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CARTA AO AMOR DA MINHA VIDA

Lembra quando nos conhecemos naquele posto de quinta e bebemos cerveja até cair? E nem sabíamos nossos nomes, só estávamos tentando esquecer os problemas de casa. No fim da noite foi cada um para seu canto, sem saber ao menos um número de telefone. Dias depois, uma amiga me ligou, disse que você foi todos os dias naquele mesmo posto depois daquele sábado, na esperança de me encontrar.


Lembra da nossa primeira viagem? Que você me prometeu que iríamos nos casar no ano seguinte? Você me fez aquela promessa no alto da pedra, com as ondas do mar batendo com força lá embaixo. Lembra quando íamos pra pista e ficávamos na carroceria da camionete vendo os carros passarem? Lembra que ficávamos ali a tarde inteira, rindo, conversando e fazendo planos. Pois é, meu amor, tudo mudou. Menos meu sentimento. E talvez o seu também não tenha passado.

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Até hoje você tem a chave de casa, às vezes me surpreendo chegando em casa e vendo uma guloseima na geladeira, ou a louça lavada. E me pergunto o que aconteceu. Onde tudo se perdeu. E dessa vez, a culpa foi totalmente minha. Meu jeito instável, durona, fez você se desencantar, se afastar, até você se apaixonar por outra mulher.


Você sempre fazia sopa, queijo e vinho as quartas, levava o café na cama, e eu? Brigava à toa, me importava com detalhes estúpidos. Juro que se eu pudesse, voltaria no tempo e faria tudo diferente. Faria todas as nossas viagens serem diferentes, engraçadas. Voltaria no dia em que me chamou pra morar junto com você e jamais recusaria. Mas agora? Agora você está feliz e realizado.

Mas você ainda tem a chave de casa, ainda diz que me ama, ainda deixa bilhetes por aqui, quando vem pegar suas coisas que continuam naquele quartinho. Ainda diz que não entende o porque de Deus ter nos unido, porque não conseguimos ficar juntos, mas o sentimento nunca passou. E eu juro que faço essa pergunta pra Deus toas as noites também.

Depois de tantos anos, só posso esperar que um dia nossas perguntas sejam respondidas e que eu possa me libertar desse sentimento que não me deixa seguir em frente totalmente, porque seu fantasma sempre vaga por aqui. Toda vez que abro uma garrafa de vinho lembro de você, me oferecendo uma taça, acompanhada de pãozinho com azeite, até a comida ficar pronta.


Só queria te dizer que lembro de todos os momentos, os bons e os ruins, lembro de cada história, cada afago, cada lágrima. Cada vez que você me segurou e evitou minha queda, cada vez que você foi a melhor pessoa do mundo pra mim, e continua a ser até hoje. Eu nunca deixei de amar você. O sentimento continua crescendo em forma de admiração e carinho. Gigante, sufocante.

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Mas eu tive que deixar você ir. Tive que deixar você partir para então entender que amor de verdade é ver o outro feliz, é saber que apenas amar não suficiente. Tive que aprender a conviver com seu sorriso todos os dias sem poder tocar seus lábios ou acariciar seus cabelos. Nunca mais pude passar a mão em sua barba espessa ou tocar seus braços fortes. Tive que aprender a viver sem sentir seu perfume depois de uma noite toda dormindo abraçada com você.

Aprendi a reconhecer que grandes amores são assim, sentimos, vivemos e um momento depois, deixam marcas irreparáveis em nossos corações e passam a morar para sempre me nossas memórias. A você, meu grande amor, agradeço por me ensinar a desejar o que quero e o que eu mereço em um homem, agradeço por fazer parte de um capítulo tão lindo da minha história. Mas o nosso livro acabou e eu te desejo toda a paz do mundo.





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