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Câncer de Lua, filha de Tiago Leifert, é raríssimo: “Duzentos casos por ano no Brasil”

Cancer de Lua filha de Tiago Leifert e rarissimo

Neste sábado (29), o apresentador Tiago Leifert e a esposa Daiana Garbin, também jornalista, surpreenderam seus seguidores nas redes sociais ao revelar que a filha, Lua, 1 ano e 3 meses, está lutando há quatro meses contra um câncer.

“No comecinho de outubro do ano passado, a gente descobriu que a nossa filha, Lua, está com câncer. Ela está com um tipo de câncer nos olhos, muito raro, que se chama retinoblastoma. É um câncer que acontece nas células da retina. Elas acabam tendo um crescimento desordenado e acaba formando tumores, que podem ser em um olhinho só ou, como no caso da nossa filha, bilateral. Ela está com um tumor em cada olho”, explicou a jornalista, no vídeo (para assistir clique aqui).

Segundo Leifert, o diagnóstico e tratamento da filha foi o motivo do afastamento dele da TV Globo.

“É muito difícil e isso explica o nosso sumiço acima do normal das redes sociais. A gente ficou muito abalado no começo, e foi isso que me tirou do The Voice Brasil. Agora, a gente ta começando a se organizar, a tentar trabalhar, a tentar viver de novo, mas não se preocupem, a gente está bem”, garantiu ele.

Importância do diagnóstico precoce

O casal insistiu no alerta sobre a importância do diagnóstico precoce: “É muito difícil descobrir este câncer e é por isso que a gente está gravando esse vídeo pra vocês. Normalmente, é um câncer que acontece em crianças muito pequenas, antes dos 2 ou 3 anos de vida, quando a criança ainda não fala, está muito pequenininha. Então, ela não consegue expressar que não está enxergando mais, e os pais também não percebem. A gente teve muita sorte ao descobrir porque a Lua, aparentemente, sempre enxergou tudo: um fiozinho de cabelo, uma sujeirinha no chão, e a gente nunca imaginou que algo estivesse impedindo a visão dela. Só que o Tiago começou a perceber um movimento estranho no olhinho da Lua. Era como se o olho fazia um movimento irregular, e ele me dizia: ‘Dai, tem alguma coisa de errado no olhinho da Lua’. Eu dizia: ‘Para de ser chato, não tem nada, está ótimo’. E ele insistia: ‘Dai, tem uma luz branca no olhinho da Lua’. Até que um dia, eu percebi um reflexo branco, como se fosse olho de gato. E aí que a gente levou ela ao oftalmologista e recebemos esse diagnóstico”, revelou Daiana.

Tiago continuou: “A gente está tratando há quatro meses e pensamos longa e duramente se ia falar alguma coisa. E o consenso na família e amigos é que não, a gente não deveria falar nada, que deveríamos focar no tratamento. E vocês que nos acompanham, sabem como a gente é extremamente discreto com a nossa vida pessoal. Dificilmente, a gente posta alguma coisa da nossa vida, do nosso dia a dia. A Lua raramente aparece no feed da Dai ou no meu. Só que depois da última químio da Lua — ela já fez quatro —, a gente começou a mudar um pouco de opinião. Uma coisa começou a nos incomodar, que é saber tudo o que a gente sabe hoje e não dividir com você, que é pai e mãe, que é babá, avó, que esteja cuidando de um bebê. E eu falei para a Dai: ‘Meu sonho, o que eu mais gostaria, é que em agosto, julho, maio do ano passado, eu tivesse navegando pelo Instagram, pelo meu WhatsApp e eu tivesse acesso a um vídeo de um casal falando sobre a retinoblastoma. Então, eu estou fazendo esse vídeo junto com a Dai, não porque a gente está pedindo energia positiva — claro que se vocês quiserem mandar, a gente agradece muito —, mas é porque se a gente conseguir fazer com que um casal leve uma criança antes do que a gente conseguiu, missão cumprida. Então, o recado mais importante que a gente tem pra você que tem um bebê, uma criança pequena perto de você, é: se você reparar que tem um movimento irregular no olho dela; o globo ocular, às vezes, mexe de forma irregular; se você reparar que ela está te olhando meio de lado; se você reparar que quando você tira uma foto com flash, em vez de voltar o reflexo vermelho, volta um reflexo branco, procure imediatamente um oftalmologista”, reforçou Tiago.

