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Caro mundo, não vou deixar você roubar o meu melhor!

“Não vou deixar você roubar o meu melhor. ”



Tenho pensado muito em você ultimamente. Mas não se sinta lisonjeado por isso, pois penso, principalmente, quando se esforça para me mostrar que você não é cor­de­rosa como gostaria, nem azul turquesa ou verde­água, que é como você mais aparece em meus sonhos no mar do Caribe.

Na verdade, tenho visto você mais cinza ultimamente, embora goste muito de cinza e do contraste que ele faz com cores fortes como amarelo e laranja.

A essa altura você pode estar imaginando o que estou fazendo aqui falando de cores enquanto você desmorona. Não, eu não vim falar de cores, nem me frustro mais com a Física dizendo que elas não existem e que se resumem apenas a luz.


Vim te dizer que sei que às vezes você tenta me convencer de que não é mais para ter esperança nas pessoas, nem me apegar ao que não pode ser eterno.

Como quando na vez que meus pais me deram um cordão de ouro, fininho, com um pingente oco em forma de coração, e, minutos depois, amassei esse coração com o dente e arrebentei o cordão.

Naquele dia já entendi que nada é eterno mesmo e que, se destruirmos algo que amamos muito, teremos que conviver com os seus destroços depois. Restou­me uma culpa grande, um pescoço sem colar e um pingente amassado que tive que usar em muitas pulseiras de miçanga, até que ele sumisse de vez.


Pois, bem, mundo, eu não destruí mais nada depois daquilo, ou melhor, posso até ter destruído, mas não com aquela inocência de quem acredita que a vida é como desenho animado em que a gente cai de um prédio e ganha apenas um galo na testa.

Acontece que mais tarde descobri que não era só eu que poderia destruir as coisas. Você me mostrou que também fazia isso. Acho que já deve estar começando a entender o que vim dizer, não é?!

Serei direta. Por que você anda arrebentando tantas joias e deixando destroços do que já foi inteiro um dia? Peraí, eu era criança, não sabia que não teria volta. Mas você, mundo, você sabe que nada volta a   ser como antes.

Perdi noites com raiva de você (ainda perco, assumo) perguntando o que queria de mim e de tantas outras pessoas que considero boas, mas que sofrem injustamente por serem apenas aquilo que são.

Não que me considere “boazinha”, pois nunca tive essa pretensão. Mas não minto, mundo. Nem uso um segundo sequer do meu dia para prejudicar alguém ou, no mínimo, me beneficiar às custas d a dor alheia.

Mas, sabe, não vão me obrigar a conviver com destroços do que você tentou destruir.

Vou com calma. Mas vou recuperar a esperança.

Vou sem fazer barulho. M as, acredite, meu silêncio vai ser ensurdecedor.

Não vou deixar você roubar o meu melhor.

Vou até enganar, fingir que você conseguiu. Mas, para conseguir, você terá que ser eu.

E isso, mundo, você s ó será quando eu não existir.

Enquanto isso, sigo íntegra. E amando.

Cordialmente,

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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