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Crueldade: cabeça de mulher é achada em tronco de árvore em João Pessoa

Foto: Reprodução
cabeça mulher

O caso ainda segue sem suspeitos, familiares disseram que a vítima fazia uso de medicamentos controlados, o que ainda não justifica morte violenta.

A violência sistêmica contra as mulheres mostra as inúmeras desigualdades que foram construídas ao longo da história, que reverberam na sociedade, na política, na cultura e na economia de grande parte dos países do mundo. As relações de poder que acabam se estabelecendo a partir da construção de gênero faz com que sejam negados direitos às mulheres.

Historicamente, no Brasil, temos uma construção baseada nas relações desiguais entre homens e mulheres. Segundo o Dossiê: Violência Contra as Mulheres, da Agência Patrícia Galvão, a legislação do Brasil Colônia dava aos maridos o direito de assassinar suas esposas. O Código Civil que permaneceu de 1916 a 2002 colocava as mulheres casadas na categoria de “incapazes”.

Ainda que nas últimas décadas tenhamos percebido sensíveis avanços, é preciso compreender que as raízes culturais do país são construídas sobre a violência de corpos vulneráveis, de negros, mulheres e crianças, principalmente. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada sete horas, uma mulher foi vítima de feminicídio no país em 2021.

Na Paraíba, de janeiro a dezembro do ano passado, 83 mulheres foram assassinadas vítimas de crimes letais intencionais. Deste número, cerca de 30 estão sendo investigados como feminicídio, que é quando a mulher morre por questões de gênero. Sempre de maneira cruel, envolvendo humilhação, violência sexual e imposição de força, as vítimas frequentemente perdem suas vidas por se recusarem a sair com alguém, por tentarem colocar um ponto final em uma relação amorosa, ou mesmo porque seus companheiros demonstram possessividade excessiva.

São muitos os crimes que chocam a população, e eles ocorrem em todas as cidades do Brasil, como se a vida dessas mulheres não tivesse tanto valor quanto a de seus agressores. No dia 10 de abril deste ano, na Região Metropolitana de João Pessoa, a cabeça de uma mulher foi encontrada em um tronco de uma árvore, que ficava perto do Açude das Águas Minerais, em Santa Rita.

O caso foi apurado pelo Portal T5, que informou que o corpo da vítima foi encontrado em uma vala, às margens da BR-230. A perícia relatou que o corpo tinha sinais de agressão e perfurações consistentes com arma branca, mas ainda não é possível dizer qual foi a arma do crime. Assim que souberam da notícia, os familiares da vítima foram até o local.

A mulher era Jozicleide Maciel, de 40 anos, e, de acordo com um familiar, ela tinha cinco filhos e não estava envolvida com drogas ou qualquer outra organização criminosa da região. Segundo informações policiais, ela foi encontrada em um local onde o índice de criminalidade é muito alto, o que pode ser uma das explicações, mas ainda não existem suspeitos.

Uma das filhas da vítima alegou que o caso era “uma barbaridade”, e que nenhum dos familiares se conformavam com o que tinha acontecido. Além de ser uma boa pessoa e não ter envolvimento com nenhum ato criminoso, a filha ainda explica que ela era dona de casa e mãe de família, que não merecia ser tratada da forma que foi. “Fizeram dela como fazem com um animal”, disse a mulher que preferiu não ser investigada.

O sepultamento do corpo ocorreu no início da tarde do dia seguinte ao crime, em um cemitério do município. As informações preliminares são de que a vítima sofria de alguns transtornos psicológicos, e que fazia uso de medicamentos controlados, ainda assim não existe nada que justifique o ocorrido e a crueldade do caso. A polícia segue buscando pistas ou dicas do que pode ter acontecido.

Se você presenciar um episódio de violência contra a mulher ou for vítima de um deles, denuncie o quanto antes através do número 180, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.

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