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Direitos autorais: Reprodução/Instagram

O apresentador disse que o diagnóstico de Lua foi feito “no grau máximo” da doença. “Não tem sido fácil. A gente teve sorte, pois a Lua está enxergando bem do olho esquerdo. O olho direito ainda está precisando de mais trabalho, mais cuidados, que é o que nos preocupa nesse momento. A gente não sabe se está no começo, no meio ou no fim do tratamento. Isso é uma luta dia a dia que a gente vai levando, mas nós estamos bem e a gente quer que você que está nos assitindo fique melhor do que a gente, que você chegue antes no diagnóstico, para que você não tenha que ficar muitos, muitos meses na batalha como a gente”, pediu o jornalista.

Daiana continuou: “O mais importante, em qualquer tipo de câncer, é o diagnóstico precoce. No caso do retinoblastoma, quanto antes você descobrir, melhor, pois o olhinho é apertadinho, o tumor vai crescendo e vai apertando, vai descolando toda a retina e a criança pode ficar cega, pode ter que remover o olhinho inteiro e, às vezes, os dois olhos. Então, é muito importante descobrir o quanto antes”. “Como essa é uma doença muito rara — são cerca de 200 casos no Brasil por ano —, a gente nunca tinha ouvido falar. E talvez se algum dia, a gente tivesse ouvido alguém contar, a gente talvez teria ido ao médico antes. Preste atenção nos olhinhos das crianças”, frisou Daiana.

Tratamento

Segundo o casal, Lua está passando por quimioterapia através de cateterismo. “Como vocês podem perceber, ela ainda está com o cabelinho intacto porque a forma de fazer quimioterapia para o retinoblastoma é através de um cateterismo. Então, eles colocam um remédio só no olho, acaba indo um pouco para a circulação, mas não o suficiente para ter efeitos colaterais graves. E ela esta aí superalegre, cheia de energia. Se dependesse dela, a gente jamais descubriria”, alertou Tiago.

Entrevistas sobre o tema

Daiana disse que nas próximas semanas, pretende esclarecer mais sobre a doença através do seu perfil nas redes sociais. “A partir de agora, eu vou começar a falar mais disso aqui nas redes sociais, sobre câncer infantil, sobre o retinoblastoma. Nas próximas semanas, eu vou fazer entrevistas com médicos para tirar as dúvidas que vocês tiverem, para a gente falar sobre a importância do diagnóstico precoce e para falar também sobre o trabalho tão importante do Graacc. Estamos fazendo parte do tratamento da Lua lá e eles fazem um trabalho lindíssimo. E você pode ajudar o Graacc, eles dependem de doações”, finalizou Daiana.

Principais problemas oculares nas crianças

Uma pesquisa realizada pela Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira, órgão ligado à Organização Mundial da Saúde, mostra que oito em cada dez casos de problemas oculares poderiam ser evitados, caso houvesse um diagnóstico precoce. Outro dado da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira mostra que cerca de 33 mil crianças por ano no mundo deixam de enxergar por doenças oculares que podem ser evitadas.

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Direitos autorais: Reprodução/Instagram

Na lista das causas da cegueira infantil está a retinopatia da prematuridade e o retinoblastoma, câncer de Lua. A primeira, como o nome diz, acomete alguns prematuros. Ocorre porque os vasos sanguíneos que nutrem a retina não se desenvolvem totalmente, podendo, ainda, parar de crescer ou crescer de maneira anormal, comprometendo a visão. Um dos tratamentos mais utilizados quando o problema é diagnosticado precocemente é a cirurgia a laser, cujos raios barram o crescimento anormal dos vasos. Já o retinoblastoma é um tipo de câncer que atinge do recém-nascido até crianças de 5 anos, e tem como principal sintoma um reflexo branco na pupila, popularmente conhecido como “reflexo do olho de gato”. O tratamento é cirúrgico ou quimioterápico, com possibilidade de cura se o diagnóstico for precoce, o que também evita a enucleação (retirada do olho), em casos graves.

Ainda pode levar à cegueira infantil a catarata congênita, uma malformação do cristalino (espécie de lente natural do olho), geralmente causada por distúrbios metabólicos ou infecções na gravidez; a toxoplasmose, doença infecciosa provocada por um protozoário encontrado nas fezes de gatos e transmitida para o feto na gestação, e o glaucoma congênito, que ocorre por causa da pressão dentro do olho devido ao acúmulo de líquido. Segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, feita com 229 crianças com deficiência visual desde o nascimento até os 7 anos, essas três doenças (catarata congênita, toxoplasmose e glaucoma congênito) são as principais causas de cegueira nas crianças mineiras, dados que também refletem a situação no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP). “Tanto a catarata quanto o glaucoma devem ser diagnosticados nos primeiros dois meses de vida para que a cirurgia seja realizada”, diz o presidente da SBOP, Galton Vasconcelos, que também é membro do Grupo de Oftalmologia Pediátrica da SBP.

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