Comportamento

Cada vez que um paciente morre, médica compra uma planta: “Procuro conhecê-los!”

2 capa Cada vez que um paciente morre medica compra uma planta Procuro conhece los

Desde que começou a trabalhar na área da saúde, a médica decidiu comprar uma planta para cada paciente que perdesse. Ela acredita que seja uma forma de homenagear cada um deles.



A morte é uma das coisas mais tristes e misteriosas que existem. Não sabemos nada sobre ela, e cada um tem uma teoria ou crença diferente, mas todos concordam em uma coisa: a saudade que fica é sempre maior do que se pode aguentar.

Cada pessoa que parte leva consigo um pedaço de seus familiares, mas também deixa parte de si nas pessoas que a amam. Não é simples lidar com a perda, não é fácil saber que aquela pessoa nunca mais vai fazer parte da rotina, não vai mais compartilhar risos e momentos, isso é naturalmente doloroso.

Os profissionais da área da saúde são as pessoas que lidam com a morte da maneira mais frequente que conseguimos pensar, sendo que, por vezes, têm aquelas vidas em suas mãos. Eles lutam contra as enfermidades, contra as estatísticas, contra as probabilidades e, principalmente, contra a tristeza e o esquecimento.


Nenhum profissional de saúde quer perder seu paciente, perder a batalha e avisar os entes queridos que não conseguiram fazer mais por ele. Pensando em nunca naturalizar essas mortes, a médica Katie Hodgkinson decidiu eternizar a memória de seus pacientes, comprando uma planta para cada alma que partiu.

Uma atitude delicada e repleta de significado para a doutora, que sempre deseja carregar uma pequena parte de cada um que, infelizmente, perdeu ao longo do tempo.

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Direitos autorais: reprodução Twitter/@katiehodgie.

Katie começou a trabalhar como médica há dois anos, como explica ao site Metro, e nunca se deu muito bem cuidando de plantas. No início, ela tinha um vaso de suculenta, que insistia em demonstrar sua “tristeza”, e uma roseira coberta de espinhos que havia ganhado do namorado.


Ela se sentia incapaz de cuidar de plantinhas e afirma que nunca conseguiu manter nenhuma viva por mais de poucas semanas.

Ela começou a trabalhar em uma enfermaria, combinada de cardiologia e derrame, que atendia pacientes extremamente vulneráveis. Ela conheceu uma paciente que tinha apenas algumas semanas de vida e insistia em apenas conseguir ver algumas flores desabrocharem na primavera. A equipe médica comprou alguns bulbos e ela conseguiu viver tempo suficiente para ver as primeiras flores se abrirem.

Nesse momento, ocorreu a Katie que, depois de uma vida na Terra, o que mais importava para aquela paciente era ver a beleza das cores e da vida, que chegava com uma nova estação.

Foi quando a médica passou a enxergar as plantas de uma maneira completamente diferente.


Katie teve uma paciente que não morava naquela região, por isso não tinha tantos familiares que a visitavam com frequência. A médica se tornou sua visitante mais regular, colhendo seu sangue todas as manhãs e pedindo diversos exames.

Em um fim de semana, o resultado do exame de sangue mostrava que ela estava com uma bactéria fortíssima no organismo, que exigiu cinco semanas de antibiótico.

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Direitos autorais: reprodução Twitter/@katiehodgie.

A infecção nunca conseguiu ser, de fato, controlada. Ela recebeu remédios mais fortes, transfusões de sangue, mas não foi suficiente. A equipe chamou a família e a paciente morreu durante uma noite, sem resistir à infecção.


Sua irmã da paciente pediu que a médica a acompanhasse até um centro de jardinagem, foi quando ela se deparou com uma incrível Calathea brilhante, com listras vibrantes em rosa, que tinham o mesmo nome de sua paciente.

Ela decidiu levar a planta para casa. Ao longo de sua jornada, em um hospital tão cheio, mais pacientes morreram, infelizmente. A equipe médica sempre se esforçou para proporcionar o melhor a quem quer que estivesse ali, levando famílias, fazendo o casamento de um paciente em estado terminal e até já contrabandeou um cachorrinho para o quarto de uma mulher dentro de sua jaqueta.

Katie sabe que ninguém quer perder um ente querido, assim como nenhum médico quer que uma pessoa morra, mas que se sente honrada em fazer parte de uma equipe que, ao menos, tenta fazer com que as mortes sejam dignas.

Todas as vezes que uma pessoa morria, Katie ia ao centro de jardinagem e procurava por uma planta que tivesse o mesmo nome ou representasse aquele paciente de alguma forma. Ela queria se lembrar de todos eles.


Foi quando ela, automaticamente, passou a cuidar cada vez melhor de suas plantas. Cronograma de rega, sol, vasos melhores, adubo, cuidado verdadeiro, assim como fazia com cada pessoa que cruzava sua vida.

Katie explica que cada médico cria uma forma própria de tentar se lembrar de seus pacientes, principalmente aqueles que perdeu. Acender uma vela, um momento de silêncio, uma reunião com os amigos, plantar árvores.

A pandemia foi outro momento em que ela e sua equipe tiveram que entrar em cena. Ela trabalhava no setor de ortopedia, mas sua enfermaria começou, logicamente, a receber pacientes com covid-19. Logo, quando já não tinha mais o que fazer, quando o oxigênio que ofertavam era insuficiente, quando os esteroides não surtiam efeito, a única coisa que podiam fazer era criar algum tipo de conforto a cada um que estava ali.

Os parentes não podem entrar, então a equipe médica e da enfermagem acaba assumindo esse papel, de mãos dadas, segurando telas para que eles possam falar com seus entes e confortando da forma como conseguem cada um. Quando Katie começou a trabalhar com a pandemia, havia 15 plantas em sua casa, mas conforme o tempo passou, seu espaço se tornou insuficiente.


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Direitos autorais: reprodução Twitter/@katiehodgie.

Algumas pessoas disseram que ela passasse a comprar uma planta por semana e não uma por paciente, ou que plantasse árvores em locais públicos, mas aquilo não lhe parecia certo. Ela passou a plantar sementes e acender velas, qualquer coisa que fizesse jus à memória daquele paciente. Ela se sente feliz de estar cercada de tanta vida, e acredita que cada uma daquelas pessoas também se sentiria emocionada.

Katie atualmente mudou de hospital e conta que não perde mais tantos pacientes, algo que a deixa mais tranquila e animada. Mas influenciou muitos amigos ao longo desse tempo a também plantar ou cultivar algo em homenagem aos pacientes.

Que linda atitude!


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