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Caridade ou solidariedade social?

É muito comum confundirmos caridade com solidariedade social. Quando falamos em caridade, logo nos vem à mente a doação de bens materiais de uma forma individual ou coletiva.



Mas, sermos solidários não é o mesmo que sermos caridosos. A solidariedade é um estímulo, uma maneira maravilhosa de expressão do bem, para tornar o ambiente em que vivemos um local menos desigual, socialmente falando. Já a caridade, vai além… A caridade vem de dentro e, normalmente, é invisível perante os olhos da sociedade.

Às vezes não é nem perceptível para quem já a faz de maneira natural, e imperceptível também, apesar de muito trabalhosa, para aqueles que a fazem em silêncio, no árduo processo de reforma íntima.

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Caridade é gentileza, é sorrir num simples bom dia, boa tarde ou boa noite, mesmo que a gente se sinta péssimo por dentro, por não querermos contagiar negativamente os outros com nossos problemas; é ficarmos quietos quando tivermos vontade de retrucar uma ofensa; é sentirmos compaixão ao invés de raiva; é não falarmos mal da vida alheia, mesmo quando a “língua coçar”, é conseguirmos fazer a fofoca morrer em nós; é elogiar ao invés de julgar ou simplesmente não falar quando não há nada bom a dizer; é ter sensibilidade; é não disseminar discórdia e sim harmonia; é não matar sonhos alheios, é enxergar o bem sempre, mesmo quando ele estiver bastante escondido; é conseguir reparar os próprios erros e perdoar os erros pelos outros cometidos.

A solidariedade modifica o ambiente exterior, tornando o mundo um lugar melhor para viver, mas não deve ser confundida com caridade, que é uma modificação do universo interior refletida em singelos gestos cotidianos, que não espera recompensas (nem divina), nem agradecimentos. Caridade é simplesmente aceitar as pessoas como elas são, é fazer prevalecer a razão quando o instinto falar alto, é carinho (“tocar o mundo do outro com respeito”), é olhar com os olhos da alma, sem interferência do próprio ego. É desde sorrir de uma piada sem graça para dar a graça, até se afastar de quem ama para libertar. Caridade não é doar o que tem, é se doar… Caridade é amar.

Plantio – Cultivo – Colheita

Nossa vida é como uma terra arada, mas que não dá nada…  A não ser que a gente plante e, o que é ainda mais importante, saiba cultivar. Felicidade, alegria, paz, sucesso, amor, compaixão…. Não é apenas colheita. É primeiro plantio, depois cultivo, e depois sim, colheita. E como é trabalhoso cuidar, para depois conseguir colher! Nem tudo é “alface” que dá em poucos dias, tem algumas coisas que são como “café” que só dá em anos! É complicado, mas é preciso cultivar se quiser um dia colher. Imaginamos o emprego dos sonhos, o relacionamento perfeito, o mundo ideal…. Mas plantamos qualquer coisa. A colheita então será de qualquer coisa, enquanto não tomarmos as rédeas da própria vida e aprendermos a plantar aquilo que realmente buscamos.


Plantar hoje as sementes de um bom emprego, por exemplo, cultivar diariamente, pode trazer em poucos anos a desejosa colheita. Plantar hoje as sementes de um bom casamento, com cuidados diários, pode trazer em poucos séculos a querida colheita (tendo em vista que a alma é eterna nem é tanto tempo, ainda mais por se tratarem de duas almas). Plantar hoje as sementes para se conseguir uma boa sogra… Mil anos talvez, mas um dia a colheita vem.

Não há como não colher, é da Lei. E aquelas pequenas coisas, simples e essenciais que nos levam às grandes colheitas? No plantio de gentileza, por exemplo, a colheita é praticamente na mesma hora.  E mesmo que jogue as sementes para um mal educado que, a princípio, não as aproveite, em pouco tempo aparecerá outro educado trazendo sua colheita.  É simples, rápido e fácil, basta apenas observar o funcionamento do processo. Nosso programa ou compromisso, não é com o outro, é com o processo.  Cada pessoa é responsável apenas pelo próprio plantio e não há dependência, confie na Lei.

E lembre-se sempre, mais uma vez, que a terra onde vive, apesar de já vir arada, não dá a vida por ti sonhada, na verdade, não dá nada… Mas se plantar dá, se plantar e cultivar, tudo dá!


Apegue-se. Repita-se. Experimente de novo. Permita-se reviver. Faz bem!

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