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CARTA ABERTA AOS MEUS AGRESSORES: OBRIGADA POR ME TORNAREM FORTE!

“O coração é como um jardim: pode crescer compaixão ou medo, ressentimento ou amor. Que sementes você quer plantar?” – Jack Kornfield


Caros Agressores,

Para ser honesta, eu nunca pensei que escreveria essa carta. Até onde sei, todo o sofrimento que passei durante meus anos escolares foi suficiente para me tornar amarga. Eu não perdoei vocês, e certamente não pensava em perdoar.

Lembro-me daqueles anos como se fosse ontem – o nome cruel chamado; o escrutínio de como eu olhei, o que eu disse, e o que eu fiz; a humilhação pública e os encurralamentos nos ônibus a caminho de casa. Cara errada. Tamanho errado. Cor de pele errada. Personalidade errada.


Girl in black superhero maskNão importa quanto eu tentasse entender isso tudo, eu sentia como se o mundo estivesse me dizendo que eu não fazia parte dele e nunca faria.

Lembro-me das horas que passei trancada em meu quarto chorando depois da escola, enquanto minha mãe andava ansiosa pela casa. Naquela época eu não sabia como dizer a ela o que eu estava sentindo, e ela sentia-se perdida sem saber como me ajudar. Eu estava paralisada e confusa.

No pátio da escola eu era a boa garota que nunca falava mal de ninguém, a menina que estudava muito e que odiava se meter em confusões.


Lembro-me das risadas, minhas bochechas queimando enquanto eu andava de uma sala a outra desejando que a terra simplesmente me engolisse. Caros Agressores, eu realmente lembro das risadas.

Lembro-me das vezes que se recusaram a sentar-se perto de mim, “aquela coisa” nas fotos de classe, julgando-me muito feia para se sentarem perto de mim, indigna de compartilhar seu espaço pessoal. Eu fiquei arrasada naquele dia.

Ou as vezes que vocês usavam canetas e objetos afiados para escreverem apelidos cruéis sobre todos os meus livros e artigos escolares enquanto eu estava doente em casa.

E ainda, toda vez que minha família se mudava para uma nova cidade devido ao trabalho do meu pai, eu sempre mantinha a esperança de que, de alguma forma, nessa nova escola as coisas seriam diferentes, eu seria diferente. Eu finalmente seria aceita.

Mas esse dia parecia nunca chegar, e não demorou muito antes dos celulares sem cores, mensagens instantâneas e as redes sociais chegarem, enviando mensagens que faziam meus nervos se contorcerem.

Vocês eram o que eu chamava de “amigos”. Vocês eram estranhos que encontraram um alvo fácil numa garota assustada demais para usar a própria voz. Lembro-me disso tudo.

Quando eu finalmente escapei da escola já na adolescência, eu pensei estar livre. Mas então, uma depressão sufocante e uma ansiedade incapacitante bateram pesadamente à minha porta, à medida que eu me afastei do mundo, convencida de que “vocês” estariam em qualquer lugar.

Eu precipitadamente internalizei suas vozes. Vocês se tornaram minha estação de rádio interna, uma que eu não conseguia descobrir como mudar ou mesmo desligar. Mas não é aí que minha história termina.

Sendo forçada a me olhar internamente, eu comecei lentamente a reunir as peças desse quebra cabeças e retira-las de um lugar escuro e desafiador. Explorei cada esquina e recanto, procurando por partes minhas, partes que não eram vistas há um bom tempo.

Aprendi a me encarar sem medo, mas com um crescente sentimento de maturidade que me ajudou a olhar além da minha dor e começar a tomar consciência da dor de vocês. Vejam, nós humanos somos meramente o reflexo um do outro. Para que vocês projetassem palavras tão duras e tão cheias de raiva, vocês deveriam estar lutando contra suas próprias tempestades internas.

Pessoas genuinamente felizes não fazem as outras se sentirem mal, e por isso, vocês me ensinaram a arte da compaixão.

Vocês me ensinaram como se conectar totalmente com os outros em todas as áreas da vida; eu olho ao redor e vejo além da superfície; eu vejo o cuidado em erguer os muros, e eu vejo algo mais: Eu vejo que por trás de cada rosto, por trás de cada par de olhos repletos de experiências, existe uma estória a ser contada, se nós simplesmente pararmos para escutar.

E mesmo que algumas de suas estórias estejam agora ligadas à minha para sempre, elas são o esboço, o rascunho que adiciona os capítulos ao invés de arrancá-los fora. Porque, veja, apesar da dor, vocês realmente contribuem para o maior presente de todos:

O presente de aprender a genuinamente amar e aceitar a criança que eu era e a mulher que estou me tornando.

E por isso, eu tenho apenas poucas palavras para vocês:

Obrigada por me tornar forte.

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Traduzido e Adaptado para o Site O Segredo por Ingrid Nascimento

Texto Original: “An Open Letter To My Bullies: Thank You For Making Me Strong” – Rachel Renée

 





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