Comportamento

Carroceiro de 106 anos, em condições de pobreza, recebe R$ 77 mil em doações de desconhecidos

Senhor Eduardo nunca deixou de trabalhar, nem um dia sequer, e disse que só vai parar “no dia em que morrer”.



A solidariedade das pessoas surge em momentos que ninguém espera, por meio de caminhos para os quais não existem muitas explicações. A conexão humana, a empatia, o amor ao próximo e a vontade de ver o outro feliz são manifestações genuínas de um bom cidadão, que faz de tudo para que o coletivo e a comunidade sempre estejam bem.

Não são todas as pessoas que enxergam o outro como iguais e semelhantes, perpetuando ainda mais as desigualdades sociais e os estereótipos tão danosos à nossa sociedade.

Deixam de falar com pessoas em situação de rua por suposto “medo” ou apenas por preconceito mesmo, esquecendo-se de que dentro daqueles corpos existem sentimentos e que a rejeição traz traumas horríveis.


A acadêmica em Comunicação Social Willana Costta e apaixonada pelo registro documental, conheceu o senhor Eduardo enquanto fotografava. Desde o primeiro clic, a jovem sente o desejo de compartilhar aquela história, não apenas as suas imagens, mas de saber o que aconteceu na vida daquele senhor.

Com 105 anos à época, Eduardo saía de casa todos os dias em sua carroça para trabalhar como catador de material reciclável. Morador de Açailândia, no Maranhão, ele e a esposa dona Maria, de 77 anos, viviam em uma casa em condições precárias, à beira de um barranco, o que oferecia muito perigo ao local.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@willanacostta.

Sem condições financeiras para se mudar dali, o casal de idosos precisava passar por uma ponte improvisada de madeira para chegar em casa, o que tornava tudo ainda mais complexo. Eduardo compartilhou que sentia muito medo de passar no local em dia de chuva, já que algo pior poderia lhe acontecer.


O grande sonho do casal era morar em uma casa mais confortável e segura, para curtir um pouco mais a velhice juntos, sem que precisasse trabalhar tanto. Sem nenhuma renda adicional, a não ser um auxílio muito baixo, deixar de trabalhar não era uma opção, mas a única forma de se alimentar e ter um teto sobre suas cabeças.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@willanacostta.

Willana ajudou a compartilhar a história do idoso e sua ação deu origem a uma vaquinha nas redes sociais. A meta inicial era de R$ 12 mil, valor calculado para comprar uma casa na região um pouco mais segura, mas desconhecidos se uniram para ajudá-lo e ele conseguiu R$ 77 mil.

A quantidade de dinheiro que ele recebeu impressionou a todos e mostra a importância de se montar uma corrente do bem, em que todos se importam em ajudar, mesmo que seja com pequenas quantias.


O valor foi revertido para a compra de uma casa e o que mais estava faltando, melhorando a qualidade de vida do senhor Eduardo e sua esposa Maria. A estudante Willana recentemente compartilhou nas suas redes sociais uma foto da comemoração do 106º aniversário do carroceiro ao lado da sua mulher.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@willanacostta.

Eduardo mostra que tem mais força de vontade e resistência do que muitas pessoas mais jovens, mas isso não significa que deva trabalhar tanto, ainda mais com essa idade. Quando os indivíduos não têm uma profissão que lhes dê direito à aposentadoria, precisam continuar trabalhando, mesmo tendo idade avançada, como se nunca tivessem trabalhado na vida.


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