Espiritualidade

Carma: uma escolha de almas

carma

A função desta Lei é Tornar Todos os Seres Mais Sábios. Não há punição. Há lições.  A vida não é um sistema penitenciário. A vida é uma Escola de Almas.  Falar em punição sugere uma visão autoritária da vida. Na medida em que falarmos de carma como punição, estaremos usando uma linguagem simbólica. Vamos encontrar esta metáfora na literatura teosófica clássica.



Mas esta não é a única forma possível de descrever a realidade, e a linguagem do século 21 deverá ser a linguagem da pedagogia, do aprendizado, do despertar da consciência.  Linguagem simbólica à  parte,  a lei do carma é sobretudo a lei do aprendizado. O nosso planeta é uma grande escola de almas. Nele, há lições lentas para os alunos mais “difíceis”, e há lições mais rápidas para os alunos que aprendem por mérito próprio e através de um esforço consciente. Alguns eventos são agradáveis, outros desagradáveis, mas todos trazem lições, e qualquer experiência humana em que não houvesse alguma dimensão de ensino e de aprendizagem seria uma experiência inútil.

As lições cármicas são basicamente coletivas, como vimos,  porque tudo está interligado. O próprio eu separado é, tecnicamente, uma ilusão. Só o eu superior é real, e ele é universal, não-separado. Portanto, o carma “separado” não existe. O carma individual não só está ligado ao carma coletivo, mas depende inteiramente dele para desdobrar-se. O carma de alguém só existe em um cenário coletivo com o qual ele dialoga e interage o tempo todo.

Um estudante atento de teosofia evitará, portanto, cair na ilusão de pensar que, “se alguém nasce autista, a culpa é do autista, e a alma da criança deve estar sendo castigada por algum erro do passado”.  


Isso seria o mesmo que dizer, fazendo uma  generalização,  que, se os negros eram oprimidos durante a escravidão,  a culpa era deles; se os judeus eram  perseguidos, a culpa era deles, se os trabalhadores sofrem com o desemprego e os salários baixos, a culpa é deles – e quando alguém é roubado ou assassinado, a culpa é da vítima. “Se alguém está sofrendo, é porque errou”, dizem os desinformados.

Tal raciocínio não é só simplista, mas também perverso e anti-evolutivo. Nem tudo é colheita, no carma. Longe disso. Há inúmeros erros novos sendo plantados o tempo todo. Há centenas de milhares de novas injustiças sendo cometidas pela primeira vez. Todos estes desequilíbrios terão que ser reparados e compensados a seu devido tempo. A função de quem busca a sabedoria é colaborar com o equilíbrio e a justiça. Não é justificar o sofrimento que pode ser evitado, adotando uma postura destituída de solidariedade.

Assim, nem todos os que nascem como autistas ou com limitações físicas estão “colhendo o que plantaram”.  Muitos são vítimas de circunstâncias alheias a seu carma pessoal e por isso serão devidamente recompensados no futuro.

Só o ponto de vista da solidariedade universal entre todos os seres – também chamada de Compaixão – permite compreender a essência da filosofia esotérica. O carma é inseparável da compaixão. Sem compaixão não há vida inteligente. O carma humano é fundamentalmente um só, e é precisamente por isso que a humanidade evolui através da ajuda mútua e da solidariedade. Este é o ensinamento dos grandes instrutores de todos os tempos.


No plano individual, os seres humanos colhem, em geral, algo compatível com o que plantaram.

Mas o processo está interligado a muitos tipos diferentes de carma coletivo, e não há uma correspondência imediata, direta ou mecânica entre o plantio e a colheita de um indivíduo. Os seres também colhem o que não plantaram, o que será compensado mais adiante, tanto no caso da colheita imerecidamente dura, como no caso da colheita  imerecidamente agradável. Assim, quando alguém deseja que lhe ocorram coisas agradáveis antes de examinar se as merece, está apenas desejando gastar antecipadamente o seu carma positivo. Caso isso ocorresse, o resultado seria um futuro especialmente doloroso devido ao gasto exagerado de carma positivo.

Não há, pois, carma bom e carma ruim. Todo carma é bom, no sentido de que todo carma traz lições a quem tem olhos para ver.

O que existe, isso sim, é carma agradável e carma desagradável. E nem sempre o que é agradável é bom. Inúmeras vezes o carma desagradável faz alguém despertar, enquanto o carma agradável adormece e entorpece o indivíduo.


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(*) Extraído do texto maior: CARMA: CASTIGO OU APRENDIZAGEM?

Do site: VislimbresdaOutraMargem – Via: docelimão.com.br


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