os números levantados pelo Disque 100, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, em janeiro de 2020, as denúncias de intolerância religiosa aumentaram 56% no país.

De todas as crenças citadas, a de matriz africana fica em segundo lugar, perdendo apenas para a porcentagem que não informou qual era a religião. Em muitos casos, sem saber de seus direitos, as vítimas nem sequer fazem a denúncia, o que significa que os números retratam apenas uma parte da realidade.

Em 2019, com o objetivo de prestar assistência contábil, jurídica e psicológica às casas e praticantes das religiões de matrizes africanas, foi criado o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões de Matriz Africana (Idafro). No mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) também decidiu que a prática dos rituais de sacrifício não viola a Constituição, não sendo considerada crime.

Para quem acredita que apenas os terreiros ou as casas de fé sofrem com a intolerância, engana-se. São muitos os praticantes e fiéis que relatam não conseguir exercer a liberdade religiosa de maneira pública, principalmente quando outros já sabem qual crença seguem. No início de outubro, o ator Bruno Gagliasso, de 39 anos, compartilhou no seu perfil do Instagram uma foto ao lado do pai de santo Balbino e da mãe de santo Fabiana de Paula, do Ilê Axé Opô Aganju, terreiro de candomblé no Rio de Janeiro.


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Direitos autorais: reprodução Instagram/@brunogagliasso.

Não foram poucos os internautas que desejaram muito axé à família do ator, que escreveu na legenda da imagem que se sentia muito feliz por “bater cabeça” e “receber a bênção” de quem há muito tempo cuida dele e seus familiares. Mas, surpreendentemente (ou nem tanto assim), outros seguidores fizeram questão de demonstrar sua intolerância religiosa.

Entre os comentários, os seguidores afirmavam que ele “não conhecia Deus”, acusando-o de não conhecer a história do cristianismo, por isso frequentava o terreiro candomblecista. Entre citações de versículos da Bíblia e ofensas, muitos também afirmaram que Jesus tinha morrido por ele e que era uma pena que tivesse “se desviado”.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/@brunogagliasso.


E os comentários intolerantes não pararam por aí, uma seguidora disse que quem cuidava dele e de sua família era apenas Deus, e que pai Balbino e mãe Fabiana jamais entregariam o próprio filho para salvá-los. Além das comparações, outros se “limitaram” a dizer que ele precisava ser salvo, pedindo uma intervenção divina.

A intolerância não passou batida, e outros usuários, sabendo do nível de preconceito que estava sendo destilado nas respostas, resolveram devolver as ofensas no maior estilo intelectual. Pedindo que os “fiéis” estudassem um pouco a vida de Jesus, afirmaram que ele nunca se meteria na religiosidade dos outros porque respeitava o próximo, sendo isso o que mais pregava para a comunidade.

A publicação teve um alcance tão grande, que o professor e historiador Leandro Karnal decidiu se manifestar em uma publicação no Facebook. Dizendo que o ator tinha postado uma foto ótima e que dezenas de usuários tinham tecido comentários raivosos, ele defendeu que os intolerantes religiosos podem ser considerados uma “invenção do próprio capeta”, já que são eles quem mais atacam a ideia de Deus.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/@brunogagliasso.


A intolerância religiosa é crime, sendo inafiançável e imprescritível. Além disso, precisamos sempre lembrar que o país onde vivemos é laico, ou seja, promove de maneira oficial a separação entre Estado e religião. Isso significa que, judicialmente, todos os cidadãos devem ser tratados como iguais, independentemente de qual religião sigam.

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