Camaleões sociais: pessoas que mudam de acordo com as circunstâncias

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Você conhece algum camaleão social?

Os camaleões sociais são aquelas pessoas desesperadas em causar uma boa impressão naqueles ao seu redor. Por isso, estão dispostas a fazerem o que for preciso para que sejam aceitas em todos os ambientes que frequentam. Mudando de personalidade, sonhos e valores a cada novo encontro, elas escondem seus próprios sentimentos, pensamentos e opiniões, e com o tempo podem até mesmo se esquecer de quem realmente são. Esse modo de vida fere a alma, o espírito e compromete a dignidade pessoal.



No filme “Zelig”, o diretor Woody Allen nos apresenta um protagonista com uma habilidade única: a capacidade de mudar completamente sua aparência para se adaptar a qualquer ambiente em que se encontre. Em determinado momento do filme, a explicação para a condição do protagonista é explicada por um jovem psicanalista: uma extrema insegurança que o leva a se esconder entre as pessoas para que sempre possa se sentir aceito e validado.

O filme traz uma séria reflexão sobre o tema, falando sobre psicologia e transtorno de identidade e é uma ótima indicação para quem deseja compreender melhor o padrão de comportamento humano.

O camaleão social em nós mesmos

Por mais que sejamos independentes e donos de nossos destinos, em algum momento todos já fomos, ou seremos, camaleões sociais. Todos já escondemos alguma característica particular para parecermos mais agradáveis ao olhos daqueles que estão ao nosso redor.


Até certo ponto, isso é normal, porque mostrar-nos ao mundo com total autenticidade e transparência não é nada fácil. Somos falhos, imperfeitos, e temos medo de decepcionar e afastar as pessoas com nossos pensamentos e comportamentos. A sociedade parece estar cada vez mais exigente, com mais moldes e padrões do que é certo e aceitável, e isso pode facilmente nos influenciar a viver uma vida de aparências, mentiras.

É fundamental nos lembrarmos de que nossa missão nessa vida é sermos quem realmente somos, e não fantoches. Precisamos respeitar a nós mesmos em nossas particularidades e também as pessoas ao nosso redor com suas “estranhezas”. O valor de ser aceito nunca é mais prazeroso do que ser feliz sendo quem realmente é.


Camaleões sociais e o preço psicológico

Para Mark Snyder, renomado psicólogo social da Universidade de Minnesotta e especialista em estudos sobre a necessidade universal de ser aceito, os camaleões sociais são pessoas extremamente infelizes e não é difícil concordar com esse ponto de vista.


Imagine uma pessoa que obrigue a si mesma a corresponder os padrões da sociedade, todos os dias. A cada vez que replica um padrão pré-definido, ela abre mão de uma parte de si mesma. Essa pessoa vive contra os desejos de seu coração e está constantemente fazendo o oposto do que deveria estar fazendo, tudo isso para causar uma boa impressão. Isso a impede de seguir seu propósito, estabelecer conexões saudáveis, além de contribuir para o esgotamento mental, físico e espiritual.

Ser um camaleão social é muito cansativo, porque nos obriga a estar atentos às regras, demandas e obrigações de cada contexto, além de estar em sintonia com as reações das pessoas ao nosso redor. Para criar confiança nas pessoas que deseja impressionar, o camaleão social vive em uma constante pressão interna e os prejuízos desse modo de vida são muito significativos, a curto e a longo prazo.

Para verdadeiros camaleões sociais não há limites. Eles se arriscam a perder tudo o que os tornam quem são para conquistarem seus objetivos. No entanto, como sua essência é afetada, eles não são capazes de ter relacionamentos verdadeiros, com pessoas que os amam e admiram por quem são, o que limita muito seu nível de felicidade verdadeira.


Camaleões sociais ou zebras sociais, quem você deseja ser?

Em alguns momentos na vida, principalmente na área profissional, precisamos da habilidade cameleônica para atrair atenção, mostrar diferencial, conquistar clientes, construir confiança. Algumas profissões, mais voltadas para marketing e vendas, além de teatro ou diplomacia, valorizam as habilidades de persuasão como uma qualidade essencial para o sucesso.

Todos nós somos camaleões em algum momento da vida, mas para o Dr. Mark Snyder, para termos uma vida saudável e equilibrada, devemos ser, ao invés disso, “zebras sociais”. As zebras, não importa onde ou quem estejam, são sempre autênticas, suas listras não mudam de tamanho ou forma.

Nem sempre, nossas “listras” agradarão a todos, mas quando nos mantemos fiéis a nós mesmos, conquistamos relacionamentos verdadeiros, motivados por interesses mútuos e que nos ajudam a melhorar nossas vidas.

Viver para agradar os outros é extremamente cansativo e improdutivo, porque nunca seremos bons o suficiente. Portanto, devemos aprender a viver em verdade, sem mentiras e máscaras, valorizando nossas listras e criando a felicidade a partir de dentro.

Aceite-se e sua vida será muito mais iluminada e próspera!


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